Empoderamento coletivo: o que é e qual o papel da escola?

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A busca pela palavra empoderamento no Google vem crescendo a cada ano no Brasil, com picos mais altos sempre nos meses de março, quando o empoderamento feminino ganha mais destaque na mídia e, consequentemente, nas buscas on-line. Em 2016, empoderamento também foi um dos termos mais buscados no dicionário Aurélio. Isso reflete uma mudança na pauta e nas discussões públicas que, graças ao esforço de determinados grupos, vêm abordando cada vez mais assuntos relacionados à diversidade e conscientizando as pessoas sobre sua importância para uma transformação social profunda.
No entanto, é importante entender o conceito de empoderamento, principalmente o empoderamento coletivo, aquele que realmente é capaz de promover mudanças transformadoras. Neste post, falamos mais sobre isso.

O que é empoderamento, afinal?

Você certamente já deve ter ouvido sobre empoderamento e suas variáveis: empoderamento feminino, empoderamento coletivo, empoderamento negro, entre outras. Mas, já parou para pensar no que o termo realmente significa?
A palavra empoderamento vem de “tornar-se poderoso”. Ou seja, diz respeito ao estado de ter domínio sobre algo, tornar-se dono, à capacidade de tomar decisões sobre o que lhe diz respeito. Na prática, o empoderamento passa por garantir direitos e oportunidades às pessoas e oferecer mecanismos para que elas conheçam esses direitos e se apropriem desses deles, ocupando ativamente posições e espaços na sociedade.

Empoderamento individual X empoderamento coletivo

“Ninguém se empodera individualmente”, afirma Joice Berth, escritora autora do livro “O que é empoderamento?”. Joice defende a ideia de que, para ser justo, deve haver empoderamento coletivo e não apenas individual. Mas, qual é a diferença?
Existem conquistas individuais – aumento de salário, promoções, conquista de uma vaga – que podem ser fruto de um processo de empoderamento individual, ou seja, do indivíduo reconhecer seus direitos e potencialidades e se apropriar deles para buscar conquistas para sua vida. No entanto, alega Joice, se este empoderamento não é revertido para grupos minoritários, se tornando um empoderamento coletivo, o conceito não está sendo plenamente trabalhado.
Quando deixa de ser um instrumento apenas de conquistas pessoais e passa a beneficiar grupos inteiros, o empoderamento coletivo se configura, de fato, como uma força política, capaz de mudar realidades e estruturas arraigadas no sistema.

Escola que empodera é escola que transforma

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”, disse Paulo Freire. O processo educativo, por si só, tem um grande potencial de empoderar indivíduos e o coletivo. Afinal, educar é construir conhecimento e é ele que pode tornar os sujeitos mais aptos a tomarem decisões de forma consciente e confiante. No entanto, é preciso que ele seja feito de forma libertadora, a exemplo do que defendia Freire.
O primeiro passo para isso é certificando de que haja representatividade dentro da própria equipe de educadores. Educadores negros, LGBTQIA+, professoras mulheres nas áreas STEM… a educação em sua instituição de ensino pretende promover o empoderamento coletivo é preciso que haja olhares diversos sobre a aprendizagem.
Além disso, o processo de empoderamento coletivo passa por diversificar e ampliar as referências que serão passadas para os jovens. A escola trabalha com autores negros? Brasileiros? Mulheres na ciência ou na política? Pessoas LGBTQIA+ em posições de liderança? Rever as referências é uma forma de apresentar aos alunos possibilidades diferentes das normativas.
Outra forma como a escola pode e deve empoderar é promovendo discussões e debates, disseminando informações de qualidade a respeito das pautas identitárias. E, por fim, se apoiar na educação empreendedora como um importante suporte para o empoderamento coletivo.

Empoderamento coletivo e a capacidade empreendedora

Se analisarmos a origem do termo empreendedorismo, veremos que ele tem uma relação muito estreita com o empoderamento. Empreender é, afinal, ser capaz de analisar criticamente os cenários, reconhecer problemas e identificar oportunidades, entender seu papel na transformação daquela situação e agir, com as ferramentas necessárias, para mudar aquela realidade. Isso pode acontecer nos mais diversos contextos: empreender criando uma startup, empreender começando um clube do livro, empreender participando de uma organização social, empreender educando etc.
Por isso, um dos aspectos fundamentais para o empreendedorismo é o autoconhecimento. É ele quem permite que o indivíduo reconheça suas potencialidades e seus pontos fracos, trace um plano para trabalhá-los e use seus interesses e talentos para criar algo novo. Assim, investir em educação empreendedora é, também, criar um ambiente favorável para que os estudantes explorem a si mesmos e encontrem a melhor forma de impactar a comunidade em que vivem.
Quer conhecer um exemplo prático de como a educação empreendedora e o empoderamento coletivo podem andar lado a lado? Na África subsaariana, uma organização oferece apoio especial a meninas do ensino médio, com acompanhamento e mentorias, suporte financeiro e acesso a aprendizagem de temas como saúde, finanças, agricultura sustentável e empreendedorismo. Conheça a iniciativa e veja como ela tem mudado a realidade dessas jovens.
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