9 curiosidades sobre a educação na Polônia

Blog 9 curiosidades sobre a educação na Polônia

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Nos últimos 20 anos, um país que até então era inexpressivo na educação começou a avançar continuamente nos rankings. Agora tal país divide espaço com grandes potências da área, como Cingapura, Finlândia, Canadá e Coreia do Sul. Vamos conferir algumas curiosidades sobre a educação na Polônia, país que deu esse salto imenso e hoje é um exemplo para o Brasil.

A Polônia se destacou entre os 10 melhores colocados do mundo nos exames de Leitura, Matemática e Ciências na edição mais recente do Pisa. O exame internacional que ocorreu em 2018, avaliou cerca de 600 mil estudantes de 15 anos em 79 países, inclusive estudantes do Brasil.

O sucesso da educação na Polônia chama a atenção. Afinal, o que levou um país que tem um passado de destruição e pobreza a esse patamar? Passe as imagens para o lado e descubra nove fatos curiosos.

1. Destaque expressivo no Pisa
1. Destaque expressivo no Pisa

Em 2018, os estudantes poloneses fizeram quase 100 pontos a mais que os  estudantes brasileiros, em uma pontuação de 512 contra 413. A pontuação supera a própria média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a aplicadora da prova. Essa organização mede a habilidade de alunos pelo mundo para tentar entender como os jovens compreendem textos, aplicam conceitos de Matemática e Ciência no seu dia a dia de estudos.

2. A Polônia, apesar do histórico difícil, conseguiu conduzir reformas e investir na educação 
2. A Polônia, apesar do histórico difícil, conseguiu conduzir reformas e investir na educação 

Cidades polonesas, como a capital Varsóvia e também Wróclaw e Gdansk, ficaram em ruínas ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Naquele período, a Polônia saiu da ocupação nazista para o comunismo do Leste Europeu. O conflito  deixou cerca de 6 milhões de mortos. Portanto, do ponto de vista econômico, a situação também não era nada encorajadora.

Segundo relatos históricos, as mães mal conseguiam alimentar os filhos, já que não era possível encontrar leite, e as prateleiras dos supermercados permaneciam muitas vezes vazias. Naquele período, a educação era muito precária; estima-se que somente metade dos adultos de áreas rurais havia concluído o ensino fundamental.

Em 2004, a Polônia entrou para a União Europeia, mas, mesmo assim ainda em 2010 muitas crianças polonesas viviam na pobreza. As intensas reformas que sucederam, porém, impactaram a educação de forma positiva. Além disso, houve também altas taxas de crescimento econômico graças ao livre mercado e que se mantêm até hoje.

3. Reforma em 1999 transformou a educação na Polônia
3. Reforma em 1999 transformou a educação na Polônia

No livro As Crianças Mais Inteligentes do Mundo, a autora Amanda Ripley faz um apanhado das experiências internacionais satisfatórias na educação. Para ela, com a reforma de 1999 no país, a educação polonesa passou para outro patamar.

Sendo assim, naquele período foi implementado algo que a autora chama de “terapia de choque”. Em um ano, a Polônia adotou um currículo escolar muito rigoroso. Ou seja, menos tópicos eram abordados, e foi dada às escolas mais autonomia para que escolhessem seus livros didáticos. Além disso, esse novo programa dava o direcionamento fundamental, contudo a execução e os detalhes ficariam a cargo das instituições.

4. A reforma também impactou a dinâmica dos professores
4. A reforma também impactou a dinâmica dos professores

om o novo programa, o governo passou a exigir que um quarto dos professores voltasse para as faculdades para aprimorar seus conhecimentos e sua formação. Por isso, houve maior investimento docentes, como também na capacitação e na remuneração deles.

Outro ponto interessante é que o governo tentava mensurar o desempenho de professores e alunos ao final de cada ciclo. Assim, aquelas escolas que apresentavam baixo desempenho recebiam mais atenção do programa.

