Construção do futuro na Casa do Presente

 

Maria Lujan Tubio e Carol Guedes são criadoras de um projeto que se destaca pela forma como ganhou vida: a Casa do Presente é uma inovadora escola experimental co-criada por especialistas e pelos próprios alunos. Os jovens colaboraram, indicando o que gostariam de aprender e o que era mais importante para eles, e assim o programa de ensino da escola tomou forma.

A formação complementar oferecida na Casa do Presente não segue o modelo tradicional das escolas e é baseada em habilidades individuais, no desenvolvimento da capacidade criativa, na visão empreendedora e no autoconhecimento. Todos os professores são voluntários e atuam como mentores dos alunos. As vivências respeitam oito elementos da felicidade: lazer, intelecto, saúde, vida financeira, amigos/família, trabalho/carreira e espiritualidade/amor.

 

Maria e Carol conversaram com o CER sobre a experiência e os resultados da educação não-formal oferecida pela Casa do Presente. Confira!

 

A Casa do Presente é uma realização de um sonho. Falem um pouco sobre o desafio de fazer esse sonho acontecer.

Maria: Um fator muito importante que levamos em consideração foi que precisávamos estar com pessoas que tivessem o mesmo sonho que a gente. E foi isso o que aconteceu. Os profissionais se disponibilizaram a auxiliar os jovens que, por sua vez, se engajaram na mudança da educação. Depois, tudo aconteceu sem esforço. Nós não nos privamos de nada.

Carol: Quando soube da ideia da Maria, eu quis fazer parte imediatamente. Fui uma jovem que queria ter tido essa possibilidade. Estudei em um modelo de educação no qual eu não acreditava e quis fazer isso para que as pessoas pudessem ter o que eu não tive.

 

A Casa do Presente está fundamentada em oito valores, os chamados fundamentos da felicidade. Um deles chama a atenção por estar, em teoria, desassociado do mundo educacional: o amor. Qual a sua importância na formação dos jovens?

M: O amor interfere em absolutamente tudo. A gente percebe a falta de amor, consideração e carinho em todas as coisas. E isso foi um dos principais apontamentos dos jovens quando eles co-criaram a Casa do Presente. Eles falaram que sentiam falta de amor nas escolas.

Quando você trabalha com algo que gosta e acredita, os outros te entendem e ajudam a melhorar. Isso muda tudo. As pessoas, no geral, estão desconectadas desse cuidado. Os relacionamentos precisam ser ressignificados, você precisa trabalhar com amor mesmo para quem não te conhece. Isso é transformador.

C: E, nas escolas tradicionais, existe mais um desafio em relação a isso: como você será capaz de oferecer algo que não tem? Existem muitos educadores que não são cuidados nas instituições. Na Casa do Presente, estamos disponíveis para cuidar, sermos cuidados e entender o todo. Temos mais de um mediador por turma e os alunos escolheram estudar os temas ensinados. Isso facilita a ter empatia.

 

Como o empreendedorismo é ensinado na Casa do Presente?

M: Empreendedorismo tem a ver com propósito. É um trabalho de autoconhecimento para descobrir esse objetivo, saber quem você é, o que já tem e o que existe no mundo. Na Casa do Presente, mostramos isso para os jovens e os ajudamos a se conhecerem através das vivências. Lá é natural, sem esforço. De repente, um deles chega e fala que quer criar uma empresa. Nossa equipe de mentores dá conselhos, mas não destrói esse projeto porque todos nós sabemos que passar pelo processo é o mais importante para o aprendizado. Nós tentamos ressignificar o fracasso como parte do crescimento pessoal e os ajudamos a percorrer o caminho. Às vezes, as surpresas são incríveis.

C: Uma coisa que aprendi e que me deixa muito feliz é que empreender não tem a ver com negócios necessariamente. Tem a ver com empreender na vida. Eu tenho aprendizes que não têm uma ideia de empresa, mas sabem como testar coisas, conseguir, conquistar, dar passos, entendem de autoconhecimento e autogestão. Isso é empreender.

 

No geral, o que os jovens de hoje querem aprender para interagir melhor com o mundo?

C: Cada jovem é muito único. Não existe um resposta para todos. Passaram por mim vários aprendizes e cada um responde de um jeito e tem dificuldades diferentes. Um pode querer arrumar emprego, outros sabem exatamente o que querem e tem aqueles que ainda estão indecisos. Na Casa do Presente entendemos que é necessário ter muita conversa e escutar bastante o que eles têm a dizer.

M: Podemos apontar alguns temas que costumam ser mais comuns nas demandas deles. Aprender a ter inteligência emocional, a compartilhar, a identificar as emoções em si e nos outros para melhorar a forma como se relacionam, a dominar a arte da comunicação não-violenta e saber mais sobre alimentação saudável, por exemplo. Cada um deles tem uma necessidade e nós os ajudamos a identificar qual é.

 

É possível expandir esse modelo de educação da Casa do Presente para todo o Brasil?

M: A Carol costuma dizer que nem todo mundo tem dinheiro para apoiar um projeto, mas que todos podem doar 5% ou 10% do seu tempo. Se isso acontecer, é possível sim expandir. É muito interessante envolver as pessoas para que possam contribuir e impactar a vida dos jovens.

C: E os benefícios não são apenas para os jovens quando você resolve ajudar. Em uma vivência, você imediatamente recebe algo de volta. É uma energia incrível, que te ajuda com seus problemas também. É uma forma de se reconectar com o que realmente importa.

 

Vocês acreditam que iniciativas como a Casa do Presente estão transformando o modelo educacional tradicional?

M: Sim. Nós oferecemos um ensino complementar, ou seja, as crianças frequentam diferentes escolas de São Paulo, públicas e privadas. Nossos jovens levam a Casa do Presente para essas instituições e para a vida. São multiplicadores.

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