Entrevista com Priscila Veloso: como ajudar os jovens em seus sonhos empreendedores?

Blog Entrevista com Priscila Veloso: como ajudar os jovens em seus sonhos empreendedores?

06/06/2022
Realizar sonhos é um desejo que permeia a vida de qualquer pessoa, em diferentes contextos. Quando falamos de jovens, prestes a entrar na vida adulta e com inúmeras aspirações, isso ganha ainda mais força.
Como ajudá-los, então, na realização de seus sonhos empreendedores? Fizemos algumas perguntas sobre o tema à Priscila Veloso, gestora estadual do Programa de Educação Empreendedora do Sebrae de Mato Grosso do Sul (MS) e especialista em Gestão Empresarial e Educação a Distância: Gestão e Docência. Confira a entrevista!

1. Como você acredita que a Educação Empreendedora pode ser uma aliada na realização dos sonhos de jovens que desejam empreender?

A Educação Empreendedora prioriza a aprendizagem por competências. E, quando falo em “competência”, me refiro à junção de conhecimentos, habilidades e atitudes de cada estudante. À medida que o desenvolvimento de competências é trabalhado em sala de aula pelos professores, os alunos passam a desenvolver características e comportamentos que consideramos empreendedores – como proatividade, comprometimento, autoconfiança, dentre outros.
É importante também deixarmos claro para os jovens que empreender não é somente abrir uma empresa, mas desenvolver habilidades que os tornarão um ser empreendedor, independentemente da área que desejam atuar.

2. Quando falamos em Educação Empreendedora, enxergar oportunidades que nem todo mundo vê é um diferencial para essa realização. Por que isso ocorre?

A visão é uma das 15 competências empreendedoras que podem ser trabalhadas e desenvolvidas durante toda a Educação Básica. Ela nada mais é do que vislumbrar o futuro, desenvolver uma maneira de transformar ideias em atos e, afora isso, visualizar cenários para ajudar a orientar esforços e ações, pois não adianta somente ter visão sem colocar o projeto em prática. A pessoa que tem essa orientação para a competência da visão consegue ver além do que os demais, como se estivesse sempre um passo à frente.

3. Não conseguimos falar de um perfil empreendedor sem nos referir à criatividade. É possível desenvolver essa criatividade ou nascemos com ela? Se afirmativo, como?

Com certeza, a criatividade foi a mola propulsora do desenvolvimento da nossa sociedade, porém a visão de que já nascemos com esse “dom” foi mudando ao longo dos anos. Hoje, sabemos que a criatividade pode ser estimulada. Tudo que é novo e diferente pode nos proporcionar momentos criativos, como assistir a um bom filme, ler sobre assuntos diversos, conhecer novos lugares e conviver com grupos distintos de pessoas são algumas ações que nos levam a exercer nossa mente criativa.
Lembrando que não existe certo ou errado, tampouco deve haver a espera pelo perfeito. A todo momento, podemos ter novas ideias criativas e testá-las. Somente assim saberemos o resultado.

4. Temos ciência de que resiliência, flexibilidade e criatividade para solucionar problemas é fundamental para um empreendedor. Como trabalhar e desenvolver isso no decorrer da vida?

A resiliência e a flexibilidade caminham de mãos dadas, já que uma é um suporte para a outra. O empreendedor precisa estar certo de que, em sua jornada, acontecerão imprevistos, mas, se ele estiver preparado e focado na sua paixão e em criar valor para os outros, ele conseguirá ter flexibilidade para lidar com as situações adversas e criatividade para transformar ideias em novas soluções.

5. Como a escola pode apoiar a realização dos sonhos de jovens que querem empreender?

A escola pode adaptar seu projeto pedagógico ao incluir o ensino da Educação Empreendedora ao seu currículo de forma transdisciplinar, tendo em vista que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já prevê o trabalho das competências gerais. Dessa forma, o estudante é convidado a propor e a testar soluções em situações da própria realidade, assumindo um papel participativo e empreendedor.
Quando têm acesso ao ensino de práticas empreendedoras, desde o início da Educação Básica, mais oportunidades os jovens terão em relação a pensar em seu projeto de vida e em maneiras de se tornarem um empreendedor – seja público, seja corporativo, seja de negócios.

6. E os pais e os responsáveis, que papel têm nesse apoio?

Os pais e os responsáveis têm sempre o papel de apoio nessa jornada de aprendizagem. É fundamental praticar a escuta ativa a fim de entender em que lugar essa criança ou esse jovem almeja chegar para, a partir daí, apoiá-los no processo – auxiliando nas dúvidas, aconselhando ou mesmo construindo em conjunto esse projeto de vida e nunca desmotivando os sonhos dos filhos.

7. Como você imagina que os jovens, por conta própria, podem “facilitar” a realização dos seus sonhos empreendedores?

O jovem vive um momento de turbilhão de sentimentos, dúvidas ou até mesmo estagnação. O meu conselho para esse momento é parar, pensar e até reprogramar a estratégia. Por exemplo, para um jovem que almeja empreender na carreira de empreendedorismo digital, qual é o primeiro passo? Claro que não existe uma receita de bolo, mas a minha dica é que ele faça um estudo da área, conecte-se com pessoas que estejam empreendendo dessa forma e verifique quais são as habilidades necessárias para ser bom nisso.
O principal é ser bom na área em que escolheu atuar, e, ao identificar esses pontos, cada um consegue ver quais habilidades e competências já possui e quais precisa desenvolver.

8. Quais materiais você recomenda para esses jovens evoluírem como empreendedores?

E aí, gostou da entrevista e quer ficar por dentro das tendências educacionais? Acompanhe o Portal CER e tenha sempre as melhores informações!

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