6 ideias para estimular a equidade de gênero na escola

Com o avanço das tecnologias e da consciência de classe, era de se esperar que veríamos a desigualdade diminuir ou que já teríamos eliminado tais diferenças da sociedade, mas o cenário atual não é exatamente esse. Ainda há muito o que percorrer no longo e tortuoso caminho em busca da equidade de gênero na escola (e na sociedade).

Em 2019, as mulheres receberam 20,5% a menos que os homens no Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As taxas de feminicídio seguem aumentando e contabilizaram 1.173 mulheres mortas em 2018, de acordo com o levantamento realizado pelo G1.

Para termos reais avanços, provavelmente, a longo prazo, precisamos olhar para a base e começar a busca pela equidade de gênero na escola, pois é onde tudo começa. Neste post, vamos apresentar algumas ideias para ajudar no desenvolvimento de crianças em tal questão. São propostas para melhorar o relacionamento entre elas e criar um senso de equidade desde a juventude.

1. Apresente aos alunos, incluindo os mais novos, os problemas causados pela desigualdade de gênero

Todos os dias acompanhamos, seja por meio de notícias, seja até mesmo em situações vividas por pessoas conhecidas, casos de violência contra as mulheres. Explique que na maioria dos casos, muitas dessas ações, que podem levar até a morte (feminicídio), são praticadas por homens. 

Em 2018, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil, enquanto 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio, segundo pesquisa feita pelo Datafolha.

Por mais que seja um tópico aparentemente polêmico, os alunos precisam entender desde cedo o que a falta de equidade de gênero pode causar. Esse exercício pode ser apresentado de diversas formas, desde palestras a pesquisas desenvolvidas pelos próprios alunos.

2. Estimule debates sobre os problemas causados pela falta de equidade de gênero

Questione os alunos a respeito da opinião sobre o tema e estimule debates sobre o amplo escopo que ele proporciona. Por que ainda existem homens  com remuneração mais alta em relação às mulheres, mesmo exercendo a mesma função? Por que, em alguns casos, a mulher é marginalizada na sociedade a desempenhar funções consideradas inferiores?

O debate até deve passar pelas questões da escolha da profissão. Em uma metodologia realizada pelo parque Kidzania, pode-se perceber que as crianças “escolhiam” uma profissão baseadas em típicos estereótipos de gênero. Isso evidencia a necessidade de haver o debate acerca da equidade de gênero na escola e também a importância de combater estereótipos, como, por exemplo: meninos brincam de carrinho, e meninas, de boneca; meninos jogam bola, e meninas brincam de cozinha; homens são engenheiros, e mulheres são secretárias, etc. Questione e incentive o fim da distinção de funções e papéis exclusivamente femininos e masculinos.

3. Desenvolva aulas temáticas sobre a história de mulheres importantes no contexto mundial

Nada melhor do que lançar mão de exemplos de mulheres importantes no cenário mundial para apresentar aos alunos e, principalmente, às mulheres, como forma de inspiração, exemplo e empoderamento e incentivo à   equidade de gênero na escola.

Como apresentado anteriormente, ao longo da História, as mulheres geralmente ocuparam posições inferiores às dos homens. Entretanto, apesar de os números seguirem discrepantes, existem alguns avanços no mundo empresarial. Nota-se crescimento do número de mulheres em posições altas em empresas, em lugares importantes na política e à frente de movimentos sociais relevantes.

Em entrevista ao Centro Sebrae de Referência em Educação Empreendedora (CER), Priscila Gama, fundadora da Malalai, empresa de tecnologia para a segurança pessoal de mulheres, falou sobre empreendedorismo e quais foram os passos dados para atingir o sucesso, mesmo num mundo que carece de equidade de gênero.

São vários os exemplos que podem e devem ser apresentados na sala de aula. Um dos casos que indicamos é este da África Subsaariana, que vem combatendo a desigualdade de oportunidade das mulheres por meio da Educação Empreendedora.

4. Utilize a cultura para destacar a importância da representatividade

Valer-se de produtos culturais como quadrinhos, livros, filmes e documentários, que falem a linguagem apropriada para cada idade, é a maneira mais fácil de tratar a equidade de gênero na escola.

Os filmes de super-heróis, por exemplo, são os maiores responsáveis pelo entretenimento atual, e, em se tratando de crianças mais novas, são uma maneira divertida e didática de demonstrar a busca pela igualdade e como é importante se sentir representada. Isso é importante não apenas para o público feminino, em geral, mas também para crianças negras, asiáticas e de outras etnias, independentemente do gênero, e para as demais minorias, que em geral não possuem representatividade na grande mídia.

Obras não ficcionais, livros, animações e quadrinhos também são ótimas formas de apresentar a diversidade e a sua importância. O quadrinho Mafalda e o desenho Show da Luna, por exemplo, podem ser destacados como obra que aborda a equidade de gênero de forma leve e, ainda sim, questionadora.

5. Equidade de gênero na escola por meio de atividades coletivas

Um dos principais desafios no ambiente de trabalho é a falta de empatia e respeito com o próximo, principalmente com as mulheres. Cerca de 33% das mulheres já sofreram assédio no serviço, de acordo com dados divulgados pelo Coletivo Olga.

Desenvolver atividades em grupo desde a infância, propondo a equidade de gênero na escola, como um importante fator no desenvolvimento, pode interferir diretamente no futuro das empresas, que terão ambientes mais saudáveis.

6. Converse com os pais constantemente sobre a importância da  equidade de gênero na escola

É importante que os pais estejam alinhados à escola na busca pela equidade de gênero, já que essa consciência é construída em conjunto ao longo da vida. O ambiente escolar é a grande parte do ensino de um jovem, mas ele carrega para si exemplos vistos dentro de casa. Por isso, a importância de os docentes e os pais trabalharem em conjunto e sintonia.

Cabe ressaltar que muitos adultos também precisam de atualização no que concerne à equidade de gênero, já que eles cresceram em outra época e, de certa forma, são alguns dos responsáveis pela falta de evolução nesse quesito. Assim, é recomendável que a escola desenvolva um calendário de atividades dirigidas aos pais, para que eles aprendam e se atualizem mais sobre o assunto e desenvolvam práticas de equidade de gênero com os filhos fora da sala de aula.    

Agora que você sabe um pouco mais de estratégias para serem utilizadas em sala de aula em busca da equidade de gênero, aproveite para se informar mais sobre a importância da diversidade para  a qualidade da educação.

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