Conheça os 10 projetos finalistas do Global Teacher Prize

No dia 24 de março, foi realizada mais uma edição do Global Teacher Prize, premiação que homenageia os professores que mais contribuíram com a educação no ano anterior. Desenvolvido pela Fundação Varkey, o prêmio é considerado o Nobel de Educação por especialistas.

O Global Teacher Prize foi criado por Sunny Varkey, presidente da Fundação que leva seu sobrenome, após uma pesquisa mostrar que o status da profissão tinha caído e que os professores estavam sendo cada vez menos valorizados. Em razão disso, a premiação busca empoderar e incentivar os profissionais da educação. Desde 2015, é realizada anualmente e, além de divulgar os docentes que mais se destacaram, oferece um milhão de dólares como incentivo ao vencedor. Os responsáveis por avaliar e escolher o vencedor são professores, acadêmicos, jornalistas, empresários, cientistas, artistas, autoridades e executivos de grandes corporações de todo o mundo, totalizando 209 jurados.

Para participar da competição, é preciso que o professor esteja trabalhando com estudantes de 5 a 18 anos, em aulas presenciais ou em cursos on-line. Além disso, o candidato deve ter no mínimo 10 horas semanais de convívio com os alunos e ter interesse em manter essa carreira por mais cinco anos.

O Top 10 do Global Teacher Prize é formado por diversos educadores do mundo. São profissionais que defendem a inclusão e os direitos da criança, integram os alunos nas salas de aula e alimentam suas habilidades e a confiança, usando música, tecnologia, robótica e ciências, dentre outros recursos.

O grande vencedor desta edição foi Peter Tabichi, professor em uma pequena vila no Quênia, África, que conseguiu elevar sua escola ao primeiro lugar nacional. Para inspirar você, contamos aqui um pouco sobre o projeto do professor Peter e dos outros nove finalistas. Dentre eles, uma brasileira, a professora Débora Garofalo.

Andrew Moffat

Andrew dá aulas na Parkfield Community School, em Birmingham, na Inglaterra. Pela grande mistura de etnias na escola, em cada dez alunos, mais de nove falam inglês como língua adicional. Com o programa No Outsiders (Sem Forasteiros, em português), o professor de inglês ensina por meio da inclusão e da diversidade e já recebeu inclusive o reconhecimento da rainha da Inglaterra.

“A provisão para o desenvolvimento espiritual, moral, social e cultural dos alunos é uma força e permeia o trabalho da escola. Esta é uma instituição inclusiva que celebra a diversidade”, diz Andrew. A mensagem de inclusão e tolerância do No Outsiders nunca foi tão oportuna, uma vez que as estatísticas divulgadas pelo governo mostraram que, em 2017 e 2018, 94.098 crimes de ódio foram registrados pela polícia, na Inglaterra e no País de Gales, representando um aumento de 17% em comparação com o ano anterior.

Daisy Mertens

Daisy nasceu em uma pequena aldeia no Sul da Holanda e hoje dá aula em uma grande escola comunitária. Ela possui alunos de até 30 nacionalidades, com diferenças consideráveis de desenvolvimento e ensina crianças que apresentam deficiência de aprendizado e outras que possuem índices de inteligência acima da média. O projeto de Daisy é voltado para a participação igualitária das crianças no planejamento da própria aprendizagem. Isso permite que eles se motivem e formulem metas em curto e longo prazos, progredindo mediante a autorregulação do próprio crescimento pessoal, além da possibilidade de executar seus projetos de pesquisa.

Débora Garofalo

A professora brasileira dá aulas em uma escola da rede pública, em São Paulo, capital, em uma região com considerável índice de violência. Débora percebeu que os estudantes não estavam recebendo educação tecnológica para se destacarem no mercado de trabalho, devido à falta de recursos necessários. Além disso, as crianças ainda sofriam com a violência e a pobreza local.

Débora se inspirou no que viu ao seu redor para mudar a realidade de seus alunos. Junto com os estudantes, ela mapeou os problemas da área local, através da fotografia, e usou as informações para desenvolver o programa Robótica com Sucata, Promovendo a Sustentabilidade. Os alunos começaram com projetos simples de reciclagem e, ao longo do tempo, introduziram a eletrônica e a robótica, utilizando, por exemplo, chips controláveis. Mais de 2.000 alunos participaram do programa e criaram protótipos para que mais de 700 quilos de lixo fossem transformados em algo novo. Os alunos puderam desenvolver habilidades de trabalho colaborativo, interdisciplinar e aprofundar sua compreensão de eletrônica e física.

Débora foi a única sul-americana a ser selecionada como finalista nesta edição do Global Teacher Prize.

Hidekazu Shoto

A inovação de Hidekazu Shoto foi criar métodos de ensino da língua inglesa sem precisar viajar para o exterior ou estudar fora do país de origem. Grande parte de sua abordagem é mediada por ferramentas como Skype e o jogo Minecraft, que possibilitam comunicação em inglês com alunos de outros países. Por meio do jogo, os alunos aprendem novas habilidades, como trabalho em equipe, imaginação e raciocínio lógico. Outra maneira que o professor japonês usou para inovar foi conectar diferentes disciplinas acadêmicas usando essas tecnologias.

O foco de Hidekazu em ensinar fluência na língua inglesa também trouxe reflexões sobre a pedagogia do Japão, onde a educação segue as tradições de aprendizagem mecânica, que não se adaptam bem ao ensino de línguas. O professor pretende criar uma organização para ajudar educadores e estudantes japoneses no intercâmbio com países estrangeiros, além de construir um sistema que disponibilize equipamentos e suporte de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), em áreas rurais.

