Saiba como o lifelong learning vai mudar nossa relação com a educação

Sete anos e três meses: esse é o tempo que o brasileiro passa, em média, na escola, segundo dados da Unesco. O período é bastante inferior ao de países desenvolvidos como os Estados Unidos, onde a média é de 13,52 anos de escolarização,  a Alemanha, que alcança os 14,07 anos, e até mesmo a China, que pertence ao grupo dos países emergentes, o BRICS, que registra uma média de 12,04 anos de permanência na escola.

Os dados revelam o longo caminho que o Brasil tem à frente para conseguir se equiparar ao nível de escolarização dos grandes países – tanto em população quanto em nível de desenvolvimento econômico. Porém os debates sobre a educação e o trabalho do futuro pintam um cenário ainda mais desafiador: aquele em que as pessoas nunca deixarão de estudar.

Mas isso não significa que passaremos toda a nossa vida dentro das escolas. O conceito de lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, defende modelos de educação continuada que vão muito além dos cursos formais ou da sequência ‘graduação – especialização – mestrado – doutorado’. De acordo com a ideia, é preciso reinventar nosso modelo mental e a forma como lidamos com nosso próprio aprendizado, criando mecanismos para estarmos em constante processo de aprender.

lifelong learning

Por que o lifelong learning é necessário?

Sabe aquele incômodo inicial que costumamos sentir quando atualizamos o sistema operacional do computador ou celular? Tudo é novo e parece menos amigável que a versão anterior, à qual estávamos acostumados, e a impressão é de que não iremos nos habituar novamente. Uma semana depois, e… voilá… já usamos a plataforma de forma intuitiva e sem muito esforço. Isso acontece simplesmente porque, naquele período, tivemos que desenvolver novas habilidades ou nos acostumar a uma nova forma de executar uma mesma tarefa.

Sem nos darmos conta, somos levados pela tecnologia a nos colocarmos em um estado de constante aprendizado. É assim com todas as tecnologias e técnicas, desde a invenção do fogo até a realidade virtual dos dias de hoje. Na época em que o telefone ou o automóvel foram inventados, ambos no século XIX, as pessoas se viram obrigadas a repensar as relações entre tempo e espaço e a desenvolver novas formas de se relacionar e se deslocar. A chegada do e-mail proporcionou a mesma mudança de paradigma: uma comunicação praticamente instantânea e livre de suporte, como o papel.

No entanto o espaço entre essas transformações  se torna cada vez mais curto, e as mudanças são cada vez maiores, uma vez que a tecnologia evolui em uma progressão exponencial, como prega a “Lei de Moore”. Nas últimas décadas, os avanços proporcionados pela democratização do acesso à internet e aos dispositivos digitais tiveram proporções jamais vistas antes na história da humanidade, e a perspectiva é de que as mudanças sejam ainda mais disruptivas nos próximos anos.

Tudo isso impacta a forma como vivemos e pensamos a ideia de carreira profissional e, claro, nosso modelo de aprendizado. Quando as informações adquiridas há poucos anos já não são mais atuais para os desafios de hoje e tudo o que aprendemos precisa ser ressignificado a todo momento, entra em cena a Educação 4.0, uma educação totalmente transformada pela tecnologia e que prioriza o domínio de habilidades como o senso crítico, a criatividade e a inteligência emocional.

Além de novas competências, a era pós-digital demanda que o aprendizado se torne um projeto de longo prazo e não algo restrito a um período da vida ou à juventude. O lifelong learning é, portanto, uma estratégia para se preparar para uma realidade em constante transformação e para os desafios de um futuro ainda desconhecido.

Ferramentas para uma vida de aprendizado

Tendo em vista que as próximas gerações terão, em média, cinco atuações profissionais diferentes ao longo de sua vida, será necessário que a educação formal se reinvente também, desde o ensino infantil até a educação superior. Mas, enquanto isso, ferramentas de aprendizado contínuo já são usadas atualmente e tornam-se cada vez mais populares, especialmente entre quem já está no mercado de trabalho e sente a necessidade de atualização constante. Os cursos livres ou abertos são um exemplo disso, e o crescimento de plataformas como  Coursera, Udemy, Khan Academy e Udacity prova que eles vieram para ficar.

Também já é possível ver uma demanda cada vez maior por cursos que desenvolvam as chamadas soft skills e o surgimento de escolas nada tradicionais, como o caso da Perestroika e da School of Life. Para os professores, a formação continuada ganha uma nova perspectiva e  torna-se ainda mais necessária para uma atuação relevante na área da educação.

Seja como educador, aluno ou profissional, os tempos atuais exigem uma busca constante por alternativas de atualização do conhecimento frente às novas tecnologias. Para entender mais sobre os desafios que as organizações e a educação têm no mundo digital, confira a entrevista que fizemos com a estrategista de inovação Jaqueline Weigel.

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