A inovação como estratégia de retomada das aulas

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Ao pensar em sala de aula, logo vem frames (imagens) à cabeça: giz e lousa, lápis e caderno, carteira com estudante sentado na maior parte do tempo, caderneta de anotações para os pais ou responsáveis lerem os recados, provas impressas e até fotocopiadas, boletins – grande parte deles manchados de vermelho –, professores ministrando seus conteúdos sem quase haver interação, dentre outras imagens.
Não é permitido mais à sala de aula, no contexto atual, ser restrita a isso somente. Ainda mais agora, diante de uma pandemia causada pela Covid-19, que, no começo de 2020 parou o mundo porque medidas sanitárias foram exigidas, e uma delas foi o isolamento social.
Por causa desse trágico episódio, que, aliás, ainda permanece, o mundo teve de se reestruturar rapidamente, e, nesse contexto, a educação não ficou fora disso.
O mundo “parou” em termos, porque as pessoas em casa prosseguiram com seus afazeres, ou seja, fazendo suas obrigações, porém de maneira diferente. Em outras palavras, os pais transferindo o trabalho para o home office, e os filhos tendo de dar continuidade aos estudos também em home office. Diante disso, alguns educandos levam mais vantagens do que outros.
Nessa vertente, em relação à educação, graças à tecnologia isso pôde ser feito, mesmo que tenha deixado algumas marcas negativas. Entretanto, se não existissem as ferramentas digitais, as consequências teriam sido muito piores.
Agora, com a amenização dessa doença em questão, os alunos estão retornando à sala de aula. Mas não como antes, pois a educação terá de usar a inovação como estratégia de retomada dessas aulas.

Impactos da pandemia na educação

Segundo Maria Helena Guimarães, presidente do Conselho Nacional de Educação, não há como pensar em inovação sem antes compreender os impactos da pandemia na educação. E, infelizmente, no Brasil, a permanência de escolas fechadas foi maior do que em outros países. Ela permaneceu desse modo por 270 dias, e a média nos outros lugares foi de 158 dias.
Nesse ínterim, muitas escolas ficaram desativadas por não terem aparatos tecnológicos, e outras conseguiram seguir com o ensino mediante atividades remotas, em que houve toda uma reestruturação, no entanto, apresentando dificuldades perante esse desafio.
Pode ser citado como dificuldade o fato de muitos alunos não terem em sua residência um ambiente em que ele esteja sozinho para estudar. Muitos precisam compartilhar os aparelhos digitais com o irmão ou irmã, com os pais e até mesmo a mesa de estudos.
Algumas escolas municipais, por exemplo, só conseguiram oferecer atividades remotas neste ano de 2021. Portanto, o desequilíbrio da educação nas escolas estaduais, municipais e particulares foi impactante.
Fora isso, a disparidade dos alunos em relação à aprendizagem remota é outro fator negativo. Posto isso, esse contexto abrange a relação econômica de cada estudante, porque muitos deles são aplicados nas aulas presenciais. Entretanto, não o são na atividade remota por não terem acesso à tecnologia.
Portanto, as desigualdades na educação já existiam e, diante desse episódio pandêmico, continuarão aumentando não somente no Brasil, mas no mundo inteiro.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as horas de estudos diárias dos alunos também foram discrepantes entre as classes A, B, C, D e E. As A e B tiveram mais horas estudadas em relação às demais.
Nesse cenário, conforme a pesquisa C6 Bank/Datafolha, os problemas financeiros são os que mais impactam a educação das classes menos favorecidas. Consequentemente, o abandono escolar vem aumentando significativamente, principalmente no Ensino Superior, ou seja, 4 milhões de estudantes abandonaram a escola durante a pandemia.

