Empreendedorismo no ensino superior: conheça o case da Unesc

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Em 2018, 52 milhões de brasileiros tinham o empreendedorismo como fonte de renda, segundo dados da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). Dentre os empreendedores iniciais, a maioria é formada por jovens de 18 a 34 anos, que, juntos, totalizam 12,3 milhões de pessoas (aumento de 50% em 5 anos). Com milhões de estudantes matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação, inserir o empreendedorismo no ensino superior de forma sistemática e consistente é a melhor maneira de preparar esses jovens para o mercado de trabalho.

Em relação aos alunos da Unesc, a Educação Empreendedora é uma realidade há alguns anos. Com unidades nas cidades de Criciúma, Araranguá e Balneário Rincão, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) tem, atualmente, mais de 13 mil alunos, distribuídos entre os 42 cursos de graduação presencial, 20 cursos tecnológicos (híbridos presenciais e EAD), 48 cursos de especialização presenciais e 8 na modalidade EAD, além de 7 mestrados e 5 doutorados acadêmicos. Quer saber como a instituição leva projetos de empreendedorismo no ensino superior a seus alunos? Confira no post a seguir.

Núcleo de empreendedorismo e agência de inovação: empreendedorismo no ensino superior na prática

Apesar de contar com disciplinas de empreendedorismo em cursos como Administração, Design, Engenharias e outros cursos das áreas de Tecnologia, a universidade identificou uma carência no atendimento a micros e pequenas empresas nas regiões onde mantém unidades. Foi aí que nasceu a ideia de transformar o empreendedorismo no ensino superior em um projeto sistêmico e mais abrangente.  Movimento iniciado em 2015, reforçando o compromisso da Unesc com a comunidade, o projeto é fundamentado em três iniciativas principais:

Núcleo de empreendedorismo: projeto institucional que tem como objetivo potencializar a Educação Empreendedora.  Capacita e apoia a transformação do conhecimento em produtos, processos, serviços e ações inovadoras em benefício do desenvolvimento econômico, social e ambiental. Dentre as iniciativas, o núcleo oferece mentoria para profissionais com renda de até 5 salários mínimos, dispostos a abrir o próprio negócio. Eles tem apoio técnico no planejamento e no desenvolvimento de novos negócios, desde a concepção da ideia até a pré-incubação. O Núcleo disponibiliza ainda consultoria acadêmica, por meio do Projeto 60 dias, para microempresas com faturamento de até R$ 360 mil/ano. Além disso há uma vasta programação para fomentar o empreendedorismo entre alunos e professores, com palestras, rodas de conversa, imersão, minicursos, oficinas e painéis, dentro do projeto chamado ‘Pipocando o Empreendedorismo’.

Agência de Inovação: para dar suporte às atividades realizadas pelo Núcleo, foi criada em 2017 a Agência de Inovação da Unesc. Órgão vinculado à Reitoria, com o objetivo de apoiar a articulação entre Universidade-Empresas-Governo, em processos relacionados à proteção da propriedade intelectual da instituição e da transferência de tecnologia e conhecimento.

Apesar de as iniciativas já somarem mais de quatro anos em desenvolvimento, para o coordenador do curso de Design, João Rieth, o empreendedorismo no ensino superior ainda é uma cultura em implantação. “Percebemos que alguns acadêmicos, quando estão dentro da Universidade, acreditam que o mercado será capaz de absorvê-los 100%. Quando encerram os estudos, entendem que é necessário empreender”, diz.

Empreendedorismo no curso de Design da Unesc

Na Unesc, o curso de Design é pioneiro na implantação de projetos de empreendedorismo no ensino superior, segundo o coordenador João Rieth. Desde 2012, mesmo antes da criação do Núcleo e da Agência na universidade, o curso já trabalha a inserção do empreendedorismo no ensino superior. Para João, o empreendedorismo é inerente à prática da profissão de designer. “Isso é notório tanto no Brasil quanto fora. Muitos designers se tornam empreendedores a partir de sua percepção de mercado, pois eles identificam oportunidades no mercado e se propõem a desenvolver soluções. O designer é um articulador entre empresas através da identificação de necessidades ”, explica.

Um desses projetos, apresentado ao público do seminário de Educação Empreendedora do Sebrae, o ConheCER 2019, é o que trata de desenvolvimento de tecnologias assistivas de baixo custo, realizado por uma equipe multidisciplinar dos cursos de Design, Engenharia de Materiais e Engenharia Mecânica, em parceria com o Centro de Reabilitação (CERII) e com o Núcleo de Saúde Coletiva da instituição.

Da ideia à criação, o desenvolvimento de um produto

Dividido em quatro etapas – descobrir, definir, desenvolver e entregar –, o projeto teve início em 2014. O objetivo era de desenvolver alternativas de produtos com baixo custo que pudessem ser utilizados durante tratamentos realizados no CERII, bem como facilitar as atividades diárias de deficientes físicos.

Na primeira fase, de descoberta, os alunos eram responsáveis por compreender as dificuldades envolvidas no tratamento e no dia a dia dos deficientes físicos, a partir de uma imersão no centro de reabilitação, acompanhando as atividades dos profissionais de saúde. Na etapa de definição do produto, um dos desafios foi a escolha das técnicas produtivas e dos materiais, para que a solução fosse, de fato, de baixo custo. “Baseado nos custos dos materiais e dos processos produtivos ficou estabelecido que o produto a ser desenvolvido deveria ser constituído de materiais poliméricos, e a produção do objeto deveria ser realizada simultaneamente por impressão 3D, usinagem ou injeção, sendo que a escolha do método pode ser alterada conforme o aumento da escala produtiva”, explica o professor João Rieth.

Na etapa do desenvolvimento em si, ferramentas de apoio como mapa mental e tabela morfológica foram utilizadas para geração de alternativas. Por meio de uma matriz de escolha, foi possível estabelecer a alternativa a ser continuada, considerando todas as possibilidades e necessidades levantadas nas fases anteriores.

Por fim, com o modelo já produzido, inicia-se a etapa final. Ou seja, da entrega, que inclui a validação do produto mediante uma série de testes que identificam possíveis falhas e permitem prever problemas futuros. Após transformar a ideia em produto, o projeto segue para uma nova etapa: tornar a solução escalável. “Atualmente se estuda a produção em escala por meio da impressora 3D e a distribuição das unidades produzidas para entidades, sem fins lucrativos que atuam diretamente com o público-alvo do produto”, conta João Rieth. Paralelamente, a Unesc, por intermédio da Agência de Inovação, está encaminhando o processo de patente industrial.

Uma ideia muito similar foi a chave que um professor da UniSul encontrou para colocar em prática o empreendedorismo no ensino superior. No caso dele, a solução foi transformar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em uma startup. Conheça o projeto TCC Startup, criado pelo professor Geraldo Campos, que trabalha o empreendedorismo no ensino superior levando inovação e soluções de mercado à etapa final dos cursos de graduação e pós-graduação.

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