A importância do professor na formação de agentes transformadores do mundo – Com Thiago Almeida

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O professor tem um papel fundamental na formação integral dos estudantes. Ele é o responsável por dar toda a orientação às turmas em sala de aula , direcionando o desenvolvimento de competências essenciais para o futuro dos jovens.
Desse modo, é importante que os educadores consigam atuar além da transmissão do conteúdo programado. É preciso ter a sensibilidade para entender cada processo de aprendizagem e como as novas metodologias podem ser úteis.
O fundador da Escola Hub, Thiago Almeida, que também é professor, pesquisador e empreendedor educacional, nos deu uma entrevista contando um pouco sobre a sua proposta pedagógica, mostrando também a importância do desenvolvimento e da formação de agentes transformadores do mundo.
1. Como e por que a Escola Hub surgiu?
A escola Hub nasceu com o objetivo de ser não apenas uma instituição que oferecesse um serviço educacional para famílias e estudantes, mas que pudesse ser um agente de mudanças na educação brasileira.
Ela nasceu com o objetivo de desenvolver conhecimento, de desenvolver abordagem pedagógica, de desenvolver expertise em formação de professores, em novos modelos de formação de professores, com o propósito de ajudar a fomentar esse segmento de escolas contemporâneas e de escolas inovadoras no Brasil.
Então, nosso objetivo está para além de ser uma instituição que oferece matrículas a seus estudantes e a suas famílias. Somos uma instituição que quer ter um protagonismo na discussão sobre a mudança na educação.
A escola Hub é resultado de uma trajetória minha, Thiago Almeida, como fundador, com projetos de formação educacional.
Trajetória essa que foi vivida na escola básica, no ensino superior, na educação de adultos, no Brasil, fora do Brasil, e que, num determinado momento, culminou com a visão de que a gente precisava cuidar da base, que a gente precisava olhar para as escolas. Então é daí que tudo veio.
2. Qual é a proposta pedagógica da escola HUB?
A abordagem pedagógica da escola Hub é uma abordagem que se posiciona dentro do paradigma da aprendizagem ativa. Somos uma escola de projetos. O que isso significa? Somos uma escola que adota uma aprendizagem baseada em projetos como eixo estruturante da experiência educacional dos estudantes.
Então a aprendizagem baseada em projetos norteia o formato dos ambientes de aprendizagem, o modelo de trabalho dos professores, a estruturação curricular, a maneira de formar os professores, a avaliação e tudo mais.
Existem escolas que fazem projetos, mas não necessariamente são escolas de projetos. A escola de projetos não tem aula e projeto. Ela tem projetos, e o estudante aprende a partir do projeto.
3. Quais as principais metodologias utilizadas neste novo modelo de ensino e aprendizado aplicado na escola Hub?
Eu já falei um pouco sobre aprendizagem baseada em projetos, mas nós também trabalhamos muito com aprendizagem colaborativa e com diversas técnicas de metodologias ativas, como aprendizagem por problemas, peer instruction, aprendizagem com pesquisa e aprendizagem investigativa dentro dessa linha.
4. Como a pandemia afetou a escola? Quais foram os desafios e as soluções que vocês encontraram?
Como é que a pandemia nos afetou? A pandemia, num primeiro momento, nos exigiu fazer uma transposição do nosso modelo pedagógico presencial para o remoto, e rapidamente a gente percebeu que era impossível fazer uma transposição.
O que a gente tinha de fazer era uma transição e repensar esse modelo. Durante a pandemia, nós mudamos três vezes o nosso modelo pedagógico até acertarmos as coisas, até elas entrarem no eixo.
E foi depois disso que a gente percebeu que tinha conseguido encontrar uma forma de manter toda a atmosfera de aprendizagem criativa baseada em projetos, funcionando minimamente bem num contexto remoto. Isso fez com que todo o nosso time, principalmente o de professores, precisasse desenvolver um olhar, enquanto pesquisador, muito mais aguçado.
5. Na sua opinião, qual deve ser o papel do professor neste cenário pós-pandemia?
Na minha opinião pessoal, independentemente da abordagem metodológica da escola, o professor deveria ser um pesquisador sempre, um investigador da experiência de aprendizagem dos seus estudantes.
