Impactos da pandemia em estudantes da rede pública: conheça o case do NEJ

Blog Impactos da pandemia em estudantes da rede pública: conheça o case do NEJ

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Quando as aulas presenciais foram suspensas em todo o Brasil em meados de março de 2020, um cenário preocupou especialistas em educação e as famílias em todo o Brasil. Como os estudantes da rede pública iriam se adaptar à nova realidade das aulas on-line. Isso porque, segundo a edição de 2019 da pesquisa TIC Educação, quase 40% dos jovens matriculados na rede pública não têm acesso a computador ou tablet em casa. O índice, em contrapartida, entre os estudantes da rede privada é de apenas 9%.
Com realidades tão distintas, é claro que a pandemia impactou o Brasil de formas muito diferentes. E o nível de adaptação e esforço exigido de cada um desses perfis de estudantes e das instituições de ensino também foi diferente.
Conhecça o Núcleo de Empreendedorismo Juvenil o NEJ, projeto do Sebrae. Atende estudantes da rede pública tem se adaptado ao ensino remoto durante a pandemia e conseguido resultados surpreendentes, mesmo em meio a tantos desafios.

O que é o NEJ

Antes de mais nada, vamos apresentar o NEJ. O Núcleo de Empreendedorismo Juvenil (NEJ) é um projeto da Escola de Formação Gerencial do Sebrae (EFG) e recebe jovens de 16 a 24 anos que estejam cursando ou já tenham concluído o ensino médio na rede pública. Os selecionados têm acesso a formação técnica em Administração com ênfase em Gestão de Negócios, de forma totalmente gratuita, durante um ano. A metodologia de educação empreendedora do NEJ alia teoria à prática. O que permite que os estudantes tenham contato com o mundo dos negócios e desenvolvam projetos pensados para empresas e situações reais, um grande diferencial na formação para o mercado de trabalho.
Conheça mais sobre o NEJ neste post
Com mais de 250 estudantes matriculados no início de 2020, a escola viu sua realidade mudar em pouquíssimo tempo, assim que o anúncio da suspensão das atividades presenciais foi feito. Com dificuldades financeiras em casa e a necessidade de conciliar trabalho e estudo, o índice de evasão entre os estudantes do NEJ aumentou bastante e apenas 102 conseguiram concluir o ano letivo. No período, muitos estudantes perderam o emprego e outros, os que trabalham com apps de entrega, por exemplo, dobraram o horário de trabalho para gerar mais renda para a família, gerando a necessidade de se afastarem dos estudos.

Como o NEJ se adaptou à realidade da pandemia

Para entender como atender aos estudantes nesse novo cenário, o primeiro passo que a escola deu foi conduzir uma pesquisa relacionada ao acesso à internet. “Nem todos têm esse acesso fácil. Identificamos que alguns acessavam por telefone emprestado ou mesmo do local de trabalho, eram diversas realidades”, explica Fernanda Azzi, diretora do NEJ.
No início, a opção foi disponibilizar todo o material no Google Drive, já que, por meio da pesquisa, percebeu-se que não seria viável trabalhar com transmissão de aulas ao vivo, por conta da dificuldade de acessibilidade. “Também estabelecemos um prazo maior para as provas e atividades avaliativas. Mas dentro do que imaginamos, a experiência foi muito bem sucedida. Considerando que o ano foi todo praticamente feito por ensino à distância, o resultado do trabalho de conclusão, por exemplo, foi surpreendente”, conta Fernanda.
Segundo a diretora, as metodologias pedagógicas foram todas adaptadas e a escola ofereceu também um suporte especial para questões psicológicas.

Tutoria e projeto de conclusão: surpresas positivas em meio à pandemia

Um dos projetos do NEJ é o Tutoria, considerado o primeiro contato dos jovens com o mundo dos negócios, por meio da tutoria de um empresário que abre as portas de sua empresa para os estudantes. No entanto, o Tutoria foi realizado logo no início da pandemia e a impossibilidade dos encontros presenciais alteraram a dinâmica do projeto. As sessões passaram a ser realizadas de forma on-line e com um empresário que se dispôs a atender a um número maior de estudantes, por conta da dificuldade dos grupos em encontrar tutores com empresas abertas e dispostos a participarem.
O saldo foi mais que positivo: o tutor eleito não só abriu as portas de sua empresa como convidou os estudantes do NEJ a acompanharem toda a adaptação que o negócio teve de fazer por conta da pandemia. Por se tratar de uma empresa do ramo alimentício, os cuidados de higiene e a transição para um modelo de negócios baseado totalmente em delivery foram as soluções encontradas.
Outra surpresa boa veio com o trabalho de conclusão de curso, chamado no NEJ de Projeto Vitrine. Antes da pandemia, o Vitrine era baseado na experiência em campo e prática em ambiente simulado, em que os estudantes desenvolvem uma proposta real de negócio. Adaptado, o projeto foi todo feito de forma on-line, da pesquisa de mercado à apresentação para a banca avaliativa.
Para o professor Alexandre do Vale, um dos mentores do Vitrine, o resultado final foi motivo de muito orgulho. “O Vitrine é um trabalho muito robusto, que exige uma entrega muito grande. Mas conseguimos minimizar os impactos da pandemia com a tecnologia, com acesso simplificado aos documentos. Claro que os encontros presenciais fizeram falta, mas sentimos que os estudantes começaram a valorizar mais o trabalho em grupo, eles se organizaram para tirar o melhor proveito desses momentos, mesmo que com a interação somente on-line”, conta o professor. Ao final, o resultado dos planos de negócios apresentados pelos jovens não deixou nada a dever aos trabalhos dos anos anteriores e o professor Alexandre até se emociona ao enumerar os desafios que os jovens enfrentaram na escola e em suas vidas pessoais e a maneira como contornaram esses obstáculos. “Considerando o contexto o resultado foi surpreendente”, diz ele.
E a sua escola, como se adaptou à realidade imposta pela pandemia? Conheça a história de outras escolas em Minas Gerais e como elas superaram os desafios do período de aulas on-line.
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