Inteligência artificial no ensino superior: como usar?

Blog Inteligência artificial no ensino superior: como usar?

07/04/2020

Estamos passando por um período bastante desafiador em razão de uma pandemia do novo coronavírus, a COVID-19. Todos os setores estão sendo impactados e com a educação, não é diferente. 

O número de estudantes fora da sala de aula já é superior ao de jovens que seguem indo à escola em todo o mundo, e a tendência é que esse número aumente ainda mais nos próximos dias. Por isso, a educação on-line tem sido uma grande aliada das instituições de ensino ao redor do planeta. Aquelas escolas que já haviam passado por uma transformação digital saem na frente, com infraestrutura e metodologia adaptadas para o ensino a distância (EAD). Outras instituições, no entanto, tentam fazer o melhor com o que podem e se têm aventurado nas  videochamadas, na produção de conteúdo para o YouTube, dentre outras alternativas. 

Pensando nisso, o CER preparou uma série de conteúdos especiais para o momento. Nossa intenção é sanar suas dúvidas e oferecer ferramentas visando dar o suporte necessário durante esse período de educação on-line. Esperamos que goste! Boa leitura!

Inteligência artificial no ensino superior: como usar?

A Inteligência Artificial (IA) é uma realidade em vários setores como saúde, bancos e startups, por exemplo. Nesse sentido, outro setor que possui forte potencial para a Inteligência Artificial, mas o qual ainda é pouco explorado no Brasil, é a educação. Por isso, a Inteligência Artificial no ensino superior pode ser uma ferramenta essencial para transformar a realidade dos alunos. É um desafio para diretores e coordenadores de cursos, que devem se manter atualizados sobre as principais tendências para implementá-las.

Primeiramente, a Inteligência Artificial deve ser compreendida em sistemas de computador que imitam o comportamento humano. Definida como o desenvolvimento de sistemas de computador que usam raciocínio, lógica e outras características humanas para executar tarefas de forma independente, a IA oferece maneiras para as organizações otimizarem processos e fluxos de trabalho por meio da automação.

Ou seja, é inegável que as oportunidades e os desafios traçados por essa tecnologia sejam significativos em relação ao ensino superior.

Por exemplo, as faculdades e as universidades enfrentam desafios como: estudantes desmotivados, taxas elevadas de evasão e pouca (ou nenhuma) otimização de processos. Nesse contexto, a Inteligência Artificial pode auxiliar na resolução de problemas. Quer saber como? Continue a leitura deste post para entender a fundo.

Inteligência Artificial no ensino superior: uma realidade cada vez mais próxima

Quando usamos a análise de big data e a Inteligência Artificial no ensino superior corretamente, muitas experiências de aprendizado personalizadas podem ser criadas. Isso, de alguma forma, pode ajudar a resolver os principais desafios enfrentados por diretores e coordenadores de cursos. Sendo assim, como usar esse recurso tecnológico?

Aprendizagem personalizada

Oferecer um sistema educacional segundo as necessidades de cada estudante era praticamente impossível no passado. Atualmente, essa realidade começou a mudar! E qual o benefício da personalização? Com conteúdo mais direcionado, todos os alunos podem desfrutar de uma abordagem educacional única, adaptada às suas necessidades e habilidades. Consequentemente, isso aumentaria a motivação dos estudantes e reduziria os números de evasão nas faculdades.

Já para os professores, a Inteligência Artificial permitiria melhor compreensão do processo de aprendizagem dos estudantes. Seria uma boa razão para ensinar com mais eficiência.

Mas e na prática? Como isso se daria? Bom, os sistemas de aprendizado baseados em IA podem entregar informações úteis sobre as dificuldades enfrentadas por cada indivíduo, bem como identificar aqueles alunos que estejam com bom desempenho. Outro aspecto relevante é a possibilidade de antecipar algumas informações para que os professores possam trabalhar especificamente no problema.

Nesse sentido, a fim de que um sistema desses funcione, é necessário treiná-lo a partir de big data. Ou seja, ter um grande volume de dados e algoritmos que possibilitem o funcionamento correto da IA. Leia mais sobre como a Inteligência Artificial pode contribuir para o aprendizado.

Plataformas adaptativas

Partindo ainda dessa ideia sobre o aprendizado mais personalizado, temos também o exemplo das plataformas adaptativas. Elas propõem um caminho para o aprendizado individualizado com base no conhecimento prévio sobre os usuários.

Tais plataformas coletam dados da experiência de uso, fazem uma análise e sugerem um percurso ao aluno. E, claro, o uso mais efetivo desse tipo de inteligência artificial é quando ela está integrada à sala de aula.

