Possibilidades do Ensino Híbrido no Currículo Escolar – Adriano Canabarro Teixeira

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O Ensino Híbrido tem sido o centro de muitas discussões sobre o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes. Será esse o futuro da Educação nas escolas?
Para falar sobre o assunto, entrevistamos Adriano Canabarro Teixeira, secretário de Educação na Prefeitura Municipal de Passo Fundo (RS) e professor titular da Universidade de Passo Fundo.
Veja a conversa na íntegra a seguir.
1) Para quem não conhece você, fale um pouco como e por que se envolveu com o Ensino Híbrido.
Meu nome é Adriano Teixeira, sou professor universitário, há 29 anos, sempre na área de Tecnologias Digitais.
Desde o meu mestrado, doutorado e pós-doutorado, ocupei-me de pensar nesses novos espaços e contextos de aprendizagem exatamente porque acreditava, e acredito, serem as novas bases pelas quais a Educação vai se estabelecer.
A questão do Ensino Híbrido eu já vinha pesquisando havia um tempinho, mas a pandemia fez com que pudéssemos nos aproximar um pouco mais da Educação, dessa demanda que não era nova como demanda de pesquisa.
Exatamente porque acredito que, há um bom tempo, muitas das práticas que executamos na Educação podem ser feitas fora do contexto escolar.
Ou seja, isso trabalha exatamente com a lógica, atividades que estão postas em tempos e espaços diferentes e atividades que ocorrem ao mesmo tempo, sendo que, em relação às realizadas em espaços e tempos diferentes, a Educação perpetua na sala de aula.
Quando fala, o professor é ativo, e o aluno é reativo, já que ele escuta e, assim, é um ser passivo de forma geral.
Como isso se sustentava – há uns 10 anos, 15 anos, pelo menos –, a pesquisa por novos modelos educacionais era inevitável. É um pouco mais recente essa denominação de Ensino Híbrido, mas de qualquer forma ele já se mostrava há um bom tempo como inevitável.
2) O que é Ensino Híbrido e quais as diferenças para o EAD e o Ensino Remoto?
Primeiro vamos diferenciar Ensino Híbrido de EAD e Ensino Remoto. EAD é quando as atividades são predominantemente a distância, com alunos e professores separados no tempo e no espaço.
Ou seja, fazem atividades em momentos em que não estão interagindo com seus colegas de forma on-line, digital ou não.
O Ensino Remoto trabalha com uma lógica de compartilhar tempos, mas não espaços, ou seja, estamos cada um num local, mas conectados ao mesmo tempo, com atividades síncronas de maneira geral.
O Ensino Híbrido se dá quando trabalhamos com atividades executadas em tempos e espaços diferentes pelos alunos, mas existem momentos, geralmente presenciais, de atividades síncronas.
Há vários modelos de Ensino Híbrido, mas essa concepção é a mais inicial e facilitada, acessível, comum, dessa modalidade.
3) Na sua opinião, no contexto atual, qual a importância do Ensino Híbrido para o futuro da Educação?
Na resposta da primeira questão, eu dizia ser inevitável o Ensino Híbrido. E, agora, pretendo trabalhar isso melhor.
Por que é inevitável?
Atualmente, por causa da pandemia e do retorno, nós vamos ter muita coisa pra recuperar, muita coisa a ser trabalhada. Creio que fazer presencial tudo isso e de forma síncrona será impossível.
Nós levaremos muito mais tempo pra colocar em dia as habilidades e as competências que devíamos ter desenvolvido em 2020 e 2021.
Entretanto, independentemente disso, a ideia de Ensino Híbrido abriu uma possibilidade real, e é claro que, quando falamos em Ensino Híbrido, não se podem ignorar Metodologias Ativas, como a Sala de Aula Invertida, por exemplo.
Mas a ideia é que possamos deixar para fora da sala de aula – que é quando a gurizada se junta – todas aquelas atividades que demandam uma passividade maior, tipo ler alguma coisa, ver alguma coisa, analisar alguma coisa e trazer pra dentro da sala de aula, nos momentos síncronos, espaços para interação, para resolver problemas, pra ser criativo.
Então, como temos agora um conjunto de tecnologias que desobriga, dispensa a necessidade de o professor ser um repassador de informações, nós vamos, com a ideia do Ensino Híbrido, qualificar o tempo em que nós estamos juntos.
As instituições que não se deram conta disso ainda estão gradativamente perdendo uma ótima, excelente, potente oportunidade de qualificar a Educação.
4) Quais as competências e as habilidades que os professores precisam desenvolver para aplicar o Ensino Híbrido na sala de aula?
Uma das questões que têm sido muito discutidas ultimamente são as que dizem respeito às Competências Digitais dos docentes. Mas, para podermos começar a conversar, parece-me que duas questões são muito importantes quando se pensa em Ensino Híbrido.
Vejamos: uma é o domínio tecnológico: (dois pontos nesta frase) é necessário que os professores dominem tecnologia digital, isso não é contingencial, isso não é moda, isso não é superficialidade; antes, isso não é algo que é dispensável.
Por quê?
Porque, além de professores, há uma sala específica, ou melhor, cada um de nós tem uma área de formação específica – Matemática, Biologia, Química –, não importa; nós temos de saber muito isso.
Entretanto, nós somos também professores e, como professores, precisamos dominar tecnologias para que possamos ser mais efetivos naquilo que fazemos. Então, dominar a tecnologia digital é fundamental.
