Aprendizagem por Pares nas aulas on-line: benefícios e formas de colocar em prática

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Uma das metodologias ativas que vêm transformando o ensino nos últimos anos é a “Aprendizagem por Pares” (“Peer Learning”, em inglês). Isso porque ela coloca o estudante no centro do aprendizado, empoderando-o na medida em que ele se torna responsável pela construção do seu conhecimento, bem como coparticipante da jornada de educação de seus colegas.
No entanto, em tempos de distanciamento social e aulas presenciais suspensas, essa metodologia ganha um novo desafio: as aulas on-line e mediadas pela tecnologia. É possível continuar aplicando a metodologia de Aprendizagem por Pares mesmo com aulas remotas? Quais os benefícios disso em um período como o que estamos vivendo, de pandemia? Confira neste post!

O problema da distância

Estamos enfrentando há alguns meses o distanciamento social no Brasil. As aulas presenciais foram suspensas em meados de março e até o momento não há previsão de retomada. O que no início parecia novidade, com as aulas por plataformas de Educação a Distância (EAD), videoconferências e redes sociais, aos poucos, foi dando lugar ao cansaço e à falta do convívio social.
Após tanto tempo, os estudantes sentem falta de seus professores, da dinâmica das aulas presenciais, do deslocamento até a escola, do horário do recreio e, principalmente, dos colegas. A pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, realizada pelo Conselho Nacional da Juventude, mostrou que 3 em cada 10 jovens pretendem abandonar os estudos após a pandemia do novo coronavírus. Um dos motivos apontados para isso – entre tantos outros, como a queda na renda familiar – é a perda de vínculos com o ambiente escolar. Uma das formas de aumentar o engajamento dos estudantes é lançando mão da Aprendizagem por Pares. Mas muitos professores ainda têm dúvidas sobre como aplicá-la no ambiente on-line. Veja a seguir um pouco mais sobre o conceito e como ele pode ser transposto para as aulas remotas.

Um breve resumo da Aprendizagem por Pares

A Aprendizagem por Pares, também chamado de Peer Learning, foi desenvolvida pelo professor Eric Mazur, da Universidade Harvard. Durante uma aula da disciplina de Introdução à Física, ele percebeu que os estudantes tinham tantas dúvidas que nem sequer conseguiam elaborar perguntas para esclarecê-las com o professor. No entanto, outros alunos eram capazes de desvendar as questões propostas por ele; Mazur, então, decidiu recorrer a esses para ajudar os colegas que ainda estavam com dúvidas.
Com o debate entre pares – e certo caos inicial, ele assume –, aos poucos a turma foi entendendo a matéria. Assim, ele criou a metodologia de Aprendizagem por Pares, ou seja, baseada na colaboração de estudantes de mesmo nível de conhecimento. Tal aprendizagem também parte da premissa de que existe um ponto cego o qual interfere na atuação dos professores, que assim não conseguem enxergar e acabam ensinando o conteúdo da mesma forma ao longo dos anos – por força da prática – e assumindo que todos os estudantes aprendem da mesma maneira.

Tecnologia como aliada da Aprendizagem por Pares

A metodologia de Aprendizagem por Pares, como o nome sugere, descreve o trabalho em duplas ou em pequenos grupos de estudantes. Mas não especifica a necessidade de que essa dinâmica ocorra de forma presencial. Assim, além de ser uma excelente maneira de deixar a dinâmica das aulas on-line mais interessantes e contribuir para o aprendizado efetivo, por meio de uma metodologia ativa, a Aprendizagem por Pares pode ser um aliado no combate à solidão dos alunos e à falta de interação entre os colegas.
A metodologia também traz outro benefício para as aulas on-line: descentralizar a atenção do professor, contribuindo com o ensino mais personalizado. Enquanto alguns alunos trabalham juntos, o professor pode dedicar atenção especial a outros, focando em seus desafios pessoais em relação ao conteúdo.
E, para isso, não é preciso muito. Basta trabalhar com as ferramentas que você já tem usado para as suas aulas. As redes sociais, por exemplo, são uma ótima opção. Paralelamente à aula por videoconferência, você pode sugerir que os alunos discutam entre si por chamada de vídeo ou que realizem “minilives”, contando o que aprenderam e debatendo o tema entre eles. Os fóruns também são ótimos recursos para tal finalidade. Além do Facebook, você pode usar o Telegram.
No final, a tecnologia muitas vezes é uma grande aliada da aproximação entre os estudantes e não um fator de mais distanciamento. E, se os alunos não têm acesso a plataformas como essas ou a redes sociais e a bons pacotes de dados (para as transmissões por vídeo), nada como sugerir a volta ao bom e velho telefone. Lançando mão dele, é possível aos jovens se comunicarem, debaterem o conteúdo das aulas e voltarem à aula no dia seguinte com um resumo das conclusões a que chegaram juntos.
Gostou de aprender mais dos benefícios da Aprendizagem por Pares no ensino remoto? A metodologia é tão eficaz porque existe a viabilidade de que se assimile conteúdo enquanto se ensina, em uma espécie de mentoria. Por isso, convidamos você a ler mais sobre o assunto e a aprofundar seus conhecimentos neste post.
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