Valendo-se do mapeamento de dados dos estudantes, os professores obtêm relatórios para acompanhar os alunos ou toda a turma. O papel do docente nesse momento é fundamental, uma vez que é ele quem precisa entender como extrair os dados visando fazer o planejamento e as avaliações em cima disso.

Alguns exemplos de plataformas adaptativas:

  • Smart Sparrow: é destinada aos ensinos médio e superior e é a  plataforma precursora em permitir que qualquer um crie o próprio curso interativo e adaptativo.
  • Wiley e Snapwiz: plataforma de ensino adaptativo com ambiente de aprendizagem on-line com foco em prática, pesquisa, colaboração,bem como avaliação de pontos fortes e necessidades do aluno.

Dados pessoais são peças-chave para a Inteligência Artificial no ensino superior

Claro que a tecnologia ainda tem um longo caminho a percorrer, mas é cada vez mais notório o quanto os dados são importantes em qualquer instituição. E, para que o aprendizado personalizado funcione, é necessário ter um grande volume de dados sobre os estudantes.

Antes de mais nada, porém, não podemos nos esquecer de que é crescente a preocupação com a privacidade dos nossos dados. E em relação aos alunos não seria diferente. Por isso, tal processo precisa ser feito de maneira ética, segura e transparente.

As práticas de recrutamento de estudantes mudarão

Outro ponto sobre a Inteligência Artificial no ensino superior é que as equipes de recrutamento das faculdades poderão concentrar seus esforços e criar algoritmos inteligentes. Esses algoritmos serão usados para prever aqueles candidatos com maior probabilidade de aceitação e inscrição, com informação a respeito de estados e países originários.

Além disso, tais algoritmos podem determinar os alunos matriculados com maior probabilidade de progredir, de se formar e de se tornarem ex-alunos envolvidos. Já pensou que incrível?

Chatbots podem fornecer ajuda personalizada

É possível também que chatbots  ofereçam um aprendizado personalizado. Um benefício da criação de chatbots nas universidades é que, para responder às perguntas dos alunos, um grande volume de dados (big data) seria obtido. Assim ficaria mais fácil saber as áreas de interesse deles e suas principais dificuldades.

Universidades como a Staffordshire, no Reino Unido, e a Georgia Tech, nos EUA, lançaram chatbots que oferecem respostas 24 horas por dia e, durante 7 dias da semana, respondem às perguntas mais frequentes dos alunos.

Além de ser barato e eficiente, os chatbots viram um auxílio extra ao professor e até mesmo aos setores administrativos. Os estudantes também sentem menos vergonha ao errar quando estão diante de um robô. Um exemplo para ilustrar esse caso, seria o Duolingo, aplicativo pioneiro para o aprendizado de diversos idiomas por meio da conversação.

No Brasil, um dos primeiros chatbots na educação foi a “Professora Elektra”, desenvolvida em 2002, por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O tutor virtual auxilia o aprendizado de estudantes em cursos a distância, estando no ar até hoje! O sistema foi inspirado no primeiro robô educacional do mundo, chamado Alice, e criado em 1995, na Lehigh University.

A Inteligência Artificial no ensino superior pode ajudar jovens com deficiência

Melhorar a experiência de aprendizado dos estudantes com deficiência é mais uma vantagem possível e promissora da Inteligência Artificial. Em algumas universidades brasileiras, como a Universidade de Taubaté, em São Paulo, professores estão munidos da IA para melhorar a autonomia das pessoas com deficiência por meio de algoritmos. Por exemplo, alguns aplicativos ajudam cegos a reconhecer imagens, cédulas de dinheiro e acessar materiais impressos.

Há também aqueles sistemas que criam automaticamente legendas de vídeos para surdos e deficientes auditivos. Ou ainda, ferramentas de conversão de texto para fala usando apenas o movimento dos olhos, destinado a pessoas com algum tipo de deficiência física.

É inegável que ainda existem muitos desafios a ser resolvidos quando se fala em Inteligência Artificial no ensino superior, principalmente no Brasil. O ponto crucial é como as instituições educacionais poderão preparar melhor seus alunos baseando-se em novas tecnologias.

Sendo assim, é importante também que os estudantes entendam que, no futuro, tarefas mais repetitivas serão automatizadas e executadas por robôs, por exemplo. No entanto, sempre haverá funções que exigirão habilidades criativas, cognitivas e de Inteligência Emocional.

Gostou do conteúdo? Leia também: Tendências da Educação nas quais ficar de olho em 2020.

 

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