Competências do professor para a BNCC: o que os novos currículos demandam dos profissionais da educação?

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O Aprendizado Baseado em Competências é apontado por especialistas como uma das grandes revoluções da educação contemporânea. De uma lógica conteudista, os currículos passam a focar mais nas habilidades que devem ser desenvolvidas, ou seja, em como cada estudante vai usar aquele conhecimento de forma prática.

Esse já é um movimento da educação contemporânea em todo o mundo, e, no Brasil, o direcionamento ganha ainda mais força com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O documento detalha as dez competências gerais que devem ser desenvolvidas nos estudantes ao longo da educação básica, com vistas a oferecer uma educação, de fato, integral.

Mas quais são as competências do professor para o processo de ensino-aprendizagem dos novos currículos? Neste post, trazemos o olhar da formação de professores para a BNCC.

O que são competências, de acordo com a BNCC

O principal objetivo da BNCC é trazer unidade à educação brasileira, reduzindo a fragmentação causada pelas diferentes políticas públicas e garantindo, para além do acesso às escolas, o acesso a uma educação que seja “um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes”, segundo afirma o próprio documento.

Em função disso, os currículos criados pelas escolas devem ser norteados pelas competências definidas na Base. Nela, as competências são definidas como a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades práticas, cognitivas e socioemocionais, atitudes e valores com vistas a resolver demandas complexas da vida cotidiana, do exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

Conheça as 10 competências gerais da BNCC

Além de guiar a aprendizagem dos estudantes, as competências pretendem orientar políticas públicas de formação de professores, estabelecendo as competências do professor para este novo momento da educação no Brasil.

Desafios da BNCC para os educadores

À frente das iniciativas de formação de professores do Conselho Nacional de Educação (Consed), a secretária de Educação do Estado de Roraima, Leila Perussolo, ressalta que, antes de mais nada, é preciso reconhecer o avanço para a educação brasileira que a BNCC representa. “Ela é uma conquista e foi construída e reconstruída a muitas mãos. Tivemos avanços significativos com as competências gerais e seus propósitos desdobrados nas competências específicas dentro dos componentes curriculares”, diz.

No entanto, como toda mudança, o documento traz desafios aos estudantes, às instituições de ensino e aos professores, principalmente neste momento de transição inicial que estamos vivendo. “Sair do papel e executar a BNCC não é um processo imediato; é uma caminhada, e, dentro dessas trajetórias, um dos pontos principais é investir na formação dos professores, dos gestores e de toda a equipe escolar”, complementa.

No que concerne  aos educadores, especificamente, os desafios dos novos currículos giram em torno, principalmente, da mudança de paradigma na educação, que deixa de ter foco conteudista e passa a funcionar por competências e de forma mais personalizada, com ênfase na singularidade de cada estudante. Isso exige que o professor elabore e reorganize seu processo educativo, mudando seu olhar, sua postura e suas metodologias a fim de adequar-se aos novos objetivos de aprendizagem. “Nós, professores, não fomos formados para este modelo de currículo. A formação continuada e inicial dos professores precisa ser uma pauta prioritária”, lembra Leila.

Competências do professor para a nova educação

Quais são, então, as competências que os educadores devem desenvolver para este novo momento da educação? Listamos as principais a seguir.

Engajamento na construção dos currículos: protagonismo tanto para estudantes quanto para professores. A mudança na postura profissional é uma das competências do professor que devem ser desenvolvidas neste novo momento. E isso começa ainda agora, no período de construção dos currículos escolares e no desenho dos Itinerários Formativos. Com a contextualização e a personalização maior da educação, é importante que o professor também tenha participação ativa na construção dos novos currículos e não apenas os receba como uma novidade e aprenda a colocá-los em prática. Assim, uma postura mais empreendedora, que constrói junto da Gestão Escolar os componentes curriculares, é imprescindível para que eles sejam de fato relevantes aos jovens. Afinal, o professor tem o papel fundamental de levar à gestão o olhar mais próximo e um conhecimento aprofundado das necessidades e dos interesses dos estudantes que só ele consegue ter.

Flexibilidade e desapego: o primeiro passo para começar uma jornada em um novo caminho é desapegar-se das práticas profissionais antigas e abrir-se ao novo. Um dos objetivos da BNCC é que o estudante se torne sujeito autônomo no próprio processo de aprendizagem. Isso também demanda novas competências do professor, em especial a habilidade de trabalhar de forma mais horizontal e de descentralizar a construção do conhecimento, compartilhando com os jovens o papel de educador. Não é tarefa fácil, uma vez que os cursos de formação inicial e continuada de educadores até então, em sua maioria, ainda trabalham com o modelo tradicional de aula, que perdem importância com a BNCC. Além disso, é importante que o educador esteja pronto com a intenção de  rever o planejamento e o replanejamento constante de suas aulas, já que os novos currículos permitem aulas mais orgânicas e fluidas, adaptáveis ao momento e ao ritmo dos estudantes.

Planejamento integral e interdisciplinar: embora haja um esforço em grande parte das escolas para implementar processos interdisciplinares, tornar isso uma prática mais contínua será essencial visando colocar os novos currículos em prática. Para isso, Leila reforça que, antes de tudo, é preciso que o professor tenha absoluto domínio do conteúdo, algo que parece óbvio, mas que, se não for feito com maestria, impede ou limita a transposição de conteúdos para diferentes plataformas e sua interação com outras áreas de conhecimento.

Olhar para as individualidades: abraçar a diversidade e a multiplicidade de interesses e percursos é outro desafio da BNCC que exige novas competências do professor. O profissional deve ser capaz de reconhecer as diferenças no processo de adquirir conhecimento e saber aplicar distintas metodologias que respeitem as individualidades dos jovens.

Navegar com segurança no Ensino Híbrido: entre as competências do professor necessárias para o novo momento da educação, saber navegar com segurança no Ensino Híbrido é uma delas. A educação vinha caminhando para esse modelo, mas tal necessidade foi acelerada com a pandemia da Covid-19, em 2020, e a migração imediata para as aulas remotas. Trabalhar bem em ambientes diversos – on-line, off-line, laboratórios maker, games – será essencial para a implementação plena dos novos currículos e a boa integração entre os componentes da Formação Básica e os Itinerários Formativos.

Domínio das metodologias ativas: assim como o Ensino Híbrido, as metodologias vinham ganhando mais espaço na educação contemporânea, impulsionadas pelas transformações provocadas pela tecnologia, e agora são  protagonistas na BNCC. Por isso, dominá-las é um pré-requisito em relação ao professor, que deverá entender como elas estimulam uma nova forma de aprendizagem, mais focada na experiência do estudante do que na transmissão de conteúdo.

Como Leila Perussolo afirmou, os desafios aos professores são muitos, mas o momento também é muito animador no que diz respeito ao educador, que se vê diante de novos paradigmas e dando um passo a mais em direção a uma prática profissional ainda mais capaz de transformar a sociedade. Com essa intenção, o professor não deve caminhar sozinho, e sim contar com o apoio da Gestão Escolar e da Gestão Pública, repensando suas necessidades e oferecendo formação básica e continuada atualizada, alinhada à BNCC.

Quer entender melhor quais são esses caminhos para a nova formação de professores? Confira neste post.

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