Como a economia criativa impacta o mercado de trabalho e a educação

A tecnologia tem provocado grandes mudanças na forma como pensamos e nos posicionamos no mundo. Vivemos numa época em que muitas atividades passam a ser automatizadas, as pessoas ganham um papel ainda mais importante: fazer o que nenhuma máquina é capaz. A simples reprodução de padrões perde seu sentido em um mundo digital e, por isso, cabe à força de trabalho humana inovar e criar novas soluções.

A demanda por mais criatividade e inovação nos produtos e serviços abriu as portas para a chamada economia criativa. Apontada por especialistas como uma alternativa para o desenvolvimento sustentável e pela capacidade de gerar novos empregos, a economia criativa vem transformando as relações de trabalho, propondo novas organizações nas estruturas das organizações e, consequentemente, novos modelos de educação.

Entenda a economia criativa

O conceito de economia criativa é relativamente recente e ganhou popularidade com o livro de mesmo nome, do consultor britânico John Howkins. Segundo ele, as atividades incluem processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos.  Assim, não basta ser uma atividade criativa, mas a criatividade deve ser o principal responsável pela geração de valor.

Mas, quais são essas atividades? Em 2015, a Unesco e a consultoria EY publicaram um estudo que detalha os 11 setores da economia criativa:

  1. Arquitetura: empresas de arquitetura
  2. Artes performáticas: performances de arte, dança, teatro, música ao vivo, ópera, balé etc
  3. Artes visuais: criação de artes visuais, museus, fotografia e design
  4. Filmes: produção de filmes, pós-produção e distribuição
  5. Livros: vendas de livros físicos e digitais (incluindo os científicos, técnicos e médicos)
  6. Jogos: desenvolvedores e vendedores de videogames; vendedores de equipamentos
  7. Jornais e revistas: edição de jornais e revistas (B2C, B2B e independentes)
  8. Música: gravadoras e indústria da música; música ao vivo
  9. Publicidade: agências de publicidade
  10. Rádio: atividades de transmissão radiofônica
  11. TV: programação, produção e transmissão de TV, incluindo a cabo ou via satélite

Em 2017, esses setores movimentaram US$ 1,2 trilhão em todo o mundo, com um crescimento de 17,8% em relação do ano de 2016. No Brasil, a economia criativa também está em crescimento, apresentando médias maiores que a mundial – expectativa de crescimento de 4,6% até 2021 enquanto nos outros países o crescimento será de 4,2%. Somente o setor cultural, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) movimentou, em 2015, R$ 155 bilhões no País, ou 2,64% do PIB.

Economia criativa e mercado de trabalho

A grande movimentação econômica dos setores criativos traz grandes mudanças para o modo como as empresas operam e o tipo de produto que desenvolvem. Isso explica o crescimento das startups, empresas que têm como principal missão encontrar soluções viáveis para problemas comuns e diretamente ligadas à economia criativa.

O número de startups no Brasil mais que duplicou entre 2012 a 2018 e hoje já são mais de seis mil com 65 mil empreendedores, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups). Isso sem contar as empresas que ainda estão em fase de ideação e desenvolvimento de seus primeiros protótipos do produto.

Além de serem, tradicionalmente, empresas menores, com grande otimização de recursos e ágeis, as startups abrem espaço em sua gestão para mais flexibilidade e liberdade, aspectos intimamente ligados à criatividade, segundo John Howkins. “Essa liberdade deve ser exercitada nos mercados comerciais e é aí que a economia criativa entre em cena”, afirma ele em seu livro.

Outro aspecto é a mudança na mentalidade de venda, que deixa de ser focada somente no produto e passa a valorizar a experiência do consumidor, abrindo espaço para serviços totalmente customizados de acordo com o perfil do consumidor.

Reflexos na educação

A cultura da colaboração e da inovação também tem impacto direto nas salas de aula. Preparar jovens para um mundo que valoriza, cada vez mais, a capacidade de oferecer soluções é um desafio para as universidades e escolas de hoje, que ainda se vêem às voltas para transitar da educação tradicional e de massa para formatos mais flexíveis e personalizados.

Adotar modelos de educação baseados em competências e por meio de projetos é uma das maneiras de se estimular a aprendizagem criativa. A capacitação dos estudantes para o mercado de trabalho nos ensinos superior e técnico deve levar em consideração, principalmente, as competências socioemocionais, apontadas por especialistas como essenciais para o século XXI e frequentemente negligenciadas após a educação básica.

O aprendizado maker também tem uma parcela significativa de contribuição no estímulo à criatividade para a geração de valor. Alicerçado em projetos e na colaboração de forma horizontal, a modalidade de ensino estimula a educação interdisciplinar por meio de experiências práticas e voltadas para a solução de problemas reais.

Quer saber mais sobre aprendizado criativo? Saiba como usar o pichting em sala de aula.

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