Inteligências múltiplas: qual sua importância para o desenvolvimento de habilidades?

Blog Inteligências múltiplas: qual sua importância para o desenvolvimento de habilidades?

15/03/2022
Há grandes chances de você concordar que avaliar uma pessoa apenas por sua aptidão lógico-matemática seria parcial e insuficiente, não é mesmo? Se assim for, você provavelmente já conhece ou achará a teoria das múltiplas inteligências, de Howard Gardner, muito assertiva.
Pois é. O que talvez você não saiba é que, quando os estudantes faziam os famosos testes de QI (Quociente de Inteligência), o que era avaliado, na verdade, era o raciocínio – hoje conhecido como – “lógico-matemático”. Mas por que alguém com maior facilidade com os números deveria ser considerado mais inteligente? Como seria uma boa maneira de avaliar e desenvolver habilidades variadas nas pessoas, que claramente também não são iguais? Todos os gênios conhecidos eram excepcionais nesse tipo de raciocínio?
É aí que entra a “teoria das inteligências múltiplas”. Continue lendo para entender melhor.

Howard Gardner e sua teoria de inteligências múltiplas

Howard Gardner é psicólogo cognitivo, e, quando o assunto é educação, ele é um dos mais conhecidos e renomados autores em todo o mundo. Em suas pesquisas e publicações, ele buscou entender se as aptidões intelectuais humanas seriam suficientes para avaliar uma pessoa.
Gardner também é o criador do The Good Project, que promove excelência, engajamento e ética na educação, preparando estudantes para se tornarem bons profissionais e cidadãos; para serem pessoas que contribuam com o bem-estar geral da sociedade. Saiba mais aqui (COLOCAR LINK DO MATERIAL PUBLICADO).
Segundo o autor, a avaliação de QI não era capaz de medir competências e habilidades reais, o que o tornava parcial e insuficiente. E, em seus estudos, ele analisou profundamente o cérebro humano e chegou a conclusões empíricas sobre os diferentes tipos de inteligência (consideradas como o potencial para resolver problemas e criar coisas valorizadas no contexto social e histórico).
Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas no início da década de 1980. Para ele, cada pessoa tinha um valor relativo – não absoluto – de competências mentais. Isso mesmo. Enquanto uma pessoa pode ter grande aptidão numérica e dificuldade no uso das palavras, outra pode ter facilidade nas relações interpessoais e capacidade única para resolver problemas.

As inteligências múltiplas

A princípio, depois de seus estudos, Gardner concluiu que havia sete inteligências:
  • Inteligência Lógico-Matemática: capacidade de fazer operações numéricas e dedutivas.
  • Inteligência Linguística: relacionada à habilidade de aprender idiomas variados e de usar a fala e a escrita para atingir objetivos, como é feito na comunicação interpessoal, por exemplo.
  • Inteligência Espacial: habilidade de compreender, reconhecer e manipular situações em que a visão é importante.
  • Inteligência Físico-Cinestésica: capacidade de utilizar o corpo, ou seja, os movimentos corporais para resolução de problemas ou criação de algo. Pode ser compreendida como uma “inteligência corporal”.
  • Inteligência Interpessoal: a maneira como as intenções e os desejos das pessoas são compreendidos. Está diretamente ligada a como o indivíduo se relaciona com outras pessoas e em grupo.
  • Inteligência Intrapessoal: diferentemente da anterior, está relacionada ao desenvolvimento de um autoconhecimento, de maneira que esse entendimento de si mesmo possa ser usado para tomar atitudes que visam a alcançar certos objetivos.
  • Inteligência Musical: é o que muitos chamam de ‘talento musical’, ou seja, a aptidão para apreciar, compor ou tocar padrões musicais.
Foi apenas mais tarde que ele sugeriu a união das inteligências inter e intrapessoal e o acréscimo de outras duas:
  • Inteligência Natural: relacionada à capacidade de reconhecer e classificar espécies da natureza.
  • Inteligência Existencial: a habilidade de desenvolver reflexões sobre temas da nossa vida, aquelas questões fundamentais da vida humana.
Essas inteligências múltiplas viriam transformar o processo de avaliação e aprendizagem em escolas ao redor do mundo.

O efeito da teoria no desenvolvimento de habilidades

Nem todos os alunos precisam ser bons engenheiros (mas, se quiserem, podem), assim como não têm necessidade de ter grande aptidão musical (idem). Embora as inteligências múltiplas conversem entre si, e um desenvolvimento integral seja importante, a teoria de Gardner mostra que existem habilidades diferentes para cada atividade. E não ser capaz de executar uma tarefa não torna ninguém mais ou menos inteligente.
A educação e as oportunidades vivenciadas ao longo da vida são imprescindíveis para o desenvolvimento das competências mentais. É por isso que escolas de todo o mundo começaram a repensar metodologias para oferecer aos estudantes uma formação que englobasse as diferentes competências, permitindo que eles se interessassem e desenvolvessem por variadas vias.
Na prática, a habilidade lógico-matemática continua extremamente importante, mas há cada vez mais consenso de que competências socioemocionais e aspectos cognitivos também são fundamentais e devem ser desenvolvidos em projetos pedagógicos integrais.

A Educação Empreendedora e as múltiplas inteligências

Quando se enxerga o aluno por todas as competências que ele possui e que podem ser desenvolvidas, é possível entender que esse deve estar no centro de seu processo de ensino-aprendizagem. Da mesma forma, fica cada vez mais claro que a personalização do ensino deve ser um objetivo se quisermos oferecer oportunidades de desenvolvimento para todos.
Por esse motivo, docentes, gestores educacionais e até mesmo familiares precisam se atualizar, para que não acabem limitando o aprendizado, ao invés de expandi-lo.
Existem competências que devem ser fomentadas e desenvolvidas desde a primeira infância (a inteligência linguística, por exemplo), e cabe ao plano pedagógico entender essas diferentes necessidades e oferecer metodologias que possibilitem tal evolução.
Uma grande aliada nesse desenvolvimento integral é a Educação Empreendedora, de preferência desde o ensino fundamental. Afinal, quando valoriza o protagonismo dos estudantes, formando-os para que sejam cidadãos capazes de trabalhar em grupo, analisar situações, fazer perguntas e buscar soluções para problemas reais, a Educação Empreendedora valoriza o que cada aluno tem de melhor, sem deixar nenhuma competência de lado.
Embora tenhamos avançado, alguns tipos de habilidades são comumente colocadas como menos importantes e até relegadas a um segundo plano. Que tal entender a importância das artes para o desenvolvimento dos estudantes? Clique aqui e acesse.

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