EDUCAÇÃO BASEADA EM COMPETÊNCIAS: AFINAL, O QUE É?

Blog EDUCAÇÃO BASEADA EM COMPETÊNCIAS: AFINAL, O QUE É?

29/06/2018
Com a tecnologia cada vez mais presente em nosso dia a dia, a Educação tem passado por profundas transformações. Com modelos híbridos, mais personalizada e menos focada no conteúdo, a Educação passa a ter o estudante como centro da aprendizagem, abandonando os modelos tradicionais de ensino, ainda focados na transmissão da informação em massa.
Um dos reflexos disso é a crescente popularidade da Educação Baseada em Competências (EBC). Apesar de não ser um conceito novo, o modelo é apontado por Michelle Weise, diretora executiva da Sandbox CoLABorative, em artigo na revista Harvard Business Review, como a verdadeira revolução na Educação do século XXI. Neste post, vamos entender como funciona a Educação Baseada em Competências e como a Educação brasileira tem caminhado nesse sentido. Boa leitura!

Como funciona a Educação Baseada em Competências

Notas, memorização de conceitos, desempenho em provas. A Educação por muitos séculos foi baseada no conteúdo e em sua absorção de forma passiva pelos estudantes. No entanto, quando pensamos no processo cognitivo e na aprendizagem, vemos que ela é mais eficaz quando aliada ao exercício prático e a sua aplicação na vida real. Além de permitir que os conceitos se tornem mais tangíveis aos estudantes, esse tipo de Educação estimula a criatividade e o pensamento crítico, algo essencial à sociedade contemporânea. É nesse contexto que surge a necessidade de pensar uma Educação Baseada em Competências.
Essa mudança também é uma demanda do mercado de trabalho. Em busca de construir times mais eficientes e coesos, empresas têm mudado a forma como selecionam seus candidatos, buscando incluir em seu quadro de funcionários aqueles que têm determinadas competências, em detrimento daqueles que dominam conhecimentos específicos.
A Educação Baseada em Competências tem ritmo de aprendizado variável. Assim, o desempenho dos estudantes é avaliado conforme o domínio de certas competências, e não de alguns conceitos teóricos. O aluno segue em frente na medida em que comprova pleno domínio da competência estudada no momento.
Além disso, o currículo escolar é adaptado às habilidades identificadas em cada um, seus pontos fortes e interesses. Isso dá mais autonomia ao aluno em sua jornada de aprendizado, contribuindo ainda para a autoestima e, principalmente, ajuda a formar profissionais mais bem preparados para o mercado de trabalho.

BNCC: por uma Educação Baseada em Competências no Brasil

Segundo Michelle Weise, apenas 11% dos líderes de empresas acreditam que os recém- -graduados possuem as habilidades necessárias para as atividades exigidas no trabalho. Ela enfatiza que o surgimento de cursos on-line, com Educação Baseada em Competências, têm criado outros caminhos de aprendizado.
Um dos motivos é ter um currículo altamente flexível. “Ao contrário da caixa-preta do diploma, as competências levam a um sistema mais transparente que destaca os resultados da aprendizagem dos alunos”, comenta.
No Brasil, a grande transformação vem sendo liderada em escala nacional nos últimos anos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que define diretrizes voltadas à criação dos currículos escolares para ensino infantil, fundamental e ensino médio, etapa em que a Educação Baseada em Competências se torna ainda mais relevante por meio dos Itinerários Formativos.

De acordo com a BNCC, as competências são “a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”. O documento define dez competências gerais que devem nortear a educação básica no Brasil, a saber:

COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA

1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbitos local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
A Base estabelece que, para que haja uma formação de fato integral dos indivíduos, as competências devem inter-relacionar-se e desdobrar-se em cada uma das etapas da Educação, “articulando-se na construção de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e na formação de atitudes e valores”.
Para entender como todos esses conceitos funcionam na prática, convidamos você a ler o case da Escola Lumiar, que vem tornando a Educação Baseada em Competências a base para seus estudantes.
E, buscando pensar em como criar outro sistema de avaliação, considerando não só a nova realidade da BNCC, mas os impactos da pandemia na Educação, confira a entrevista com Tatiana Filgueiras, do Instituto Ayrton Senna.

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