Desafios e caminhos da educação infantil em 2022

Blog Desafios e caminhos da educação infantil em 2022

15/03/2022
A retomada das aulas presenciais reúne crianças com diferentes históricos e necessidades em um mesmo espaço . Pode-se destacar que os pais também estão apreensivos sobre o novo momento. Para lidar com esses desafios, é preciso que a escola adote uma postura acolhedora e de escuta. Com base na compreensão dessa realidade, pode-se criar um ambiente atrativo e valioso, capaz de proporcionar experiências nunca antes vividas por muitos dos alunos.

Desafios da educação infantil pós-pandemia

Com a vacinação avançada no país, as escolas retomaram as aulas presenciais. Ainda que o ano seja promissor no que diz respeito ao ensino mais próximo e integrado entre docentes e alunos, a pandemia deixou efeitos que devem ser cuidados com atenção. No caso da educação infantil, o cenário impõe desafios ainda mais específicos.
Não há vacinas liberadas no Brasil para crianças com até 5 anos, o que pode gerar receio dos pais quanto ao envio dos pequenos à escola. No entanto, a convivência com outros da mesma idade e o estímulo ao desenvolvimento são aspectos fundamentais para essa faixa etária. Por isso, ainda que exista apreensão, o retorno se tornou um fato.
Nesse contexto, é necessário que as escolas e os educadores ajam com acolhimento para lidar com essa insegurança. Promover momentos de diálogo com os pais é um bom caminho a fim de reduzir temores e apresentar novas perspectivas sobre o que está sendo pensado para o ano.
É um momento novo para todos, e será importante descobrir juntos as melhores rotas para tal jornada. Entender o histórico das famílias, descobrir a realidade de cada estudante e o repertório que eles trazem para a escola é fundamental. Em função disso, há a possibilidade de fazer questionários online para que os pais possam contar um pouco sobre o que vivenciaram com as crianças nos últimos tempos, em diferentes aspectos.
A análise desses dados pode direcionar o planejamento do ano, além de fornecer um retrato individualizado sobre cada criança, para o desenvolvimento de ações mais focadas nas necessidades de cada um. Com o passar do tempo, dá para demonstrar os efeitos positivos da retomada, com apresentação dos resultados já percebidos, em comparação com o panorama inicial.

Educação infantil acolhedora e convidativa

Nesse período de aulas remotas, muitas crianças tiveram pouca oportunidade de conviver com seus pares para além do ambiente virtual. Outras nem chegaram a vivenciar a educação infantil. É por isso que este novo momento requer cuidado e compreensão. Ambientes acolhedores, com espaços atrativos e aconchegantes, podem contribuir para que as crianças se sintam mais à vontade com a nova rotina.
Momentos que estimulem a expressão sobre as experiências vividas em casa e as expectativas em relação à escola ajudam a entender melhor o grupo, a fim de que as ações traçadas se encaixem nesse contexto. O planejamento do ano precisa ser, mais do que nunca, intensamente humanizado e aderente aos perfis dos alunos.
É na educação infantil que as crianças estão no auge do descobrimento, aprendendo a explorar o que existe ao redor. Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) abarcando também essa etapa da educação e orientando sobre o brincar e a integração, muitas opções podem ser cultivadas com o ensino presencial. O psicólogo Peter Gray, em entrevista concedida ao Portal Aprendiz, ressalta a importância das brincadeiras e da socialização para o desenvolvimento dos indivíduos dessa faixa etária:
“O brincar é a maneira pela qual as crianças adquirem estrutura física, emocional, intelectual e social. Ao brincar, nós simulamos um mundo no qual é possível praticar as habilidades que serão necessárias ao nos tornarmos adultos. As crianças precisam de todo o tipo de brincadeira, até das mais arriscadas.”
Confira alguns caminhos para promover experiências diferenciadas aos alunos da educação infantil no ensino presencial:
  • Brincadeiras: agora que há a opção de integrar as crianças, vale apostar em diversão em grupo. Algumas práticas podem ser desconhecidas para quem saiu pouco de casa nos últimos tempos, bem como contribuir para criar uma atmosfera de novidade e encantamento. Pular corda, brincar de amarelinha e muitos outros jogos são capazes de incentivar a conexão entre as crianças e exemplificar como a escola tem potencial para ser agradável e divertida.
  • Emocionômetro: a volta da convivência regular pode estimular a variação de sentimentos. Uma opção para trabalhar esse campo é o recurso visual que exibe as cinco emoções básicas (alegria, tristeza, raiva, medo e calma) na sala de aula. Dá para conversar sobre os temas com a turma e ir mais a fundo na exemplificação, com músicas, vídeos e contação de histórias. Os recursos possibilitam compreender os novos sentimentos, além de trabalhar a empatia.
  • Construções: o tempo todo, seja em casa, seja na escola, geramos resíduos. Muitos deles podem ser reutilizados pelas crianças e transformados em peças criativas. O reaproveitamento de materiais é uma atividade colaborativa, lúdica e que permite trabalhar conceitos de conscientização, valendo-se do conceito de mão na massa.
  • Cartas: o digital foi amplamente usado nos últimos tempos. A reconexão com o manual pode enriquecer a experiência das crianças de forma ainda não vivida. Um caminho divertido pode ser os alunos escreverem e desenharem cartinhas para envio às famílias, contando como tem sido a vivência na escola. Esse é mais um elemento que ajuda a transformar a apreensão sobre o ano em experiência positiva.
  • Hortas: muito se falou em saúde pelo viés de proteção durante a pandemia. Por que não abordar o assunto pelo caminho da prevenção e do que a natureza oferece? Se há espaço na escola, é uma excelente alternativa para promover atividade ao ar livre, com estímulo dos cinco sentidos (tato, olfato, paladar, audição e visão) e muitas descobertas.
  • Projetos: com o tempo, as crianças criam vínculos e fica mais fácil conduzir projetos estruturados com a turma. Dá para pensar iniciativas que estimulem a participação ativa, pelas quais elas podem exercer o protagonismo e a autonomia. Veja o caso de alunos de 4 e 5 anos que gerenciaram a cantina da escola.

O ano construído pelos educadores

O tempo todo se fala no desenvolvimento de recursos para a educação, de novas metodologias e de discussões que focam na evolução. O que isso demonstra é que sempre é preciso manter espaço aberto para descoberta e inovação. O ano de 2022 traz demandas diferenciadas, mas também a oportunidade de construir rotas mais humanizadas e valiosas, capazes de gerar o engajamento necessário entre os pequenos e alcançar o aprendizado pretendido.
A formação continuada é um caminho agregador para os professores, que os mantêm em posição de constante aprendizado, somando para a rotina prática em sala de aula. Os educadores do futuro evoluem com a sociedade e tornam as escolas mais vivas, com progressos constantes.
Quer saber mais sobre educação infantil e muitos outros temas? Navegue pelo blog do CER.

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