Educação Financeira: essencial em todas as fases de desenvolvimento

Blog Educação Financeira: essencial em todas as fases de desenvolvimento

28/03/2022
Chamada também de “letramento financeiro” e de “literacia financeira”, a Educação Financeira vai além da esfera pessoal. O tema precisa ser abordado nas escolas para transformar a vida de estudantes, professores, familiares e de todos que tenham relação com o espaço.
Para abordarmos o tema, convidamos Alanni Barbosa, analista do Sebrae-MG com experiência em serviços financeiros e crédito para pequenos negócios, educação e planejamento financeiros pessoais e migração internacional. Ela vai falar sobre o que é a Educação Financeira, sua importância, potencial transformador e como ela tem relação com a Educação Empreendedora.
De imediato, Alanni faz questão de reforçar que sempre há tempo para começar a mudança de hábitos e a relação com o dinheiro. E um spoiler: o impacto de trabalhar a Educação Financeira é como o da Educação Empreendedora. Gera um efeito multiplicador disso na sociedade, partindo para as famílias dos alunos e da comunidade escolar. O impacto na sociedade é enorme.

Afinal, o que é Educação Financeira?

Ela é o processo pelo qual as pessoas conseguem se relacionar de forma saudável e consciente com o dinheiro. É o desenvolvimento de competências, inclusive emocionais, para esse convívio mais saudável que garante o bem-estar financeiro no presente e no futuro.
Com base na Educação Financeira, conseguimos comportamentos mais adequados a cada estilo de vida, à condição de cada um e a cada momento. Assim, a pessoa compreende onde está, o que quer alcançar e lida melhor, tanto no âmbito emocional, quanto na prática, com dinheiro. 

Essa compreensão passa por fazer análise de oportunidades e riscos que cada atitude nossa tem no dia a dia, pois até o café diário comprado na padaria, dependendo da situação e do contexto, pode gerar impacto.

Qual a importância e em que fase da vida devemos abordar esse tema?

A Educação Financeira gera uma visão mais cidadã, mais consciente ambientalmente e mais ética, também de forma coletiva e financeira. Ela aumenta a consciência coletiva, começando no individual, envolvendo a família e chegando à comunidade. Consertar alguns produtos de consumo, por exemplo, ao invés de simplesmente descarta-los e comprar novos, gera menos lixo, ou pensar no compartilhamento de itens e fazer doações, são comportamentos que podem ser estimulados na Educação Financeira. 
É importante abordar o tema desde as primeiras séries, para formar pessoas com bem-estar financeiro, psicológico, físico e familiar. Além disso, em médio e longo prazos, populações mais financeiramente educadas ajudam no consumo sustentável e na circulação de renda na economia. Afinal, uma população endividada reduz o consumo, e isso gera impacto.
A Educação Financeira deve ser trabalhada durante toda a vida escolar. É importante ter recorrência, já que abordar um assunto uma vez por mês gera um impacto diferente de abordá-lo com maior frequência em sala de aula e, sobretudo, conectando-o às demais disciplinas. 
Quanto mais cedo começamos a falar sobre o assunto, maiores as chances de as crianças crescerem com hábitos financeiros saudáveis, inclusive influenciando seus pais. Isso significa que o aprendizado impacta diretamente as famílias, além de garantir que crianças cresçam e viram adultos com essa consciência como parte do dia a dia. Ela vira algo natural.
Estudos mostram que, a partir dos 3 anos, a criança já assimila hábitos de Educação Financeira. O que muda conforme a idade é a aplicação e a abordagem realizadas. As mais novas têm percepções diferentes curto, médio e longo prazos, mas é possível ensiná-las a colocar uma moeda no cofrinho para que possam conquistar algo depois. 

Outro ponto importante é que já existem estudos que demonstram que o endividamento pode afetar as questões psicológica e laboral. O estresse financeiro pode levar a problemas familiares e físicos (como depressão, por exemplo), dentre outros. 

O que é necessário para que o ensino dessa visão financeira seja efetivo?