A segunda habilidade é relativa às Metodologias Ativas. Se nós vamos, com o Ensino Híbrido, deixar pra fora da sala de aula o encontro dos cérebros dos alunos e dos professores, vamos desprezar tudo aquilo que é passivo.
Eu preciso dominar metodologias para que, quando estivermos juntos, podermos, de fato, mobilizar competências, inteligências e habilidades dessa gurizada. Aí as Metodologias Ativas entram potentes e estrategicamente nesse contexto.
5) Tendo em vista o cenário brasileiro com suas diferenças regionais e, principalmente, as desigualdades sociais, quais seriam os melhores caminhos para a implementação do Ensino Híbrido? O que precisaria ser mudado, estrutural ou socialmente, para que ele se tornasse uma realidade?
A primeira questão é que o Ensino Híbrido não se vincula necessariamente à tecnologia digital. Eu posso trabalhar com Ensino Híbrido com material impresso, com ondas de rádio e com outros recursos de transmissão de informação.
Todavia, de qualquer forma, se eu quiser implementar o Ensino Híbrido, eu preciso pensar na infraestrutura dos meus alunos e dos professores para que eu tenha condições de definir quais são os instrumentos que eu vou utilizar.
Eu tenho de pensar na formação dos professores para que eles possam dominar as tecnologias, sejam elas quais forem, e vamos saber isso pelo diagnóstico a ser feito e também pelas metodologias.
É necessário também trabalhar na criação de cultura; as crianças, os jovens devem saber que no Ensino Híbrido eles têm de estudar em casa e fazer as atividades de casa na sala de aula.
É fundamental trabalhar essa cultura com os pais também para que eles façam parte desse processo.
Então, parece-me que a questão não diz respeito tanto às diferenças regionais e às desigualdades sociais, mas sim à nossa habilidade em poder fazer a pesquisa, em fazer um diagnóstico, fazer um planejamento.
E, a partir disso, executar um modelo de Ensino Híbrido que leve em consideração as diferenças, porque, quando falamos em Educação, as diferenças estão na sala de aula, as diferenças estão dentro da cidade, entre escolas públicas distintas. É importante que possamos partir sempre de um planejamento adequado.
6) Como o Ensino Híbrido pode ajudar a preparar os estudantes para o futuro tecnológico que nos espera, considerando que o mercado de trabalho será formado por profissões que nem existem ainda?
Parece-me que essa questão, essa pergunta, traz nela mesma a resposta. Nós temos um conjunto de profissões que ainda não existem.
É um conjunto bem grande de profissões, num horizonte de tempo não muito afastado, alargado, que ainda não é uma realidade. Ou seja, significa que, na formação, precisamos estabelecer isso agora com essa gurizada que vai ter a capacidade maior ou menor de se adaptar e poder manter-se relevante.
O contexto e o modelo educacional que nós temos é do século passado, literalmente do século passado, e atualmente vivemos em um mundo muito diferente do mundo do século passado.
Se olharmos para a frente, esse mundo futuro é muito diferente do mundo de agora. Para que esses alunos, essas crianças, esses jovens possam futuramente se manter relevantes e dominar ou desenvolver o capital cognitivo necessário para que sejam capazes de se adaptar a aprender coisas novas, eles precisam “aprender a aprender”.
Essa não é uma frase minha nem uma frase nova. Por quê? Porque eles vão ter de continuar aprendendo coisas novas.
Essa lógica de aprender coisa nova é uma lógica que até pouco tempo atrás estava vinculada às instituições presenciais, à escola, à universidade.
Só que essas coisas novas vão ser tão, mas tão diferentes, e tão interdisciplinares, que não vai haver tempo de as universidades e as escolas se adaptarem para poder ensinar o que essas crianças, esses jovens ou, no caso, esses adultos aí vão precisar.
Portanto, eles vão vivenciar muito mais momentos de Ensino Híbrido ou Ensino Remoto do que presenciais. O Ensino Híbrido, como o processo que pode ser a chave, talvez seja uma oportunidade de desenvolvimento de habilidades e competências de aprender independentemente das instituições presenciais, de aprender com pessoas que estão distantes, de aprender de forma mais autônoma.
Então, não somente porque não tem sentido investir nosso tempo com os alunos para fazer coisas que eles podem fazer quando estão longe, o Ensino Híbrido também é importante porque é um aquecimento, uma aproximação dessa gurizada de um modelo educacional que vai estar com eles pelo resto da vida.
7) Como o Ensino Híbrido pode ajudar ou potencializar a Educação Empreendedora? Quais as habilidades empreendedoras ele pode ajudar a desenvolver nos estudantes?
Para que o Ensino Híbrido possa funcionar bem, temos de ter disciplina, temos de ter organização. Quando trabalhamos o Ensino Híbrido dentro da potência que ele apresenta, eu geralmente vou trabalhar nos momentos presenciais com a Metodologia Ativa, com um Design Thinking, uma aprendizagem baseada em problemas ou em projetos.
Em relação a essas vivências, eu também vou ter de dominar ferramentas digitais em diferentes formatos. É imprescindível que eu desenvolva a habilidade de comunicar e sistematizar, de trabalhar em grupo, ou seja, o Ensino Híbrido indissociável, dentro obviamente de uma concepção mais moderna de Ensino Híbrido, indissociável de uma Educação Empreendedora.
Quer saber mais sobre o Ensino Híbrido? Conheça alguns modelos de aplicação desse método neste post.
Para enriquecer seu conhecimento, assista também ao Webinar Possibilidades do Ensino Híbrido no Currículo Escolar, com o professor Adriano, no canal do CER.
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