Empreendedorismo na escola: conheça o case de uma instituição pública em Montes Claros

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Com 340 alunos matriculados e localizada em uma área vulnerável da cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, a Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro encontrou na Educação Empreendedora uma saída para a desmotivação de estudantes e professores, o combate à evasão escolar e aos índices de desempenho bem abaixo da média.

A escola tem hoje 12 empreendimentos, um para cada turma. Um desses projetos de empreendedorismo na escola, o Ler e Crescer, que trabalha com moedas sociais como recompensa pelo número de livros lidos por estudante, foi premiado na etapa estadual do Prêmio Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae e apresentado no seminário internacional de educação empreendedora, o ConheCER, inspirando milhares de professores de todo o Brasil. Conheça, neste artigo, um pouco mais das principais iniciativas e dos resultados alcançados pela Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro. 

Instituições e professores prontos para o empreendedorismo na escola

A Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro, que vai do ensino fundamental I ao ensino médio, começou a investir na educação voltada para o empreendedorismo na escola em 2015. “Participei do primeiro seminário de Educação Empreendedora do Sebrae e fiquei encantada com a metodologia”, conta Clelma Rodrigues, diretora desde a época. Na mesma semana, Clelma entrou em contato com o Sebrae e agendou a primeira visita à escola. Com os professores capacitados na metodologia, o projeto de empreendedorismo na escola logo teve início.

Entre os primeiros passos, a escola participou do Programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP). O programa estimula características da mentalidade empreendedora nas crianças do ensino fundamental por meio de atividades, sensibilizando os participantes para a importância de tomarem decisões, assumirem riscos calculados, terem senso crítico e de oportunidade. A instituição também participou do programa Despertar, que oferece ferramentas práticas de empreendedorismo para que os jovens apliquem em sua vida, além de oficinas de finanças, robótica e educação cooperativa. Todo o investimento deu origem à criação de empreendimentos da escola, que atualmente somam 12 e vão desde uma tapeçaria a uma ecopapelaria.

Clelma afirma que o empreendedorismo na escola se destaca por ser uma metodologia inovadora, criativa, divertida, que permite que todas as disciplinas sejam trabalhadas juntas e de forma dinâmica. “O empreendedorismo na escola desenvolve as habilidades do estudante, uma vez que o processo é centrado no aluno, e não no professor”, diz ela.

Empreendedorismo é um tema transversal

Além dos empreendimentos  aos quais os alunos se dedicam nos períodos de contraturno, o empreendedorismo na escola é tratado de forma interdisciplinar, e não em disciplinas específicas.

Para isso, os professores desenvolveram planos de aula em parceria e pensando em formas práticas e lúdicas de abordar o mesmo conteúdo sob diferentes óticas. Há ainda dinâmicas em que mais de um professor ocupa a mesma sala de aula, colocando em prática o conceito de coensino. “No início, tudo isso deu um pouco de trabalho para a gestão. Mas conseguimos criar um horário padrão e coordenar os horários dos professores a fim de colocar esse tipo de atividade em prática”, relata a diretora.

Moeda social: dinâmica gamificada que estimula o engajamento e a mentalidade empreendedora

Um dos projetos de maior destaque na Escola Estadual Coronel Filomeno Ribeiro é o Ler e Crescer.  Ele atrela o empréstimo e a leitura de livros ao pagamento de Leuros, moeda social criada pela escola. Os cheques podem ser “descontados” na Cooperativa do Bom Leitor, criada em parceria com o Sicoob Credinor. Os estudantes podem usar o “valor” no Shopping do Bom Leitor, montado no pátio da escola, para negociar, fazer compras e até aplicar o dinheiro fictício.

Outro uso para os Leuros acumulados é no Posto Pedagógico de Atendimento (PPA),  agência também criada em parceria com o Sicoob.

Resultados da implantação do empreendedorismo na escola

A diretora da Escola Filomeno Ribeiro é categórica ao elogiar os benefícios da Educação Empreendedora. “Para nós, a metodologia de empreendedorismo na escola foi uma salvadora da pátria, já que os professores acabaram se agarrando a ela como uma possibilidade de nos tirar da situação vulnerável”, explica. Ela conta que a equipe era mais tradicional e se atinha às determinações da Secretaria de Educação. Hoje, os professores inovam, trabalham com mapas mentais, extrapolam os limites físicos da sala de aula e criam outras formas de fazer aulas mais dinâmicas e eficazes.

Os ganhos para os jovens também são visíveis. “Trabalhar o empreendedorismo na escola tem sido importante para dar a esses jovens uma perspectiva de futuro. O uso de drogas entre eles era muito natural, hoje em dia não existe mais. Conseguimos criar laços de amizade, de respeito. Atualmente temos ex-alunos fora do país, outros palestrantes, empreendedores”, orgulha-se a diretora.

As taxas de abandono escolar também melhoraram bastante depois das iniciativas. Nas avaliações externas, a escola costumava figurar entre as instituições com baixo desempenho. Agora, algumas turmas já são avaliadas no nível intermediário, e outras, no nível avançado, ou seja, satisfatório.

Viu só como a educação voltada para o empreendedorismo na escola pode transformar a realidade dos jovens, dos professores e de toda a comunidade? Entenda também como a arquitetura escolar pode influenciar o desenvolvimento dos alunos.

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