Empreendedorismo social no ensino superior: conheça a experiência do Ibmec Social

Uma empresa é capaz de transformar realidades? Se você perguntar a empreendedores de qualquer natureza, provavelmente vão responder que sim. Afinal, a própria origem da palavra entrepreneur (empreendedor, em francês) está ligada à capacidade de criar algo novo, transformar. Mas, e quando o impacto positivo no mundo – e não o lucro – é o principal propósito de uma empresa?

Conhecido como empreendedorismo social, esse formato oferece produtos ou serviços desenvolvidos para atender a demandas das comunidades em que estão inseridos, sejam eles soluções de educação, de combate à violência, de promoção da saúde, entre outras.

Apesar de sua relevância, o empreendedorismo social nem sempre recebeu a devida atenção na oferta de disciplinas de empreendedorismo. Em 2016, um grupo de estudantes do Ibmec, em Belo Horizonte, decidiu mudar essa história: a partir do desejo de desenvolver suas habilidades para os negócios de impacto social, o grupo criou o Ibmec Social, uma organização estudantil que, em seu primeiro ano de existência, recebeu o Prêmio de Educação Empreendedora, promovido pela Endeavor em parceria com o Sebrae.

Desde sua criação, o Ibmec Social cresceu, amadureceu e é uma referência para o desenvolvimento de iniciativas de empreendedorismo social por e para estudantes do ensino superior. Para saber como funciona o programa, continue a leitura.

Empreendedorismo social construído por muitas mãos

Em 2016, quando ainda cursavam Direito, Engenharia de Produção e Administração, três alunas do Ibmec se reuniram para debater formas de transformar a vontade de criar negócios de impacto social em realidade. A instituição não tinha programa semelhante e elas decidiram começar por conta própria. Foi assim que nasceu o Ibmec Social.

Desde o início, a ideia era fugir dos programas de assistencialismo. “Muitas vezes, eram organizadas campanhas de doação ou de arrecadação de alimentos. Mas nós queríamos criar algo em parceria com uma instituição que pudesse, ao mesmo tempo, gerar impacto social e desenvolver competências gerenciais e empreendedoras nos alunos”, explica Guilhermina Abreu, uma das fundadoras da iniciativa.

Outra preocupação foi criar ações de empoderamento para as comunidades atendidas, oferecendo ferramentas para que elas não dependessem de programas filantrópicos e criassem soluções para seus próprios desafios. “Se uma organização que distribui sopa fecha as portas, a população fica sem alimento. Queremos desenvolver a mentalidade empreendedora nas pessoas, para que elas se tornem independentes”, acrescenta Guilhermina.

Muitas pessoas se interessaram em participar do processo de seleção do programa, que valoriza a participação de todos, de forma horizontal, em todas as atividades.

ibmec social

Autonomia e sustentabilidade

Ter autonomia e não depender de recursos externos é uma premissa que o Ibmec Social leva não só para as comunidades atendidas, mas também aplica em sua própria gestão. Uma das primeiras ações do programa foi envolver os participantes no desenvolvimento de um produto que gerasse receita para patrocinar as atividades. Para isso, foi criado o Ibmec Dia Feliz, uma espécie de TEDx de empreendedorismo social, com venda de ingressos. Sucesso total! Com a verba garantida, a equipe partiu para a etapa seguinte: desenvolver os projetos.

Com o apoio de mentores acadêmicos e de mercado, foram criados quatro programas: Favela Legal, que oferecia apoio jurídico a empreendedores de base favelada; Torre de Babel, com aulas de inglês para jovens aprendizes; Plano B, com aulas de empreendedorismo para pessoas cumprindo pena; e Protosonho, que desenvolve próteses impressas em 3D para deficientes físicos.

A experiência do Ibmec Social – que continua em atividade até hoje –  e o prêmio conquistado pela equipe inspiraram a Endeavor, o Sebrae e o Movimento Educação Empreendedora a produzir uma espécie de guia, com o passo a passo para a criação de negócios de impacto social com sucesso. O material conta a história da criação do Ibmec Social em detalhes e a jornada de desenvolvimento do programa. O documento pode ser uma excelente fonte de consulta e inspiração para quem deseja empreender na área social e até mesmo para instituições que buscam fortalecer o empreendedorismo social em seu currículo. Não deixe de conferir! Se quiser saber mais sobre a trajetória de Guilhermina Abreu com o empreendedorismo social, leia a entrevista exclusiva que ela concedeu ao CER.

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