Makerspace: conheça a experiência da Ross School, nos EUA

Provavelmente, você já deve ter ouvido falar da teoria das múltiplas inteligências idealizada por Howard Gardner. Para o cientista, a inteligência lógico-matemática, utilizada em testes de QI, não deveria ser a única considerada na sociedade. Isso porque, além dela, existe uma gama de outras inteligências desenvolvidas nos seres humanos desde a infância: linguística, espacial, físico-cinestésica, natural, interpessoal, intrapessoal e musical.

O desenvolvimento mais amplo do indivíduo é um dos objetivos da Ross School, escola de ensino fundamental e médio fundada em 1991, em East Hampton, cidade próxima a Nova York. Fundamentada na teoria de Gardner, a instituição desenvolveu um currículo próprio, que leva o estudante a passar por uma espiral de aprendizagem e a contar com diversos makerspaces – espaços para “botar a mão na massa” e criar outras coisas – a fim de desenvolver múltiplas formas de inteligência a partir da prática.

Neste post, conheça mais do método da Ross School e como seus makerspaces contribuem para uma educação que ajuda os jovens a se desenvolverem mais plenamente, fazendo com que eles estejam preparados para as demandas do século XXI.

Formação completa para o indivíduo

Educar a criança de forma integral para o mundo (the whole child for the whole world): esse objetivo é central na missão da Ross School, conforme a própria instituição diz. A escola possui visão holística sobre os estudantes, trabalhando questões da mente, do corpo e do espírito enquanto oferece possibilidades para que eles desenvolvam tantas habilidades quanto conseguirem. Outro viés importante é o de preparar o aluno para o mundo, engajando os jovens na comunidade global ao valorizar diferentes culturas.

Tendo isso em vista, todo o currículo da Ross School segue, desde a educação infantil, o eixo da história cultural do mundo, que vai sendo ensinada de maneira cronológica. Todas as outras disciplinas, incluindo as ciências naturais e exatas, são integradas umas com as outras e dialogam diretamente com o momento da história cultural em que o aluno está. Esse eixo é a lente pela qual são vistos a geografia, os mitos, as práticas religiosas, a filosofia, a arte, a arquitetura, as artes performáticas, as descobertas científicas, a lei e a tecnologia.

Makerspace na Ross School

Em busca de possibilitar que o aluno desenvolva diversos tipos de inteligência e incorpore uma aprendizagem integrada e prática, a Ross School disponibiliza makerspaces, em que o ensino é no estilo “mão na massa”. Esses espaços de criação são estúdios de dança e performance, oficinas de trabalho com metal e madeira, salas de aula repletas de artefatos artísticos, campos esportivos, laboratórios de ciência e estúdios de artes visuais.

Além das disciplinas comuns, os alunos das últimas séries do ensino fundamental e de todo o ensino médio podem escolher dentre as mais de 100 disciplinas eletivas para descobrir gostos e treinar habilidades utilizando os makerspaces. Ainda há o laboratório de inovação, isto é, programa para estudantes com alto desempenho em matérias do campo das ciências, por meio do qual eles aperfeiçoam ainda mais suas habilidades em STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática) mediante disciplinas avançadas e muita prática.

A metodologia da Ross preocupa-se em formar indivíduos engajados e atuantes na sociedade, além de profissionais preparados para o mercado de trabalho do século XXI. Por isso, grande parte do ensino prático tem foco em resolução de problemas.

Educação maker e o empreendedorismo

Os makerspaces estão cada vez mais presentes entre as apostas de escolas inovadoras no exterior e também no Brasil. Eles são uma possível solução para que as instituições consigam explorar múltiplas inteligências dos alunos, ajudando-os a desenvolver suas habilidades de maneira personalizada e engajada. Além disso, a estratégia ajuda a formar cidadãos mais preparados para lidar com o mundo ao seu redor.

Basicamente, os makerspaces são laboratórios de prototipagem, semelhantes a oficinas, que combinam técnicas e tecnologias de fabricação manual e digital. Associados à educação, eles permitem que os alunos explorem suas ideias na prática, construindo protótipos de produtos, desenvolvendo projetos já existentes ou até mesmo trabalhando em soluções totalmente inovadoras. Por isso, eles têm sido vistos como grandes aliados da educação empreendedora, uma vez que ajudam a desenvolver a criatividade, o foco na resolução de problemas e a autonomia. Outra vantagem é expor o aluno, desde muito cedo, às próprias falhas, incluindo o erro como parte fundamental do aprendizado, um valor que, mais tarde, será fundamental na carreira empreendedora.

Para entender melhor o que são os makerspaces e quais são as diferenças principais entre eles e os fablabs, confira este post. Mas, se você já se aprofundou no assunto e está se preparando para implantar um makerspaces na sua escola, leia mais sobre o que um makerspace com foco em educação precisa ter.

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