5 ideias para criar senso de responsabilidade pelo aprendizado em sala de aula

“Todos nós já passamos por isto: no meio de uma discussão em sala de aula, percebemos que apenas uma parte das crianças está realmente conversando conosco, e o restante está alheio à tarefa”. A fala é da professora Miriam Plotinsky, que aponta para a necessidade de criar um senso de responsabilidade pelo aprendizado, fazendo com que os jovens se apropriem verdadeiramente do conteúdo discutido em sala de aula.

Miriam, especialista em aprendizado nas escolas públicas de Montgomery County, em Maryland (Estados Unidos), onde trabalha há quase 20 anos como professora de inglês, desenvolvedora de equipes e chefe de departamento, usou a experiência própria nas salas de aula a fim de desenvolver estratégias voltadas a combater a falta de interesse dos alunos. Confira, a seguir, por que esse tipo de engajamento é fundamental no que diz respeito à qualidade da educação e as cinco ideias de Miriam para inspirar mais responsabilidade pelo aprendizado.

Senso de responsabilidade pelo aprendizado: chave para a participação ativa

“Diga-me eu esquecerei, ensina-me e eu poderei lembrar, envolva-me e eu aprenderei”. A frase de Benjamin Franklin resume bem como deveriam ser as dinâmicas em sala de aula: com a participação ativa e a apropriação dos conteúdos por parte dos alunos. Muitos professores buscam inovar em sala de aula, aplicando conceitos como storytelling, gamificação ou sala de aula invertida e assim conseguem prender a atenção dos alunos por um período razoável. Essas técnicas e metodologias, porém, por si sós não são suficientes para garantir um envolvimento mais profundo com o aprendizado.

“Fornecer escolhas, ser flexível e construir relacionamentos positivos é a base para garantir que as crianças saibam que são a parte interessada mais importante na escola e que elas são donas da sua aprendizagem”, diz a professora Miriam. Segundo ela, o senso de responsabilidade pelo aprendizado permite que a construção do conhecimento seja mais profunda e efetiva, pois esse se transforma em um processo de experiência e não só em um ato passivo de escuta e resposta.

Além disso, a responsabilidade pelo aprendizado compartilhada por todos na turma favorece o espírito de colaboração entre os próprios colegas, que encaram as aulas como uma construção coletiva, mais que um processo de transmissão-absorção de conteúdo.

  1. Peça opinião

Participação autêntica. Para que se sintam parte do todo e se envolvam com genuinidade nas atividades de sala de aula, desenvolvendo maior senso de responsabilidade pelo aprendizado, os alunos devem perceber que sua opinião é importante e valorizada no contexto das aulas.

Para isso, crie adesão às atividades desde o início, perguntando a todo momento o que os alunos acham, quais caminhos julgam ser mais adequados e qual sua opinião acerca não só do conteúdo das aulas, mas das atividades a serem realizadas. Uma boa capacidade de mediação será necessária, no entanto o esforço vale a pena.

  1. Foque no crescimento

Embora abrir espaço para o erro seja essencial a fim de que os estudantes sintam segurança para experimentar, focar nos acertos contribui para que eles sigam confiantes em sua jornada de conhecimento. O progresso de cada um, e não o quanto ainda lhes falta, deve ganhar luz no processo de aprendizado, com o intuito de que eles desenvolvam o autoconhecimento e a autoconfiança, entendendo seus limites e potencialidades.

Uma boa prática, nesse sentido, é se colocar também em um lugar de vulnerabilidade, compartilhando os próprios erros e as dificuldades com a turma. Além de encorajá-los, isso contribui para desmistificar a ideia do professor como o detentor absoluto do conhecimento.

Outra ideia é levar para a sala de aula a história de profissionais de sucesso, mostrando o caminho que percorreram, com todos os erros e acertos, até chegarem lá. Biografias podem ser ótimas aliadas nessa atividade.

  1. Divirta-se

Acolher a espontaneidade. Essa é a dica da professora Miriam Plotinsky para que os estudantes tenham ainda mais senso de responsabilidade pelo aprendizado. Isso inclui abraçar os erros, saber improvisar e lidar com situações impensadas.

Uma sala de aula em que há espaço para o bom humor e as risadas nutre a geração de laços afetivos e de confiança, e o clima de leveza contribui para que o jovem se sinta mais acolhido e interessado no aprendizado.

Mas, atenção: é importante lembrar que o riso deve ser sempre direcionado à situação, e não à pessoa, evitando constrangimento e bullying.

 

  1. Repense a participação em sala de aula

Nem todo aluno se sente à vontade ao se dirigir em voz alta aos colegas e aos professores. E esses jovens devem ter a possibilidade de se expressarem de outras maneiras.

Criar processos de participação que envolvam post its ou aplicativos como o Slid.o (link para slidepost em aprovação), por exemplo, pode ser uma alternativa para que os mais tímidos coloquem suas ideias no papel sem terem, necessariamente, de se expor.

O importante, como vimos no primeiro tópico, é que a sala de aula seja um espaço democrático para a livre expressão e acolhimento de todos os tipos de opinião. Tudo isso faz com que o estudante crie maior senso de responsabilidade sobre o seu aprendizado e sobre todas as dinâmicas propostas.

  1. Deixe que os alunos tenham voz ativa

Até agora, falamos sobre estratégias para desenvolver o senso de responsabilidade pelo aprendizado individualmente. Mas despertar o engajamento na turma também contribui nesse sentido. Por isso, envolvê-los no processo de construção das aulas é bastante positivo.

Crie uma dinâmica constante de feedback e faça com que eles realmente ajudem a implementar mudanças na forma como o conteúdo é repassado e as atividades conduzidas, adequando o formato das aulas ao perfil daquela turma.

Outra estratégia bastante eficaz buscando despertar a responsabilidade pelo aprendizado e o engajamento é a metodologia de aprendizagem evolutiva. Focada na busca por soluções em conjunto, sua ideia é partir de problemas específicos, que devem ser solucionados com o envolvimento das pessoas diretamente impactadas por ele – e que serão beneficiadas por essa solução. Quer entender mais sobre de como a metodologia funciona na prática? Confira neste post.

Aprovado. 

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