Vai muito da estrutura da escola. A Educação Financeira pode ser uma disciplina específica (fazendo interface com as demais) ou ser um tema trabalhado transversalmente. É muito importante, possível e relativamente fácil trabalhá-la; o desafio é começar! E o Sebrae está se esforçando para ajudar as instituições a darem esse primeiro passo. 
Os gestores escolares são responsáveis pela decisão de abordar o tema na escola e, a partir daí, trabalhar para engajar e envolver toda a comunidade escolar. É importante que que docentes e demais trabalhadores da instituição conheçam e se envolvam nesse novo momento que a escola está se iniciando. 
O envolvimento da comunidade escolar é necessário porque beneficia a todos – a merendeira, a equipe de limpeza, os docentes e os demais. Eles aprendem a lidar melhor com o dinheiro e acabam reforçando isso com os alunos, além de suas famílias, é claro. Afinal, temos mais propriedade para trabalhar o tema quando o vivenciamos.
O professor, caso esteja passando por um momento financeiro delicado, pode começar se tornar ainda mais consciente financeiramente ao se capacitar para trabalhar o tema. Desta forma, também ensinando o assunto aos alunos, pode absorver os hábitos que está ensinando. 

Como começar essa implementação?

Um ponto muito importante para o sucesso é uma boa metodologia. Para cada fase escolar, há uma forma de ensinar aquele tema. Então é necessário escolher metodologias efetivas e seguras, a fim de se ter formas adequadas de trabalhar o assunto e orientar no planejamento e na execução do plano de aula. 
Nossa sugestão é começar pelos professores e pela comunidade escolar, se possível, envolvendo as famílias dos estudantes. Pode ser uma palestra, um curso, ou atendimentos – existem diversas formações e ferramentas gratuitas disponíveis para isso. O importante é respeitar a possibilidade da escola e sensibilizar todos para o tema e o momento da escola. 
Capacitar os professores para a metodologia de Educação Financeira nas escolas é fundamental! A metodologia de Educação Financeira para Escolas, que está sendo desenvolvida pelo Sebrae em parceria com o MEC (Ministério da Educação) e com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), por exemplo, utilizará a aprendizagem baseada em desafios. 

É possível que, com a preparação dos alunos nos temas, suas famílias também aprendam a fazer uma Gestão Financeira efetiva?

Com certeza. A gestão financeira é importante para todo mundo. É comum haver diferenças do que funciona para um e não para todos. Mas, ter controle é importante. É preciso saber para onde o seu dinheiro está indo. Muitas vezes acreditamos que podemos confiar na memória, na chamada “contabilidade mental”. Mas isto é financeiramente perigoso. Fazer registros permite, inclusive, agrupar despesas para saber com qual ou quais áreas estamos gastando mais. 
Na metodologia de Educação Financeira que estamos desenvolvendo, ensinamos a trabalhar desperdício, como uma torneira pingando o dia todo. Esse tipo de foco influencia os pais, que também podem se sensibilizar.

Como você vê a relação da Educação Empreendedora e do ensino de conceitos e estratégias que afetam a visão de finanças e da economia?

É fundamental atrelar Educação Financeira à Educação Empreendedora. Desta maneira, formamos pessoas mais empreendedoras e competentes financeiramente – para a vida pessoal ou para o seu negócio, se for o caso. As competências e as habilidades, ou seja, o comportamento que as pessoas adquirem para ter atitudes mais empreendedoras (correr risco calculado, proatividade, etc.) e financeiras (conseguir analisar melhor as oportunidades e os riscos que cada decisão financeira impacta), andam juntas. 
A Educação Financeira também vai ser necessária para quem resolver empreender ou trabalhar em algum lugar. Afinal, os hábitos financeiros pessoais geralmente são replicados na gestão da empresa. 
Se você tem interesse em aprofundar e colocar a educação financeira em prática, conheça o Programa Educação Financeira na Escola. Os alunos poderão desenvolver uma cultura de planejamento, prevenção, poupança, investimento e consumo consciente.

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