Inspire-se: o projeto de aprendizado por meio da gastronomia no MS

Quatro ovos, duas xícaras de farinha, meia xícara de açúcar, uma pitada de sal. Imagine uma aula em que esses fossem os ingredientes principais para a construção do conhecimento. E o melhor: ela seria feita de forma colaborativa, sem um roteiro rígido, com espaço para a criação e a experimentação (literalmente!).

Há dois anos, essa é a realidade da Escola Estadual Maria Constança Barro Machado, em Campo Grande (MS). A disciplina eletiva de gastronomia surgiu de um lampejo de ideia que a professora de física Ellen Regina Barbosa teve ao conversar com um aluno. De lá para cá, tornou-se a aula mais concorrida e tem contribuído para levar o aprendizado a outro patamar: em uma mesa dinâmica, é possível trabalhar matemática, física, geografia, história, química e as competências socioemocionais, tão importantes para a consolidação das lições. Conheça mais sobre a ideia e inspire-se a fazer algo diferente na sua escola.

Da astronomia para a gastronomia

Assim que a E. E. Maria Constança Barro Machado migrou do modelo regular para o modelo integral de educação, em 2016, passou a atender somente alunos do ensino médio e a oferecer, além das aulas tradicionais, disciplinas eletivas como espanhol, projeto de vida, estudo orientado, entre outras. A escolha é democrática: no início do semestre, alunos e professores se reúnem para eleger quais eletivas farão parte da grade escolar pelos próximos seis meses.

Em uma dessas aulas, a de Astronomia, Carlos, um dos alunos, disparou: “Da próxima vez, poderíamos estudar gastronomia, hein, professora?!”. O comentário despretensioso acendeu uma faísca nos pensamentos da professora Ellen, que voltou para casa pensando em  maneiras de colocar o tema em prática. “Isso nunca tinha passado pela minha cabeça, eu só cozinho em casa! Dediquei um tempo à pesquisa, artigos e à escola. Como almoçamos com os alunos, usava o tempo dos intervalos e refeições para sondar o interesse deles nesse sentido”, diz Ellen.

Após diversas conversas com alunos, a professora começou a recrutar parceiros dentro da própria instituição. Conversou com a direção da escola, de quem recebeu apoio, além dos professores de Matemática, Química e Biologia. Todos toparam! O passo seguinte foi partir para a prática.

União de projeto de aprendizado e ensino mão na massa

A cozinha da escola seria utilizada para as aulas, após o horário da última refeição do dia, o que não prejudicaria os intervalos. Da antiaderência das panelas até o tempo de cozimento e o desenvolvimento do glúten nas massas, tudo virou tema para as aulas, que contam com a presença de todos os professores envolvidos, ao mesmo tempo, na cozinha-laboratório.

“Dividimos os alunos em bancadas, com idades entre 14 a 18 anos. Todo dia tem um prato e uma dinâmica diferente”, explica Ellen. Os pratos são escolhidos por sua relevância histórica e cultural, algo que, segundo a professora, não é muito valorizado na região. Antes, durante e depois da preparação das receitas, são abordados temas como a organização social, o contexto histórico e questões geopolíticas. A escrita e o desenvolvimento da oralidade também têm destaque nas aulas, uma vez que os estudantes devem manter o registro de tudo o que é feito. Em outras aulas, eles apresentam suas receitas diante de um corpo de jurados.

Durante as dinâmicas, os professores sugerem pequenas alterações nas receitas e pedem que os jovens avaliem os resultados e formulem hipóteses. A atividade também é de criação autoral, momento em que os alunos têm a liberdade de propor suas próprias combinações de ingredientes.

Entre os diversos resultados alcançados, Ellen aponta, além do aprendizado nas disciplinas trabalhadas,  mais autonomia e desenvoltura dos jovens. “Temos alunos que já estão há um ano no projeto. Eles chegaram aqui muito tímidos, não tiravam foto, não interagiam muito. Hoje, mudaram sua postura completamente. Não só no projeto, mas no cotidiano da escola”, declara.

Outra maneira de criar projetos multidisciplinares baseados na prática escolar é apostar no ensino focado em serviço, ou no service based learning. Saiba mais baixando nosso e-book sobre o tema.

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