Como deve ser a formação de professores na Educação 5.0

Você provavelmente já ouviu dizer que temos um ensino do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI, não é? Como vencer as diferenças de gerações e mentalidades buscando proporcionar um ensino realmente relevante para os dias de hoje? Na opinião do professor no Instituto de Educação da Universidade do Minho, presidente do Conselho Científico da Associação Nacional de Professores (ANP) e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação (SPCE), José Carlos Morgado, no contexto da Educação 5.0, a importância dos professores não diminui, ao contrário do que muitos dizem, mas repensar sua formação é fundamental. “O ensino só será diferente se formos agentes do desenvolvimento humano”, diz.

Em sua palestra para mais de XX educadores durante a edição de 2019 do ConheCER, seminário de Educação Empreendedora do Sebrae, Morgado falou sobre os caminhos para a formação de professores na Educação 5.0 e os desafios do cenário atual para a educação. Confira as principais ideias do professor neste post.

Desafios da Educação 5.0

Antes de mais nada, é preciso entender a complexidade dos tempos atuais. Segundo José Morgado, até os anos 1980 nossa sociedade vivia sob o paradigma imunológico, que defendia a ordem por meio da eliminação de tudo o que fosse estranho ao ‘organismo’. Na escola, esse pensamento se refletia em disciplina, controle e submissão dos alunos à hierarquia vigente. A migração para o paradigma neuronal, que vivemos hoje em dia e que é caracterizado pelas interações em redes e em camadas, fez-nos passar de sujeitos de obediência a sujeitos de produção.

Nesse contexto, a Educação 5.0 se caracteriza como uma evolução do conceito anterior de Educação 4.0, muito marcada pela introdução da tecnologia no ambiente de aprendizado. Na Educação 5.0, as competências socioemocionais, ou soft kills, têm papel essencial na educação, que busca trabalhar competências em vez de disciplinas. “É um modelo educativo que vai além de integrar a tecnologia à educação, mas associa os conceitos e as habilidades cognitivas às competências emocionais”, explica o professor.

O que considerar na formação de professores na Educação 5.0

Uma das críticas de José Morgado à formação de professores, e ele cita Portugal como exemplo, é a prevalência do caráter academicista, com base na lógica disciplinar, especialmente na formação inicial desses profissionais. Já na formação continuada, a centralização sobre a tomada de decisões é uma característica marcante. “Nos tempos atuais, a cultura deu lugar à multicultura, o conhecimento disciplinar ao conhecimento polissêmico. Deixa-se de falar de física e matemática para falar em linguagens matemáticas, por exemplo. E o conhecimento polissêmico se propaga horizontalmente”, explica Morgado.

Pensando nisso, o professor aponta quatro caminhos que considera fundamentais para uma nova formação de professores na Educação 5.0. Vejamos:

  1. Professor deve ser uma referência cultural: professores bem preparados culturalmente são essenciais no contexto atual. Para isso, não tem segredo: o profissional deve investir em uma formação cultural sólida, contínua e diversa.
  2. Professor deve ser uma referência moral: saber reconhecer a escola como espaço de inclusão e respeito, tornando-se referência de valores e ética é um dos desafios dos professores para o desenvolvimento integral e equilibrado de seus alunos. Assim, a formação humana, ética e emocional dos professores deve receber ainda mais atenção.
  3.  Professor deve ser uma referência pedagógica: “Ninguém vai ao hospital dizer como o enfermeiro deve aplicar a injeção, mas querem ensinar ao professor como dar aula. Temos que nos fortalecer como referências pedagógicas”, diz José Morgado sobre a prática da profissão. Segundo ele, os cursos de formação devem ampliar a reflexão sobre a prática, oferecendo mais ferramentas e fundamentação teórica para a tomada de decisões por parte de professores e de gestores.
  4. Professor deve ser uma referência cosmopolita: deixar de se orientar por valores locais e se tornar um sujeito global é a quarta capacidade que a nova formação de professores deve buscar desenvolver, incluindo a educação intercultural no currículo. O professor deve ser capaz de compreender a complexidade e as incertezas do mundo atual.

De acordo com José Morgado, o professor que cumpre esses quatro requisitos passa a ser um agente estratégico de decisão curricular e um profissional inovador das práticas curriculares. Em relação à instituição de formação, seja ela inicial, seja ela continuada, ele aponta para a necessidade de construção do que chama de “currículo cosmopolita”, que desenvolve os seguintes aspectos:

  • Pensamento crítico
  • Competências científicas e pedagógicas
  • Técnicas de comunicação
  • Competências linguísticas
  • Competências colaborativas
  • Destrezas tecnológicas

No contexto da Educação 5.0, não somente os professores precisam rever a sua prática; os gestores educacionais também têm o desafio de assumir novos papéis dentro das instituições de ensino, como agentes de incentivo à inovação e à construção de comunidades. Sobre isso conversamos com Miguel Thompson, diretor-geral do Instituto Singularidades, que falou sobre a influência do mundo atual na gestão escolar. Confira!

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