Ensino Baseado em Competências: conheça o case da escola Lumiar

Blog Ensino Baseado em Competências: conheça o case da escola Lumiar

13/03/2020

Um colégio onde crianças e professores decidem, juntos, o que cada um vai aprender, escolhendo itens curriculares com base em um mosaico de atividades voltadas para o desenvolvimento de habilidades específicas. Essa é a proposta da Escola Lumiar, fundada em São Paulo, há 16 anos, e hoje presente em seis cidades brasileiras. Seguindo a linha do Ensino Baseado em Competências (EBC), a metodologia da escola inclui um currículo não linear, muita personalização e turmas com alunos de idade diferente. Por conta disso, foi eleita como uma das escolas mais inovadoras do mundo por um ranking elaborado em 2007 pela Microsoft, pela UNESCO e pela Universidade Stanford.

O Ensino Baseado em Competências é um modelo de aprendizagem focado em habilidades práticas. São priorizadas atividades que tentam solucionar questões reais. O objetivo é  desenvolver nos alunos um conjunto de competências, definidas como faculdade de mobilizar conhecimentos, atitudes e habilidades ou procedimentos. Tudo isso para alcançar desempenho satisfatório em situações pessoais, profissionais ou sociais.

O modelo ganhou força nos Estados Unidos, na década de 1960, quando a comunidade escolar demonstrou apreensão com o fato de que as instituições não conseguiam preparar os jovens para a vida após a graduação.

Recentemente, tal preocupação tem ressurgido com bastante intensidade após entidades como o Fórum Econômico Mundial afirmarem que o jeito como a sociedade tem caminhado, rumo a um nível cada vez maior de automação, eliminará grande parte dos empregos atuais e criará funções nunca antes pensadas. Disso, surge a necessidade de preparar as crianças de agora para esse futuro, equipando-as com habilidades humanas que serão bastante valorizadas nesse contexto de uso da automação em larga escala.

Com o case da Escola Lumia, entenda como o Ensino Baseado em Competências ocorre na prática. Além disso, veja como o método é uma das possíveis soluções para o preparo de jovens para o futuro.

Alunos, tutores e mestres

“Não adianta nada ter um monte de informação e não saber o que fazer com isso”, afirma Graziela Lopes, diretora pedagógica da Escola Lumiar de Pinheiros (SP). Segundo ela, é esse o motivo que leva a escola a adotar uma metodologia de aprendizagem ativa e superprática, incluindo mais de 100 habilidades cognitivas, motoras e socioemocionais. Essas habilidades são trabalhadas por meio de projetos realizados pelos alunos em turmas com crianças de faixa etária diferente (multietariedade).

“Um dos primeiros desafios quando a gente pensa no desenvolvimento de habilidades é que é muito complicado trabalhar com isso de forma linear. Vejamos a habilidade de colaboração, por exemplo. Qual é a idade para aprender isso? É aos dois, cinco, quinze anos? Para trabalhar realmente com habilidades, você tem que adotar uma forma não linear e personalizada. Cada pessoa é diferente da outra”, afirma Graziela.

A metodologia da Lumiar é baseada em um mosaico digital. Ele conta com itens curriculares escolhidos conjuntamente por educadores e por crianças, com base nos interesses e expectativas de cada estudante. Professores, que na escola recebem o nome e a função de ‘tutores’, são responsáveis por acompanhar os alunos de perto, garantindo esse aprendizado personalizado.

E, para que os alunos tenham contato com habilidades diversas, a instituição adiciona também outro tipo de educador: os mestres, ou seja, pessoas que dominam algum tipo de conhecimento e o utilizam de forma única no mundo. “Trazemos pessoas com habilidades diversas, como chef de cozinha, designer, bailarina, produtor, fotógrafo, adestrador de cães e bombeiros, que participam dos projetos dos alunos. Quando um cantor vai falar sobre sistema respiratório, por exemplo, vai falar de forma diferente do que um professor de Biologia, pois tem um conhecimento prático disso”, afirma a diretora pedagógica.

Resultados do Ensino Baseado em Competências

Visando estimar as habilidades conquistadas pelos estudantes, a escola usa como avaliação diversos tipos de atividades, que vão desde provas e trabalhos até performances. Além disso, as crianças ponderam sobre aquilo que aprenderam diariamente com a ajuda de reflexões propostas pelos tutores e pelos mestres.

Como resultado, a Lumiar tem obtido sucesso em engajar os alunos na aprendizagem e formar cidadãos mais preparados, conforme relata Graziela. “A gente vê crianças que são bastante autoconscientes, que se conhecem, que têm muita proatividade e são bem ativas, atuando de forma autoral na vida. Além disso, são crianças que amam aprender, entendem que aprender é uma coisa legal e que serve para elas alcançarem aquilo que querem agora, e não somente um dia que não sabem quando vai chegar. Elas são muito conectadas com o processo de aprendizagem e fazem a gestão dele”, pontua.

O Ensino Baseado em Competências é uma alternativa ao modelo de ensino-aprendizagem comum. Ele equipa os jovens com habilidades necessárias para viver bem todas as esferas da vida, deixando-os, assim, mais preparados para enfrentar os cenários profissionais do futuro. Confira também nosso post intitulado 6 coisas que todo professor precisa saber sobre o futuro do trabalho.

 

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