Saiba o que é educomunicação e como aplicá-la no ensino

Aos educadores é lançado o desafio: como garantir, na atualidade, que alunos desviem a atenção de seus celulares e efetivamente se engajem no processo estudantil? Um caminho possível é proibir o uso de smartphones durante a aula – o que efetivamente acontece em diversas escolas do país. Mas, e se um professor utiliza as mídias digitais como estratégia para ensinar efetivamente algum conteúdo? Se você já pensou sobre o assunto, precisa saber mais sobre a educomunicação.

educomunicação

 

O termo é utilizado para designar um campo de conhecimento cada vez mais explorado por educadores, baseado na integração de formatos comunicacionais ao ambiente escolar. Sua proposta é se valer dessas possibilidades para formar cidadãos ativos e protagonistas de sua trajetória estudantil e profissional.

Mas será que alcançar esses e outros objetivos é realmente possível? A educomunicação pode ser um caminho para aumentar o engajamento estudantil? Se quiser saber a resposta para essas perguntas e conhecer dicas para aplicar o método na prática, continue a leitura!

O que é educomunicação?

A educomunicação é um processo de ensino que incentiva alunos a se apropriar criativamente de formatos e linguagens características dos meios de comunicação para construir conhecimento e colocar luz sobre temas diversos.

A metodologia busca garantir que estudantes sejam protagonistas das narrativas relacionadas ao universo estudantil e à comunidade escolar, dando voz às suas demandas específicas. Na prática, ela preconiza o uso de elementos midiáticos em sala de aula para o desenvolvimento de conteúdo atrativo de qualidade, planejado e produzido completamente pelos alunos.

Outro objetivo é fortalecer a capacidade dos indivíduos de avaliar criticamente conteúdos midiáticos, colocando em pauta notícias recentes e incentivar os alunos a discuti-las e interpretá-las. Pode ser, ainda, a oportunidade de exemplificar assuntos que fazem parte do currículo escolar, mostrando como eles se dão na realidade.

Vale a pena investir nessa metodologia?

O poder da educomunicação está na maneira como ela pode dialogar com a realidade e com elementos que estão altamente presentes e arraigados no cotidiano dos alunos. É dessa forma que ela pode contribuir para:

  • Aumentar o engajamento dos alunos: quando estimulados a usar elementos com os quais têm familiaridade, como usuários ou como produtores de conteúdo, os adolescentes podem se envolver mais com o conteúdo da disciplina, seja buscando exemplos para traduzir teorias ou pensando em estratégias midiáticas para traduzir sentimentos e interpretações da realidade.
  • Promover o protagonismo juvenil: quando tem a possibilidade de ser criador de conteúdo, o aluno pode exercer a alteridade e reforçar seu ponto de vista sobre determinado assunto. É dessa forma que sua voz ganha força e passa a ser considerada e valorizada na comunidade escolar.
  • Promover a literacia midiática: quando conhecem a forma como as notícias são produzidas e suas estruturas, os alunos passam a ter disponíveis mais elementos para interpretar a realidade. Dessa forma, podem se tornar multiplicadores desse conhecimento e conviver de forma mais crítica com as notícias que assistem, ouvem ou lêem.
  • Formar cidadãos críticos: o pensamento crítico é uma das habilidades listadas como essenciais para o futuro do trabalho. É, também, um dos principais objetivos da educomunicação, uma vez que a metodologia busca mostrar como as notícias carregam uma série de significados e interpretações possíveis na forma como se constrói o texto, como as imagens são dispostas e como outras escolhas são tomadas pelo jornalista. Essa pode ser uma oportunidade de formar alunos capazes de entender uma série de nuances e aplicar conhecimentos de português, geografia, história e sociologia.

Quatro dicas para adotar a educomunicação em sala de aula

Há diversas formas de se apropriar dos produtos midiáticos para preparar aulas mais aprofundadas, divertidas e que aumentem o comprometimento dos alunos. Veja, a seguir, quatro estratégias:

  1. Jornal da comunidade escolar: pode ser fixado semanalmente no mural da escola, contendo textos e imagens sobre acontecimentos que movimentaram a comunidade estudantil em determinado marco temporal.
  2. Documentário sobre problema específico do bairro: estimule os alunos a pensar criticamente sobre um problema apresentado em aula e a buscar histórias reais de pessoas que o vivenciam no dia a dia. Incentive-os a produzir um material em vídeo que dê conta daquela realidade e promova uma mostra na escola com os resultados desse trabalho.
  3. Pílulas de conhecimento sobre alguma disciplina: peça que os jovens utilizem mídias sociais como Instagram ou Facebook para contar, em pílulas de vídeo, o que aprenderam no dia de aula. Será uma forma de promover o debate, a colaboração e a interação entre colegas.
  4. Reportagem em profundidade: escolha, junto com alunos, um tema de interesse com relação direta na vida daquela faixa etária e incentive os alunos a pesquisar e entrevistar especialistas. O resultado será uma imersão no assunto e a promoção de um debate que envolverá outras pessoas, de diversas áreas de conhecimento.

Em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, a Rede Potiguar de Televisão Educativa e Cultural realiza um projeto de educação em comunicação, contribuindo para que crianças e adolescentes do interior do RN tenham acesso a bens culturais e às tecnologias digitais.  Saiba mais sobre este e outras nove iniciativas brasileiras aqui.

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