Empreendedorismo e mentalidade maker por uma nova cultura organizacional - entrevista com Carolina Marini

Desde 2015, a Universidade Corporativa Fiat Chrysler Automobiles Latam (Isvor), em Betim (MG), tem um aliado de peso no desenvolvimento da cultura empreendedora e da mentalidade maker: o Isvor FabLab, que conta com impressora 3D, máquina de corte a laser, CNC de grande formato, CNC de precisão e plotter de recorte.

Para falar sobre como esse espaço dinâmico e versátil tem contribuído para a capacitação dos empregados da FCA e demais empresas clientes e como ele abre portas para novos modelos mentais nas organizações, conversamos com Carolina Marini, diretora de Criação no Design Intelligence da FCA e Fab Manager no Isvor FabLab. Confira!

carolina marini

1 – Quais demandas do Isvor levaram a instituição a implantar um FabLab em suas instalações? Que tipo de mudança ele provoca na maneira como os alunos têm acesso ao conteúdo e constroem o conhecimento?

Espaços como os FabLabs têm como característica o acesso a ferramentas de fabricação digital que auxiliam a prática e o desenvolvimento das competências do mundo maker. Acreditamos que essas competências são fundamentais para uma atuação mais contemporânea e alinhada aos desafios das pessoas e empresas.

2 – Qual o papel do Isvor FabLab na estratégia de inovação da FCA?

O FabLab tem dois papéis importantes no sistema de inovação da FCA. Primeiramente, ele deve ser um espaço com acesso facilitado às ferramentas de prototipação digital – qualquer empregado deve utilizar as ferramentas de forma integrada e com a ajuda de um “guru”, que conhece os truques de todas elas, para tirar as ideias do papel e construir protótipos. A outra função é apoiar a equipe de inovação na realização de seus protótipos, de forma mais rápida e descomplicada, pois nem sempre os recursos necessários estão disponíveis na empresa no momento oportuno.

3 – Vocês trabalham com algumas personas no FabLab Isvor, cada uma representando um modelo mental. Você poderia nos falar um pouco mais sobre elas e sua importância no ambiente corporativo?

A ideia das personas é entender como elas atuam e como as pessoas podem absorver esse tipo de comportamento para resolver problemas ou adquirir outros conhecimentos.

As pessoas podem ter semelhanças com algumas delas, mas podem, em determinados momentos, adotar ações características de outras personas.

As personas para o mundo digital são:

  •         EXPLORER: estuda, avalia e se apropria de aspectos de um determinado problema, contexto ou cenário. Ela é capaz de entender e desdobrá-los em elementos relevantes para uma realidade.
  •         HACKER: dedica-se, com intensidade incomum, a modificar alguma coisa (software, máquina, processo, organização, etc.). Ele trabalha para conseguir soluções e efeitos extraordinários (fora da ordem natural e normal), contornando barreiras que normalmente o impediriam de prosseguir,por meio de competências para ganhar velocidade e escala.
  •         MAKER: trabalha fazendo (construindo, realizando) e utiliza de tecnologia para materializar rapidamente conceitos na forma de protótipos. É capaz de atuar na interseção de disciplinas, aparentemente distantes, para materializar ideias.
  •         NETWORKER: consegue atrair pessoas, formar e acionar redes de colaboração em torno de problemas, ideias, oportunidades e causas. Utiliza-se de mecanismos pessoais e de tecnologia para confluir esforços em torno de um propósito.

4 – O aprendizado baseado no fazer, na experimentação e na prototipação estimula uma atitude mais proativa, autônoma, criativa e colaborativa. De quais maneiras essas competências podem ser incentivadas nas empresas para que não tenham lugar somente no ambiente de aprendizado da universidade corporativa?

Como sempre afirmamos aqui no Isvor: não é sobre coisas, é sobre pessoas. As pessoas não precisam de um FabLab e de impressoras 3D para desenvolver uma postura mais inovadora, as coisas são somente ferramentas para isso. Lembre-se de que não é o ferro quem faz o ferreiro, é o ferreiro quem faz o ferro!

Desenvolver novas posturas depende de uma nova forma de olhar para o mundo. E é isto que propomos: ajudar as pessoas a olhar e a encarar os desafios, problemas e, principalmente, as oportunidades, de forma diferente.

Isso acontece nas empresas quando novas abordagens são desenvolvidas, novas formas de trabalhar são implementadas e quando as pessoas colocam o seu talento à disposição das outras para colaborar.

Leia mais: o que um espaço maker com foco em educação deve ter

5 – O empreendedorismo também é incentivado em laboratórios de fabricação digital e espaços makers. Como o intraempreendedorismo tem sido trabalhado no Isvor, especialmente após a criação do FabLab?

A cultura maker tem tudo a ver com empreendedorismo e intraempreendedorismo. Tirar sua ideia do papel e apresentar um protótipo é um passo enorme para fazer as coisas acontecerem. Isso significa romper barreiras mais pessoais que organizacionais. As empresas estão cheias de boas ideias guardadas nas gavetas, esperando que alguém as transforme em algo que possa mudar a realidade delas. Precisamos dar vazão à isso, mas se as pessoas não estiverem preparadas e empoderadas, o processo não funciona.

6 – Quando se pensa em FabLab, geralmente ele é associado a disciplinas como Engenharia, Design, Eletrônica. O espaço tem sido usado também nos cursos voltados às áreas administrativas da FCA (ou de outros clientes)? Como tem sido essa experiência?

O espaço em si é muito requisitado para ações de  natureza diversa. Desde equipes de marketing até as de gestão de pessoas experimentam novas formas de desenvolver suas ideias (sobre coisas ou comportamento das pessoas).

A experiência é sempre impactante. Ver pessoas, muitas vezes fechadas, fazendo juntas é muito enriquecedor. Observar equipes utilizando ao máximo o talento de cada um dos seus componentes, não é comum em ambientes de competição. Mas num ambiente de colaboração, como um FabLab, sim.

7- Quais são os principais resultados que vocês já alcançaram com a experiência do FabLab?

Conseguimos mudar muita coisa no próprio Isvor. A forma como desenvolvemos e realizamos nossas intervenções de formação é completamente diferente hoje em dia. Além de ser feito de maneira mais colaborativa, todo o processo ficou mais ágil e assertivo. Hoje construímos mais protótipos, experimentamos e erramos mais. Tudo isso colabora para que sejamos mais inovadores e centrados nos clientes.

Temos trabalhado esses aspectos com os nossos “alunos” e, pouco a pouco, percebemos que alguns deles já mudaram a forma de atuar. Percebemos pessoas mais colaborativas e propensas a prototipar mais.

Ficou interessado em saber mais da contribuição das universidades corporativas na formação continuada de profissionais e no fortalecimento da cultura empreendedora? Confira o post que fizemos sobre esse tema!

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