Como as escolas podem cuidar melhor da saúde emocional dos professores

O Brasil é um dos países do mundo com salas de aula mais cheias, um dos motivos apontados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como fator decisivo para o estresse entre professores. Segundo a organização, no primeiro ano do ensino médio das escolas públicas brasileiras 37 alunos, em média, ocupam uma só sala de aula. Na China, país com população quase 7 vezes superior à do Brasil, esse número é de apenas 12 alunos por sala.

Além da grande quantidade de estudantes por professor, a média salarial da categoria também é desanimadora: apenas 12,6% se consideram valorizados na profissão. O nível de esgotamento entre os estudantes brasileiros também é um dos mais altos do mundo. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, 80,8% deles sentem ansiedade durante as avaliações e 56% ficam tensos durante os estudos em geral.

Todos esses fatores contribuem para a desmotivação dos professores, prejudicando sua saúde emocional, equilíbrio e bem-estar em sala de aula. O acúmulo excessivo de estresse pode, inclusive, levar o profissional a desenvolver a Síndrome de Burn Out, doença que acomete mais de 15% dos professores da rede pública no país, segundo o MEC.

Efeitos do estresse

Além de oferecer riscos diretos à saúde da pessoa, aumentando o risco de ataque cardíaco, reduzindo a capacidade de aprendizado e de memória, prejudicando o bom funcionamento do sistema imunológico, por exemplo, o estresse crônico também afeta o comportamento e, consequentemente, os relacionamentos.

É comum que o profissional estressado também apresente variação constante de humor, cansaço e irritabilidade, tendência à procrastinação e à depressão. Por isso, no caso de um professor, o estresse pode acabar prejudicando não só sua própria carreira, como a convivência com os colegas e o aprendizado dos alunos.

Papel das escolas em fortalecer a saúde emocional dos professores

Quando o assunto é saúde emocional, é muito importante que o indivíduo se conheça, entenda seus limites e os efeitos da sua rotina em seu bem-estar. No entanto, a escola tem um papel importante na prevenção dos quadros de esgotamento, cansaço e estresse:

  • Empoderamento: criar um ambiente de trabalho seguro e baseado na transparência, em que os professores têm a liberdade de dizer “não” e de discutir os limites de suas responsabilidades, é o primeiro passo para aliviar a carga do trabalho no dia a dia dos profissionais.
  • Ambiente positivo: nutrir uma atmosfera positiva e alegre também faz toda a diferença. A escola deve ser um lugar de troca, crescimento, aprendizado e livre expressão. Oferecer atividades de descompressão também ajuda a deixar os dias mais leves e divertidos.
  • Gestão do tempo: ajudar os professores a gerenciar o próprio tempo deve ir muito além do que só reservar períodos para o planejamento das aulas. Disponibilizar uma sala de trabalho equipada com recursos para pesquisa, planejamento e correção de provas e atividades, por exemplo, evita que o trabalho seja levado para casa.
  • Suporte profissional: é muito importante que, assim como os estudantes, os professores tenham acesso a assistência psicológica no ambiente escolar. Os atendimentos podem contribuir não só para o crescimento do profissional, direcionamento de carreira, como para o tratamento de questões emocionais ou encaminhamento para os profissionais indicados, em casos mais graves.

O investimento em capacitação dos professores é outra maneira de valorizar os profissionais, provendo ferramentas para que continuem se aprimorando e superando os novos desafios da carreira, o que fortalece sua saúde emocional. Para saber mais sobre o tema, leia a entrevista com Fernando Mesquita, psicopedagogo e especialista em educação, em que ele aborda os desafios e perfil dos educadores do século XXI.

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