A importância da escuta ativa na educação

Blog A importância da escuta ativa na educação

10/06/2022
A escuta ativa é um conceito que pode e deve permear o dia a dia de todas as pessoas, fora ou dentro do contexto educacional. Você vai entender melhor o porquê neste post. Aqui trazemos a definição do termo e algumas dicas de aplicação nas escolas. Acompanhe!

O que é a escuta ativa?

Escuta ativa nada mais é do que uma forma responsável, educada e eficiente de ouvir e dialogar com outras pessoas, em que o receptor ouve com 100% de dedicação e atenção o que o interlocutor diz, buscando compreendê-lo. Em linhas gerais, é uma técnica de ouvir com real interesse o que o outro tem a dizer, sendo capaz de criar uma conexão nessa troca.
Além de contribuir para relações saudáveis e verdadeiras, a prática pode ser utilizada em momentos mais específicos, como feedbacks, treinamentos, apresentação de propostas ou mesmo na troca entre aluno e professor, como vamos detalhar mais à frente.

Por que o nome?

De acordo com uma matéria publicada pelo jornal O Tempo, a primeira alusão ao significado de escuta ativa foi feita, em 1957, pelos psicólogos Carl Rogers e Richard E. Farson. Depois, o termo foi citado literalmente pelo também psicólogo Thomas Gordon em seu manual “Parent Effectiveness Training” – em português, “Técnicas Eficazes para os Pais”. Não por acaso, nesse material a prática foi mencionada como uma técnica sugerida para pais ou responsáveis ouvirem as necessidades de seus filhos, apoiando-os no processo de educação.

Como utilizá-la na escola?

O principal direcionador da prática de uma escuta ativa no ambiente escolar deve passar pelo processo de aproximação entre o educador e o aluno. Isso pode ser desenvolvido de várias formas e adequado conforme a faixa etária, mas algumas orientações gerais envolvem:
  • Dar autonomia e criar espaço para o poder de fala dos estudantes.
  • Respeitar o processo dos próprios alunos de criarem desafios para as soluções que surgem no dia a dia.
  • Acolher as crianças e os jovens sem julgamentos, legitimando seus sentimentos.
  • Dar atenção plena às dúvidas e respeitar o ritmo de aprendizado de cada um.

Tem a ver com a BNCC?

Sim, claro! É importante lembrar que a escuta ativa envolve também o desenvolvimento das competências socioemocionais previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em especial estas:
#5 – Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
#8 – Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
#9 – Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
#FICAADICA: um bom caminho para desenvolver essas competências é se valer da Educação Empreendedora, que permite a formação de pessoas críticas, autônomas e com plena capacidade para viver de maneira harmônica em sociedade.

Palavra de especialista

Em um vídeo em formato de live, publicado no canal Educar para Ser Grande, a jornalista e criadora do projeto Sandhra Cabral convida a educadora e professora universitária Angélica Bertozo para falar sobre a importância da escuta ativa no ambiente escolar. Selecionamos alguns trechos da entrevista da convidada que podem apoiar a aplicação do método em sala de aula. Fizemos pequenas adaptações no texto para facilitar a assimilação do conteúdo, sem comprometer a essência do que foi dito. Confira:
“Quando vamos para a sala de aula, temos que tomar cuidado para não irmos contaminados com opiniões externas. Eu preciso saber que o que vou usar naquela sala não vai ser igual em todas as outras […] Alguns pontos que eu acredito que são muito necessários para a escuta ativa em sala de aula:
  • Nos primeiros dias, a escuta deve acontecer, criar vínculo, e esse é o primeiro tópico. A partir disso é que você vai trabalhar o desenvolvimento dos alunos.
  • O segundo tópico é a valorização do aluno. Ele sempre traz conhecimento para nós; então não pense que ele é uma página em branco.
  • O terceiro é o julgamento: não podemos julgar ninguém, muito menos os alunos. Não julgue a forma como ele foi preparado academicamente, porque cada um tem um ritmo.
  • O quarto ponto é a postura comportamental. Para desenvolver a escuta ativa, você tem que saber ler a pessoa antes que ela verbalize – o jeito que entra em sala de aula, que senta, que manuseia o lápis ou a caneta ou mesmo como mexe no celular.
  • O quinto é um olhar afetivo: ele aproxima os alunos, porque muitas vezes eles veem o professor como uma ameaça.
  • O sexto é a escuta com o coração. Na maioria das vezes, o aluno não expõe de forma explícita o que ele precisa. Se for uma criança, por exemplo, você pode sentir isso por meio de desenhos ou músicas.”
Fonte: Conteúdo retirado e adaptado do depoimento publicado no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=8IYqAvHbNTQ

Quais os benefícios?

As vantagens de praticar uma escuta ativa são várias – e em qualquer âmbito da vida, desde o familiar ao profissional. Aqui, especificamente, listamos os benefícios da técnica em um ambiente educacional:
  • Propicia que o estudante aprenda, a partir do exemplo, a escutar o outro.
  • Aumenta o sentimento de confiança.
  • Promove a autorreflexão.
  • Melhora a qualidade da relação entre aluno e professor.
  • Permite que as demandas sejam transmitidas de maneira mais clara.
  • Faz com que as dúvidas sejam esclarecidas com mais facilidade.
  • Possibilita que o processo de ensino-aprendizagem flua melhor.
  • Promove o aumento do sentimento de valorização entre os envolvidos.
  • Resulta em maior transparência no diálogo e menos possibilidade de ruídos.
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