Educação empreendedora feminina pode combater a desigualdade? Conheça uma história da África Subsaariana

Na corrida para alcançar o acesso à educação, as mulheres saem em desvantagem. Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que, em 2017, havia 758 milhões de adultos que não sabiam ler nem escrever frases simples. Desse total, mais da metade (63%) eram mulheres.

educação feminina

Uma parte dessa parcela de analfabetos, totalizando 27%, vivia em uma região do continente africano, a África Subsaariana. Mas ali há quem trabalhe para fazer a diferença e mudar a vida de quem mais precisa. A Campaign For Female Education (Camfed, na sigla em inglês, ou Campanha pela Educação Feminina, em tradução livre) é uma instituição dedicada a mudar essa realidade. Se você não conhece essa iniciativa, continue a leitura e saiba como a educação empreendedora feminina tem transformado a vida de meninas africanas.

 

O que é a Camfed?

É uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada ao combate à pobreza e à desigualdade social através da educação feminina. Seu objetivo é garantir que meninas frequentem a escola e se empoderem para liderar a mudança na comunidade onde vivem. A Camfed possui programas em cinco países da África Subsaariana: Zimbábue, Zâmbia, Gana, Tanzânia e Malauí.

Desde sua criação, em 1993, a organização garantiu o acesso de 2,6 milhões de meninas aos ensinos fundamental e médio. Mais de 5 milhões de crianças também se beneficiaram do ecossistema de ensino inovador estabelecido na região pelo programa, que conta com uma rede de mais de 5 mil escolas.

 

Como a organização funciona na prática?

A instituição apoia financeiramente famílias de crianças que estão na educação fundamental, sejam meninos ou meninas, pagando despesas diretamente relacionadas à escola. A Camfed também mantém e apoia grupos de suporte às famílias dessas crianças, que se tornam engajados a garantir todas as condições necessárias para que os alunos permaneçam estudando.

Já as meninas do ensino médio recebem acompanhamento durante todo esse ciclo, através da mentoria de professoras capacitadas e do suporte financeiro para a compra de uniformes e livros, o pagamento de taxas escolares e outras despesas. Com acesso ao ensino de qualidade, as jovens aprendem sobre saúde, finanças, práticas de agricultura sustentável e empreendedorismo. Elas acabam se tornando multiplicadoras de todo esse conhecimento.

Quando se formam, essas jovens também têm acesso a um programa de educação voltado à sua capacitação. Ali, elas têm a oportunidade de iniciar o caminho profissional que desejam, seja através da criação do próprio negócio, da capacitação em saúde e educação ou em outra área de interesse.

 

Por que investir em educação feminina?

Segundo a Unesco, as meninas são as primeiras a deixarem a escola. Notas baixas, responsabilidades em casa, casamento precoce e gravidez na adolescência são apenas alguns dos motivos que as obrigam a deixar de investir em sua educação. Na África Subsaariana, por exemplo, 9 milhões de meninas entre seis e 11 anos nunca pisaram na escola – contra 6 milhões de meninos.

Além de trabalhar para diminuir essa desigualdade, a Camfe investe na educação feminina por causa de seu poder transformador. Segundo a organização, as mulheres reinvestem 90% do que ganham no desenvolvimento e no bem-estar da própria família. As jovens que têm acesso ao ensino de qualidade também têm três vezes menos chances de contraírem o vírus do HIV. Elas se casarão mais tarde, investirão na educação de seus filhos e resistirão com mais firmeza à violência e à discriminação por gênero. Ou seja, uma menina tem o potencial de mudar a forma como sua comunidade vive.

Viu como a educação feminina pode mudar o mundo para melhor? Além de iniciativas como essa, há diversas outras possibilidades de garantir uma sociedade mais justa. Uma delas é o empreendedorismo social. Confira esta entrevista com Guilhermina Abreu, na qual ela comenta o tema.

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