Martin Salvetti

O professor argentino viu oportunidades de melhorar sua experiência educacional montando um clube de futebol de fim de semana, envolvendo estudantes e funcionários de sua escola. Ele constatou que no clube, os alunos interagiam de maneira diferente uns com os outros e que aprendiam de forma efetiva, enquanto estavam ativamente envolvidos em uma atividade. Essa percepção formou a base de sua metodologia de ensino desde então.

Reconhecendo os benefícios do modo de ensino de Salvetti, sua escola se envolveu com um programa de artes, organizado por um grupo de instituições de caridade e, por isso, recebeu financiamento para apoiar um projeto de rádio, um cinema e uma banda. Após vencerem uma competição nacional por seu trabalho, puderam investir em equipamentos de transmissão para que a comunidade tivesse acesso à rádio. A transmissão oferece oportunidades de aprendizado aos alunos, já que os tópicos abordados são escolhidos por eles como segurança no trânsito, educação sexual e bullying, além de poesia e escrita criativa. O trabalho do educador contribuiu para a redução das taxas de desistência escolar.

Melissa Salguero

Quando Melissa começou a lecionar na Public School 48, Joseph R. Drake Elementary School, a escola não tinha um programa musical há muitos anos, pela falta de instrumentos e recursos. A instituição está localizada no bairro South Bronx, em Nova York, onde mais de 59% das crianças vivem na pobreza. No entanto, Melissa participou de concursos, escreveu pedidos de subsídio e eventualmente levantou dinheiro e instrumentos suficientes para iniciar o primeiro programa da banda da Public School 48. Com o projeto, problemas comportamentais e disciplinares diminuíram entre os estudantes participantes, e a frequência aumentou. Mesmo enfrentando problemas financeiros, a professora americana conseguiu recompor o programa e mantê-lo.

Peter Tabichi

Peter dá aulas na Keriko Mixed Day Secondary School, na vila Pwani, situada em uma parte remota do Vale do Rift, no Quênia, onde estudantes de diversas culturas e religiões aprendem em salas de aula com poucos equipamentos. O professor criou um clube de formação de talentos e expandiu o Clube de Ciências da escola, ajudando os alunos a desenvolver projetos de pesquisa de tanta qualidade, que 60% se qualificam para competições nacionais.

O queniano viu a sua escola de aldeia alcançar o primeiro lugar, em nível nacional, na categoria de escolas públicas, na Feira de Ciências e Engenharia do Quênia, em 2018. A equipe de Ciências Matemáticas também se qualificou para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia INTEL 2019, no Arizona, EUA, para a qual eles estão sendo preparados. Com os esforços de Peter e seus colegas, a matrícula dobrou para 400 em três anos, e os casos de indisciplina caíram de 30 por semana para apenas 3. Em 2017, 16 dos 59 alunos ingressaram na faculdade, ao passo que, em 2018, 26 alunos foram cursar uma graduação.

Swaroop Rawal

Depois de se tornar mãe, Swaroop viu, em primeira mão, como alguns métodos de ensino podem causar estresse nas crianças. A indiana entrou na profissão para atingir dois objetivos: ajudar as crianças a se tornarem mais resistentes durante o ensino de habilidades e oferecer novos métodos de ensino que ajudassem alunos e professores a refletirem sobre o senso de valor pessoal.

Percebendo que ela poderia alcançar mais crianças se não estivesse ligada a uma escola específica, Swaroop buscou uma prática de ensino eclética, incluindo moradoras de rua, em comunidades rurais, crianças economicamente e socialmente desfavorecidas e de escolas de elite. Como cada grupo tem seus desafios individuais, a professora usa um método centrado no aluno, que inclui discussão em grupo, brainstorming, debate, jogos, música e desenho.

Vladimer Apkhazava

Vladimer ensina em uma região muito pobre da Geórgia, com grandes problemas econômicos. Os pais de muitos estudantes tiveram de se mudar para o exterior para trabalhar e muitos alunos desistem de seus estudos e mudam-se para a Turquia, país vizinho, em busca de empregos.

O professor angaria fundos de empresas privadas e públicas, além de solicitar diversas subvenções para financiar materiais, recursos educacionais e locais para acampamentos de verão para alunos de famílias socialmente vulneráveis. Atualmente, ele também abriga oito adolescentes que tiveram de deixar a casa de seus pais devido à violência doméstica.

Para garantir que sua escola seja mais aberta à participação estudantil, iniciou um programa chamado Revolução Democrática, que visa transformar o funcionamento da escola como o de um país ou nação. O programa foi expandido para outras 14 escolas e melhorou a comunicação entre professores e alunos.

Yasodai Selvakumaran

Nascida no Sri Lanka, mas criada na área rural da Austrália, Yasodai trabalha na Rooty Hill High School, escola pública em Sydney. Ao observar os conflitos em seu país de origem, Yasodai desenvolveu interesse por História e, especialmente, pelos preconceitos sofridos por parcelas da população. Mesmo enfrentando os desafios de um grupo cultural e linguisticamente diversificado, em uma área socioeconomicamente carente, a escola em que trabalha conseguiu alcançar um número de matrículas significativo de 65 estudantes aborígenes das Ilhas do Estreito de Torres. Por meio de sua atuação com os grupos, ela influenciou diretamente a carreira de mais de 200 professores, conquistando prêmios e contribuindo para que sua escola fosse nomeada como uma das 40 mais inovadoras da Austrália, em 2016 e 2017.

Ficou curioso para conhecer também os projetos premiados pelo Global Teacher Prize em 2018? Confira neste post. Assista também à entrevista exclusiva que o professor Wemerson Nogueira, finalista em 2017, concedeu ao CER.

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