Educação Empreendedora – Case Luiz Felipe Lins

Blog Educação Empreendedora – Case Luiz Felipe Lins

18/05/2022

Luiz Felipe Lins, professor de Matemática, foi vencedor do prêmio Educador Nota 10 e recebeu o troféu de melhor professor pelo voto popular.

Foi pensando na Educação Empreendedora e nas habilidades comportamentais que o professor de Matemática Luiz Felipe Lins, vencedor do Prêmio Educador do Ano pelo Prêmio Educador Nota 10 e ganhador do troféu de melhor professor pelo voto popular, desenvolveu o projeto “Geometria e Construção”.

Para realizar o programa, com os jovens do ensino fundamental (7 série), ele teve que “quebrar” alguns modelos educacionais, recriar-se, e, principalmente, acreditar nele e nos estudantes.

Veja uma parte da entrevista que ele deu ao Porvir:

A matemática está em todas as áreas; classificar os estudantes é uma boa desculpa para justificar o fracasso educacional de não conseguir atingir a todos”. Ele ainda ressalta: “Se um aluno me diz que não tem capacidade para entender matemática, eu digo para ele que sou de Humanas. Sou professor”.

Inserir e aplicar a Educação Empreendedora nas escolas é um grande desafio para os gestores educacionais e os professores.

Compreender seu conceito é ultrapassar algumas barreiras de ensino até então utilizadas,  assim como mergulhar em várias outras concepções, como: habilidades comportamentais, projeto de vida, empreendedorismo e ideias inovadoras.

Aqui, vale ressaltar que, quando inserido no processo ensino-aprendizagem, esse é um caminho sem volta.

Assim, convidamos você, professor, a ler este Case de sucesso e a se inspirar nele! Afinal, o poder de transformar jovens em futuros empreendedores está em suas mãos.

Então, mãos à obra!

A concepção do projeto “Geometria e Construção”

Luiz entende que cada jovem chega à escola com conhecimentos diferentes. Assim, ter uma escuta ativa para entender as expectativas de aprendizagem de cada um é de extrema relevância.

A percepção e o conhecimento dos anseios dos estudantes permitem que o ensino seja adequado, inovador e criativo, possibilitando um aprendizado mais eficiente e empreendedor.

Com 25 anos de experiência em sala de aula e com olhar atento e zeloso para os jovens, Luiz conta que, ao surgir a ideia do projeto “Geometria e Construção”, a relação do empreendedorismo e das competências gerais pôde ser observada.

Seguindo as propostas da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), o professor elaborou um projeto integrando disciplina curricular e as competências comportamentais, trabalhando de maneira ousada, dinâmica e empreendedora.

Foi aberto um leque de oportunidades, o que proporcionou aos jovens traçar seu projeto de vida.

Assim, sabendo que o autoconhecimento é a ferramenta principal na Educação Empreendedora, e com ela diversas outras habilidades comportamentais se desenvolvem, nasceu o projeto.

O projeto “Geometria e Construção” e seu poder de transformação

Tudo começou em razão de uma obra para casas populares, no entorno da escola Francis Hime, no Rio de Janeiro, onde Luiz leciona.

A construção gerou curiosidade aos estudantes, provocando certo burburinho na sala de aula.

E foi assim que Luiz teve a brilhante ideia: “Por que não usar este conjunto habitacional, essa construção,  para construir o conhecimento matemático dessa garotada?”

Foi então que ele providenciou um prospecto com planta baixa, explicou para a turma como projetá-la e lançou o desafio, dividindo a turma em equipes com as tarefas:

  • Desenhar e elaborar a planta baixa de uma casa.
  • Construir a maquete.
  • Mas o projeto não acabava por aí;  ele ia mais além:
  • Pesquisar e orçar o custo do revestimento do piso, indo às casas de material de construção.
  • Entrevistar profissionais ligados à construção civil (muitos deles tinham esses profissionais na família – o que fez os jovens conhecerem a realidade do trabalho e valorizá-lo).
  • Por fim, cada grupo teria que apresentar aos demais a planta baixa, a maquete e o vídeo gravado por eles – falando da experiência e da realização do projeto.
  • E, no final das apresentações, Luiz comunicou que, no dia seguinte, haveria uma avaliação.

Contudo, o que esperar depois de um projeto tão inovador? Uma prova? Não!

Seria uma autoavaliação!

Diz Luiz acerca do assunto: “Eu queria que eles percebessem o quanto aprenderam sabendo respeitar a opinião do outro, sabendo ouvir; isso foi muito importante”.

A divisão de tarefas, dentro de cada grupo, possibilitou que Luiz vislumbrasse as competências de cada participante.

Projetos como esse, que, com a disciplina curricular exploram as habilidades gerais constantes na BNCC, conduzem o estudante à autonomia.

Confira, abaixo, alguns exemplos das competências gerais inseridas no projeto, de forma sutil e lúdica:

  • Conhecimento
  • Pensamento científico, crítico e criativo
  • Comunicação
  • Trabalho e projeto de vida
  • Argumentação
  • Autoconhecimento e autocuidado
  • Empatia e cooperação
  • Responsabilidade e cidadania

O autoconhecimento, o senso comum, a empatia, a responsabilidade consigo e com o outro, o respeito mútuo, a consciência socioambiental, o entendimento do mundo empreendedor e o senso de coletividade foram características desenvolvidas, aplicadas e discutidas durante todo o processo do projeto.

Sobre isso, Luiz discorre na sua entrevista: “É preciso mostrar aos alunos as relações entre a matemática e as atividades de seu interesse e, para além disso, estabelecer relações com o mundo real, porque alguns conceitos são essenciais para compreender o mundo em que vivemos”.

O resultado do projeto “Geometria e Construção”

No decorrer do projeto, o educando passou pelo processo de autoconhecimento, e, a partir daí, aprendeu a traçar projetos para a vida pessoal e profissional com mais propriedade e segurança. Ele se  tornou sensível ao senso coletivo, permitiu abertura a novos aprendizados e novas oportunidades, obteve consciência socioambiental, bem como acolheu e valorizou a diversidade.

Em entrevista ao Porvir, Luiz finaliza dizendo: “Eu estou muito além da formação de um matemático, eu não estou ensinando para a matemática. O meu instrumento é a matemática, mas a minha finalidade é a formação geral do ser humano”.

A plenitude de um projeto como o de Luiz faz-nos acreditar que o empreendedorismo aplicado na escola prepara os jovens para abrir novos horizontes e enxergar o mundo com grandes possibilidades.

Sabemos que as transformações começam nos gestores educacionais e nos professores, e esses, olhando para o futuro, aplicam os novos conhecimentos com convicção e assertividade na sala de aula. Temos convicção também que a Educação Empreendedora estimula o jovem ao autoconhecimento. E foi assim que Luiz desenvolveu e executou seu projeto com tanto afinco!

Enfim, quanto mais cedo a escola e o professor aplicarem o empreendedorismo nas salas de aula de maneira responsável e comprometida, mais cedo os jovens terão uma formação com mais consciência, independência e responsabilidade, não só pela sua vida pessoal, mas também pela vida profissional.

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