Na minha visão, o professor não deveria ser um especialista apenas em conteúdos, um professor especialista em matemática ou em ciências. Ele deveria ser um especialista em metodologias, em avaliação, ele deveria ser um especialista em abordagens de currículo.
A gente coloca muito foco no conteúdo, mas coloca muito pouco foco nas habilidades didático-pedagógicas. Eu entendo que, neste momento pós-pandemia, a gente precisa de professores que tragam mais bagagem, mais repertório didático, metodológico e avaliativo, do que o domínio de conteúdo.
6. Para você, por que a educação tradicional pode limitar a formação integral dos estudantes?
Na minha visão, a educação tradicional pode limitar o desenvolvimento pleno dos estudantes porque é um modelo educacional baseado no professor, centrado no professor, baseado em quem ensina.
A educação tradicional é baseada no ensino. Uma escola tradicional é toda desenhada, assim como uma universidade tradicional é desenhada, para distribuir conhecimento, para levar conhecimento estruturado para estudantes, ela não é focada em aprendizagem.
Uma educação tradicional não é especializada em aprendizagem, como as pessoas aprendem, como vencer dificuldades de aprendizagem, como personalizar caminhos de aprendizagem.
E o grande problema é que isso se choca com as teorias contemporâneas da aprendizagem, que há muito tempo demonstram que ninguém aprende ouvindo. As pessoas aprendem interagindo com seu objeto de aprendizagem, elas aprendem estando ativas no processo. Mas isso já se sabe há muito tempo.
Na escola tradicional, em que o foco é a distribuição de conteúdos, o estudante está passivo, ele tem de memorizar e guardar conteúdo, ele tem de prestar atenção, mas ninguém aprende prestando atenção. As pessoas aprendem interagindo, portanto, elas precisam estar ativas no processo.
7. Como o educador pode se preparar para os novos modelos educacionais que estão surgindo?
Eu acredito que os professores precisam, em primeiro lugar, compreender a sua profissão para além da sua área de conhecimento. Tem um pouco a ver com o que eu disse antes. O professor de matemática, de língua portuguesa, precisa compreender que a docência é uma atividade criativa, que ela exige domínio de determinadas habilidades criativas, que a docência exige domínio do desenvolvimento de habilidades sócio-emocionais dos estudantes, domínio de habilidades de mediação, de habilidades de orientação e de diálogo.
Portanto, para o futuro, a forma de o professor se preparar, na minha visão, exige que esse professor se conecte com campos, com habilidades e competências que não sejam exclusivos da educação, que não sejam exclusivos do seu componente curricular, da sua área de conhecimento. Ele precisa ir em busca de outras abordagens que vão enriquecer a sua condição de gestor da aprendizagem dos estudantes, e não de um narrador de conteúdos e de conhecimentos. É ser um gestor da aprendizagem do estudante que vai permitir que ele crie estratégias que façam sentido para cada estudante, que ele faça a mediação de situações de aprendizagem relevantes, e por aí vai.
8. O que significa ser um estudante “agente de transformação no mundo”?
O perfil do egresso da escola Hub é o do cidadão global que transforma o local, e, na nossa concepção, ser um cidadão global que transforma o local é ser um cidadão do mundo capaz de se conectar com as grandes discussões e com os grandes debates que estejam acontecendo no mundo, e que, de alguma maneira, possam contribuir para a melhoria e o desenvolvimento local.
Transformar o local tem a ver com trazer melhorias e contribuições para sua comunidade, seja ela sua casa, seu bairro, seu condomínio, sua cidade, seja ela o seu país. A gente quer formar pessoas que tenham compromisso e engajamento com a resolução de problemas do mundo e que tenham a capacidade de orientar suas atividades profissionais, sociais, sejam lá quais forem, a fim de contribuir para a melhoria da condição de vida no mundo.
O papel do CER em ajudar os professores na formação de agentes transformadores do mundo
O CER entende a importância de transformar os métodos tradicionais de ensino em uma aprendizagem mais personalizada e voltada ao desenvolvimento de competências essenciais para o desenvolvimento dos jovens.
A Educação Empreendedora é uma ótima aliada nessa formação, trazendo metodologias que promovem o protagonismo do estudante, fazendo com que ele esteja apto a encarar os desafios do mercado de trabalho e da vida adulta.
Para entender melhor como o CER atua, veja um conteúdo sobre a importância da formação de professores e os desafios no contexto da Educação Empreendedora.
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