Um renascimento na educação com o auxílio da Educação Empreendedora

Maria Helena Guimarães postula que, nesse renascimento, surgem novos desafios e novas oportunidades como qualidade, equidade e inovação. Mas esse “renascer” deve ser atrelado ao contexto em que cada escola vive. Não se pode generalizar, portanto, essa inovação a todas as escolas igualmente. A Educação Empreendedora, porém, pode ser a solução neste contexto divergente.
Em vista disso, no ambiente de inovação e aprendizagem, há três áreas-chave:
  • Protagonismo do professor e dos estudantes: promoção de relacionamentos mais interativos e horizontais, explorando a Educação Empreendedora, na interação e na experimentação.
  • Revisão das práticas dos professores: identificar sua capacidade criativa e pessoal e fomentar as pedagogias inovadoras e
  • Garantia das estruturas de apoio: para que os professores integrem novas práticas em seu repertório.
As pedagogias inovadoras, de acordo com Guimarães, integrando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), são denominadas de 4C. Vejamos:
Combinações de pedagogia: não existe um método único. Abordagens inovadoras de aprendizagem favorecem combinações pedagógicas para serem compreendidas, integralmente, e não divididas em práticas isoladas.
  • Conteúdo: alunos e professores não aprendem e ensinam no vácuo; eles aprendem e ensinam alguma coisa. Quais as pedagogias inovadoras para matemática, língua portuguesa, segunda língua e aprendizado socioemocional?
  • Contexto: o contexto importa e afeta a adequação das pedagogias. Fatores contextuais como mídias digitais, origens socioculturais, etc., têm impacto.
  • Conhecimento pedagógico de conteúdo: (PCK, na sigla em inglês) representa o conhecimento que os professores utilizam no processo do ensino, distinguindo o professor de uma dada disciplina de um especialista dessa disciplina. Tem sido considerado um modelo frutífero para a investigação sobre os processos de aprendizagem.
Portanto, os 4Cs devem ser vistos de maneira integrada, e não isolada. Guimarães ressalta que, para haver esse renascimento inovador na educação, tem de ser estabelecidos:
  • Novo FUNDEB: relacionado ao uso efetivo dos recursos
  • formação de professores e melhorias na carreira
  • prioridade da Educação Infantil e da alfabetização
  • foco na gestão curricular
  • implementação do novo Ensino Médio
  • ampliação do tempo na escola
  • conectividade e acesso às tecnologias
  • eficiência na implementação
  • uso pedagógico dos resultados das avaliações
Dessa forma, a inovação em questão deve ser feita de maneira consciente, avaliando causas, consequências e principalmente o contexto em que a escola se insere.

Educação Empreendedora é alvo da inovação

A pedagoga Fátima Guerra, da Universidade Estadual de Brasília (UnB), argumenta que
“a criança precisa ser construtora do espaço em que vive; ela deve ser coautora de seu desenvolvimento e de sua aprendizagem. O professor deve ser um mediador e dar oportunidades de autonomia na decisão do planejamento da rotina e na organização dos espaços”.
Essa citação deixa nítido que a Educação Empreendedora permite ao estudante liderar o seu aprendizado. Isso é inovação pedagógica, e esse modelo vem substituindo o modelo tradicional como exposto na introdução deste artigo.
Por conseguinte, a educação empreendedora muda aos poucos a ideia de que o professor é o elemento central, que domina todo o conhecimento e traz a aprendizagem centrada no educando. Este por sua vez, vai formando o próprio senso crítico, aperfeiçoando suas habilidades de forma empática para se tornar protagonista de si mesmo.
Em suma, as metodologias ativas a cada ano se fortalecem, dando maior autonomia aos estudantes a respeito da aprendizagem particular, desde a transmissão dos conteúdos até as dinâmicas aplicadas em sala de aula.
Alguns exemplos de metodologias ativas para inspirar o professor em sala de aula:
Para saber mais sobre como inovar na retomada das aulas, as metodologias ativas são elementos-chave a fim de que isso se concretize.
Dessa forma, acesse o CER Sebrae, já que ele é referência em inovação na educação com o apoio sobretudo da Educação Empreendedora.
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