5. Alunos influenciados pelo programa
5. Alunos influenciados pelo programa

Em entrevista à BBC em 2015, o conselheiro de Educação da Embaixada da Polônia no Reino Unido, Janusz Wolosz, disse que, no que diz respeito às avaliações aplicadas em sala, o foco era que os alunos pensassem de forma estratégica. Ou seja, os educadores não queriam que os alunos acertassem apenas as alternativas corretas em uma prova, mas que pudessem entender realmente os problemas que estavam ali.

6. Mais tempo de estudos na escola tradicional
6. Mais tempo de estudos na escola tradicional

O novo sistema exigia maior responsabilização por resultados e dava mais autonomia de métodos. Países que melhoram seus resultados na educação normalmente seguiram nesse caminho.

Houve também na Polônia uma mudança que transformou a realidade dos alunos. Antes da reforma, os jovens que atingiam 15 anos de idade, o que equivaleria ao primeiro ano do ensino médio no Brasil, eram conduzidos para cursos profissionalizantes/técnicos ou para faculdades com base em seu desempenho.

Após a reforma, os alunos passaram a ter um ano a mais de estudos na escola tradicional. Neste caso, a Polônia teve de construir do zero cerca de 4 mil escolas em todo o país para acomodar os alunos. Sendo assim, os jovens só sairiam da escola aos 16 anos.

7. A educação na Polônia começou mais cedo 
7. A educação na Polônia começou mais cedo 

No passado, ao contrário do Brasil, a Polônia introduziu as crianças na escola mais cedo do que nós o fizemos. Antes da reforma já era assim; na esfera soviética, o acesso à educação começou bem antes, mesmo com a educação apresentando uma série de problemas. Isso explicaria de alguma forma por que o país, mesmo depois de todos os problemas, demonstrou um diferencial em relação ao Brasil no que tange à educação.

8. Os resultados da reforma foram visíveis na educação
8. Os resultados da reforma foram visíveis na educação

Um dos aspectos mais consideráveis da reforma polonesa foi manter os alunos um ano a mais no ensino tradicional. Isso se confirmou em dados, pois aqueles jovens que teriam sido transferidos para cursos técnicos fizeram 100 pontos a mais no Pisa (na edição da prova em 2000) em relação aos colegas transferidos no ano anterior.

Por mais que o Pisa não fosse a avaliação perfeita, especificamente para o país naquele momento, a medição pôde mostrar um comparativo do ‘antes’ e do ‘depois’ da educação na Polônia. Segundo Ripley em seu livro, de 2000 a 2006 a nota média de leitura dos poloneses subiu 29 pontos na prova, isto é, isso representava algo como três quartos de um ano letivo de aprendizado extra para os estudantes.

9. A educação foi ponto-chave para o crescimento do país
9. A educação foi ponto-chave para o crescimento do país

Diversos estudos apontam que a educação na Polônia foi tratada como prioridade de forma estratégica. O intuito era fazer o país crescer para competir em grau de igualdade com o restante da força de trabalho presente na União Europeia. Afinal, sem melhorias na educação, os poloneses acreditavam que seriam fadados a empregos não qualificados e haveria baixa remuneração em relação a outros países europeus.

Por mais que os avanços na educação tenham sido muito significativos, isso não quer dizer que o país não enfrente problemas atualmente. Os professores poloneses reclamam da remuneração, que está abaixo da média e um pouco inferior em relação a profissionais de educação superior.

Ainda assim, é considerável o avanço revolucionário da Polônia. O que fica de exemplo para a educação brasileira é que, mesmo diante das adversidades, podemos fazer melhor ao tratar a educação como prioridade. Como educador, o que podemos tirar de lição da educação na Polônia e aplicar no Brasil?

Continue se inspirando nas potências da educação para transformar a realidade brasileira. Descubra também 12 curiosidades sobre a educação no Japão.

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