Conheça o Projeto Marvin, que ensina jovens a ser autônomos no aprendizado

Inspirados pela metodologia de ensino de uma faculdade do Vale do Silício, nos Estados Unidos, ex-alunos da Escola do Sebrae (médio e técnico) fundaram o Projeto Marvin, uma “não escola” que busca desenvolver nos jovens a habilidade de aprender de forma autônoma por intermédio do ensino de programação.

A ideia do curso de seis semanas é mostrar ao aluno o caminho da aprendizagem ativa em aulas sem professores, na qual existe somente a figura do facilitador e o uso de uma plataforma de ensino gamificada. O método tem beneficiado adolescentes e jovens adultos a melhorar o desempenho em disciplinas da escola e a se adequarem melhor ao mercado de trabalho por meio do desenvolvimento de soft skills.

Conheça o Projeto Marvin e veja as vantagens dessa abordagem inovadora de aprendizado.

 

Mudando o mindset dos alunos

“Os alunos sempre foram ensinados a esperar o conhecimento chegar até eles, a ser aprendizes passivos. O projeto trabalha basicamente no mindset de aprendizado, sendo que a intenção é formar pessoas que sejam autônomas no conhecimento. A gente ensina a aprender”, afirma Vitor Dornas, que tem 19 anos, cursa faculdade de Economia e é um dos sócios do Projeto Marvin.

Provocar uma mudança na atitude mental dos jovens com relação ao aprendizado é o objetivo principal da iniciativa. A ideia surgiu da experiência de outro sócio, o Dante Nolasco, na Escola 42 do Vale do Silício (polo de tecnologia dos Estados Unidos), que ensina os estudantes a se tornarem protagonistas no processo de aprendizado.

De acordo com Vitor, por mais que a mudança de mindset seja algo que toma tempo e que é difícil no início, o Projeto Marvin já coleciona resultados melhores do que o esperado desde sua criação, em 2018. “A partir do momento em que aprendem o que aprender e por que aprender, as pessoas evoluem de maneira bizarra”, avalia.

Ele cita um exemplo da última edição, em que quatro meninos do primeiro ano do ensino médio participaram, sendo capazes de programar, ao lançar mão de conceitos de Cálculo II, em apenas quatro semanas. “Eles falaram que, dentro de sala agora, eles explicam Matemática aos colegas, pois a aprendizagem lógica e o raciocínio melhoraram de forma absurda depois do projeto”, conta Vitor.

 

O método de ensino do Projeto Marvin

O Projeto Marvin consiste em três encontros semanais, durante o período de seis semanas, com carga horária total de 54 horas. A habilidade de aprender com autonomia é desenvolvida com base no ensino de programação por meio de uma plataforma gamificada – a cada fase que passa, o aluno ganha moedas, sobe de nível e pode comprar recompensas. É uma experiência que alia aprendizado e diversão.

Nas aulas, os facilitadores não passam nenhum tipo de conteúdo, mas criam um ambiente para que os estudantes consigam aprender sozinhos, encontrando as informações de que necessitam de maneira tranquila. “Não tem aula, não tem professor, só tem aprendizado”, descreve o sócio.

Eles propõem exercícios nos quais os alunos precisam utilizar conhecimentos dos dias anteriores, exercitando a autonomia. Também ensinam habilidades de self-learning (autoaprendizagem) e peer-to-peer learning (aprendizado em pares), em que todos os participantes ensinam uns aos outros.

A metodologia trabalha com quatro pilares principais:

1) Lógica e estrutura: aprendizado da lógica e estruturação de códigos por trás da programação.

2) Autonomia e autoconhecimento: jovem como protagonista de sua vida. Ao aprender a aprender, ele consegue total autonomia de seu conhecimento.

3) Soft Skills: desenvolvimento de habilidades emocionais, comportamentais e sociais dos indivíduos, para que os alunos consigam gerir informações da forma mais eficiente possível, trabalhar em equipe e aprender a tomar decisões.

4) Gamificação: participantes cumprem desafios e dinâmicas, em que recebem recompensas que podem ser trocadas por benefícios para desenvolver seu aprendizado.

5) Comunidade: o Projeto Marvin não é só uma imersão de presencial que tem um fim. Uma vez que completa os desafios iniciais,  o aluno passa a fazer parte de uma comunidade de pessoas curiosas e interessadas em sempre estar aprendendo coisas novas e se desenvolvendo. O jogo nunca acaba.

O Projeto Marvin mostra como a autonomia é importante para o desenvolvimento dos jovens nas escolas, nas faculdades e no mercado de trabalho. E aí, o que achou da iniciativa? Para saber mais, verificar datas das turmas e como se inscrever, entre em contato pelo Instagram @projetomarvin.

Conheça também como a atitude mental pode influenciar a aprendizagem ou confira nosso post com 7 maneiras de estimular a autonomia dos alunos.

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