Aprendizagem ativa no ensino superior: descubra o Método 300

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O que uma batalha entre gregos e persas no ano 480 antes de Cristo tem a ver com a melhoria do desempenho escolar em universidades brasileiras? Desde 2013, isso tem muito a ver. Foi nesse ano que se criou o Método 300. Ele é baseado na aprendizagem ativa e significativa que usa a colaboração entre os colegas para melhorar o desempenho geral das turmas.

Entenda, no post a seguir, o conceito e como aplicá-lo na realidade de sua escola ou universidade.

Como surgiu o Método 300?

Desenvolvido pelo professor da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Fragelli, o Método 300 foi inspirado no filme Águias que Cantam. A obra retrata a Batalha de Termópilas, conhecida como a Batalha dos 300. Em uma cena do filme, o rei Leônidas explica a um homem que não se pode ser um espartano sem o senso de coletividade, uma vez que esses soldados agem como uma unidade, defendendo uns aos outros nas batalhas. Foi aí que Fragelli teve o insight para desenhar o método.

Embora, segundo ele, não seja considerado Aprendizado por Pares, que segue uma metodologia específica, o Método 300 trabalha alguns princípios bastante comuns no peer learning e em métodos como o mentoring: a prática de aprender ensinando, a ideia de deixar que os alunos sejam mentores de seus colegas e o incentivo à empatia.  “A metodologia transforma uma situação em que encontramos falta de interesse, isolamento e reprovação em um panorama de colaboração e aprendizagem significativa”, completa Ricardo Fragelli.

O Método 300 na prática

A aplicação do Método 300 é bastante simples. Todo o passo a passo pode ser encontrado no site da própria metodologia. Nela, Fragelli convida os professores de todo o Brasil a replicar a ideia em seus contextos para que obtenham melhor engajamento e desempenho dos estudantes. Tudo começa com a avaliação individual dos estudantes. Após a correção do teste e da divulgação das notas, o professor faz o ordenamento desses estudantes por nota, da maior para a menor. O próximo passo é organizar os alunos em grupos, com uma distribuição dos jovens de forma heterogênea, ou seja, misturando jovens com as melhores notas àqueles com os piores rendimentos.

Além disso, um líder é escolhido para o grupo – aquele que teve a maior nota. Os alunos com pior desempenho, por sua vez, têm também a oportunidade de fazer uma nova avaliação, elaborada pelo líder, desde que cumpram metas definidas pelo professor. Para isso, eles contam com a ajuda dos demais integrantes do grupo, que recebem bônus em suas notas em recompensa ao auxílio oferecido aos colegas.

No dia da segunda prova, somente os alunos com o desempenho mais baixo permanecem na sala. Os outros estudantes, que tiverem rendimento satisfatório, deverão responder a um questionário, em um ambiente separado, isto é, uma espécie de autoavaliação em relação ao processo de apoio aos colegas. Posteriormente, um questionário semelhante será respondido por aqueles que estão refazendo a prova, dessa vez dizendo o quanto foram ajudados por cada um dos “mentores”. Essas autoavaliações serão levadas em consideração para o cálculo dos pontos-bônus a eles. “Pesquisas mostram que uma das melhores formas de aprendizagem é ensinar alguém”, argumenta Fragelli em relação à pontuação dos alunos que já tinham obtido os melhores resultados.

Benefícios da colaboração para o aprendizado

O professor Ricardo afirma que, após a aplicação do Método 300, o índice de aprovação entre as turmas subiu de 50% para 85%, resultado do esforço coletivo entre colegas.

“O mais interessante é, definitivamente, a melhora entre os alunos ajudados. Temos em nossas pesquisas uma melhora de pelo menos 100%”, diz. No artigo em que explica o método, Ricardo também aponta para a obtenção de mais cumplicidade entre estudantes e professores e entre os estudantes que compunham os grupos. Muitos deles estenderam a parceria, até mesmo para os cursos de extensão e de pós-graduação.

Tendo a empatia e a colaboração como as premissas principais das atividades, o Método 300 contribui ainda para reduzir a competitividade no ambiente universitário. Outro benefício percebido e relatado pelos participantes é o resgate da autoestima e do prazer em estudar e compartilhar o conhecimento. Tanto ajudantes quando ajudados disseram preferir essa abordagem à aprendizagem individual, por permitir que construam um percurso mais completo e significativo.

“Apesar de ter sido desenvolvido em um cenário de Engenharia, o método atualmente é utilizado por diversos professores e em diferentes contextos como em cursos de Matemática, Física, Química, Fisioterapia, Direito e Medicina, havendo também aplicações na Educação Básica”, explica Ricardo no artigo.

Veja na entrevista a seguir o depoimento do professor sobre a aplicação e os principais resultados do Método 300.

(Embed vídeo ConheCER)

E aí, você se interessou pelas possibilidades do Método 300? Conheça também outras metodologias de aprendizagem ativa e como aplicá-las em sala de aula.

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