Um match com o mercado de trabalho - entrevista com Amanda Busato

Não se trata de uma empresa júnior, nem de um programa de estágio. Conheça a plataforma UpMe, que ajuda a conectar os estudantes universitários ao mercado de trabalho de uma maneira super prática. Lançada pela startup homônima, liderada pela jornalista Amanda Busato, a plataforma permite que empresas cadastrem suas demandas e que os estudantes trabalhem – individualmente, em grupo, com ou sem a mentoria dos professores -, nos projetos escolhidos.

 

Amanda conta um pouco mais sobre os benefícios da UpMe e como ela pode contribuir para alunos, professores e empresários.

 

Como funciona a plataforma?

Os alunos e professores cadastram suas ofertas de projetos e as empresas – pequenas empresas, organizações sociais, startups – cadastram suas demandas. A plataforma combina as variáveis da oferta e da procura e pode acontecer, então, um match, como em um aplicativo de relacionamento. A partir daí, a gestão do projeto é feita por meio da plataforma, com uma linha do tempo em que aluno e cliente acompanham cada etapa, detalham os checkpoints de cada uma, avaliam os checkpoints, fazem briefing, brainstorming.

Um dos nossos diferenciais é que somos uma plataforma online, diferentemente das outras soluções para interação entre alunos e o mercado, ferramentas e até associações estudantis. Além disso, nossa proposta é otimizar o tempo do estudante durante a graduação ou a pós-graduação. Eles aproveitam o tempo das disciplinas cursadas para desenvolver os projetos relacionados às aulas teóricas. Considerando que um aluno cursa cinco, seis, sete matérias por semestre, imagine a bagagem que ele pode ter ao final do curso: sair com um portfólio cheio de experiências e muito mais bem preparado para o mercado.

Até o momento, todos os projetos que realizamos contaram com encontros presenciais, mas eles podem ser desenvolvidos do início ao fim exclusivamente pela plataforma. Quem define essa dinâmica são os próprios alunos e professores, junto com o cliente. Nós só indicamos as etapas que precisam ser cumpridas. Uma das vantagens dos projetos poderem ser feitos virtualmente é que o aluno pode ampliar seu networking, trabalhando com empresas de outras localidades, e as empresas podem se beneficiar de estrutura e conhecimento que só são produzidos em universidades de outros estados, por exemplo. A participação dos alunos é voluntária e as empresas pagam somente uma taxa de operação de R$ 300,00 para o serviço da UpMe, que é um valor irrisório se comparado ao custo real de um projeto.

 

 

A ideia da plataforma surgiu da sua própria experiência na faculdade. Quais as maiores dificuldades, na sua opinião, que o estudante ou o recém formado enfrenta na transição da universidade para o mercado de trabalho?

A inexperiência e a insegurança são grandes dificuldades, frutos da falta de prática – só ela garante competência para o profissional. Muitos alunos não se sentem bem preparados para o mercado e muitas universidades não estão, de fato, garantindo a formação dos universitários para o trabalho do futuro. O conhecimento já está disponível online, o papel do professor e da instituição de ensino hoje em dia é outro. As empresas reclamam também da falta de capacidade empreendedora, de tomada de decisão, de resiliência para resolver problemas. É tão difícil manter um negócio de portas abertas que os gestores estão cada vez menos interessados em diplomas e certificados. O que a maioria quer ver é portfólio e uma postura proativa. Essas características são fundamentais também para o aluno que deseja ter o próprio negócio.

 

 

De quais formas a UpMe estimula a cultura empreendedora nos jovens?

Pessoalmente, sou da opinião de que preparação e competência só vêm com a experiência. Tudo o que eu decidi a fazer na vida veio de algum processo de experimentação. Eu não tive uma formação empreendedora na minha família, precisei trabalhar em vários lugares, passar por várias situações para começar a pensar em soluções para os problemas. E quando você começa a pensar em soluções para os problemas e vê que não há nada parecido no mercado, você acaba empreendendo.

Na UpMe, as pessoas vivem a experimentação durante a fase de estudos e, se tiverem genuinamente vontade de empreender, têm espaço para isso. O comportamento empreendedor não significa só começar um novo negócio, mas empreender dentro das próprias empresas, buscando soluções, assumindo responsabilidades. O aluno que vai trabalhar para uma empresa no futuro tem a chance de desenvolver essas competências por meio da plataforma. E aqueles que vão, de fato, empreender, podem ter mais clareza sobre o que é isso, quais problemas vão enfrentar.

 

 

 

Como foi o processo de aceleração da UpMe no Seed-MG?

Começamos em Florianópolis, onde passamos por um laboratório de inovação social do Social Good e fizemos um BoostCamp da Universidade de Santa Clara, que funcionaram como uma pré-aceleração, quando eu só tinha a ideia.

Já a fase de aceleração é muito diferente e fazê-la aqui no Seed tem sido muito bacana para nós. Temos que fazer atividades de difusão, visitando escolas e universidades para falar do Seed, apresentar nossa solução e contar nossa experiência. Também existem as bolsas para a equipe e o que eles chamam de capital semente, que nos ajudou a formar um time de cinco pessoas com diferentes expertises, o que tem sido muito importante para o nosso crescimento.

 
Quais os principais desafios para as startups de educação no país atualmente?

Precisamos apresentar soluções que revolucionem o mercado, que facilitem a vida dos professores e a aprendizagem dos alunos e que tragam, de uma vez por todas, as aulas e o ambiente de ensino do século XIX para o século XXI. Não tem mais espaço para práticas que insistam em homogeneizar os educandos, que não orientem o aluno a encontrar sua própria forma de aprendizado. As novas empresas de educação com base tecnológica têm como desafio agradar um público muito exigente, que quer e precisa aprender rápido e se manter motivado no processo.

 

leia também

Universidades de portas abertas para o mercado
continuar lendo
5 dicas de como trabalhar a autoestima em sala de aula
continuar lendo
Conheça o portal de educação do IBGE
continuar lendo

Quer ficar sabendo de tudo antes? Assine a
newsletter e receba novidades no seu e-mail.

x
área restrita
Usuário
senha