LARP e dramatização: Entenda tudo sobre esse conceito!

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LARP (sigla para Live Action Role Playing, ou, em português, Dramatização de Papel ao Vivo, em tradução livre) é uma ferramenta de ensino também conhecida como FLER (Ferramenta Lúdica de Ensino por Representação).
O LARP é uma prática criada com base no RPG (Role Playing Game), jogo de mesa em que os participantes assumem o papel de personagens e criam narrativas com base em regras predeterminadas para aquele universo no qual o jogo acontece.
Enquanto o RPG tradicional é jogado com os participantes sentados em volta de um tabuleiro, apenas imaginando e narrando as histórias, o LARP é encenado. Os jogadores criam vestimentas, armas, até mesmo os cenários do jogo, e dramatizam seus personagens como se estivessem em um filme ou em uma peça de teatro.

LARP na sala de aula

A ideia de levar o LARP para a sala de aula veio de Alessandro Reis, a quem se credita a criação do conceito de FLER. O LARP (ou FLER) em sala de aula, por ter sido inspirado no RPG, tem os mesmos princípios desse jogo. Cada estudante recebe o papel do personagem que deve interpretar, e todos têm de trabalhar em conjunto para resolver um problema proposto.
O tema do jogo e a questão a ser resolvida podem ser definidos pelo professor ou em conjunto com os próprios estudantes, com base no que está sendo estudado no momento. Os estudantes recebem do educador somente o nome do personagem que vão interpretar e a sua função no jogo cabendo a eles pesquisar o conteúdo da matéria que está sendo trabalhada para conseguir jogar.

Benefícios do LARP como ferramenta educadora

O objetivo do LARP é fazer com que os alunos estudem não para passar em uma prova, mas para decifrar um enigma de um jogo. Dessa forma, o aprendizado deixa de ser massante e passa a ser muito mais dinâmico, visto que o estudante está engajado em algo diferente, interessante e divertido.
A atividade lúdica torna o aprendizado muito mais leve e fácil de ser fixado. O estudante aprende sem perceber, enquanto se diverte e interage com os colegas. Posteriormente, o conhecimento aprendido dessa forma será usado para que esse aluno passe pelas avaliações curriculares da escola.
Além disso, o LARP também estimula a sociabilidade, a comunicação e a interação entre os estudantes. Ao interpretarem os personagens, eles precisam discutir possibilidades e trabalhar em grupo para resolver o problema.

LARP e os novos conceitos de ensino

Todo profissional da Educação conhece as dificuldades atuais de ensinar. Com a tecnologia cada vez mais presente em sala de aula, na forma de smartphones, tablets e notebooks, atrair e manter a atenção dos educandos tem se tornado um desafio cada vez maior.
Nesse cenário, o LARP pode surgir como uma alternativa inovadora. Essa ferramenta aparece dentro de um novo conceito, chamado de gamificação. Com origem no termo em inglês “gamification”, a gamificação é o uso de características e mecânicas próprias de jogos para engajar os estudantes e facilitar sua aprendizagem.
Aliado a isso, outro conceito que pode ser utilizado para adequar o ambiente de ensino às atuais gerações é o Ensino Baseado em Experiência. Ele se baseia no princípio de que as experiências vividas por uma pessoa podem marcá-la pelo resto da vida, sendo elas boas ou ruins. Portanto, transmitir conteúdos por meio de vivências é muito mais eficiente do que apenas a escrevendo na lousa.
O LARP une esses dois conceitos de forma lúdica, baseando-se em um jogo já conhecido pela maioria dos jovens – o RPG. Assim, ele pode ser uma importante ferramenta para contornar dificuldades de atenção e foco.

O exemplo dinamarquês

No Brasil, o Larp ainda é pouco aplicado, mas na Europa o cenário é diferente. Uma escola em Hobro, na Dinamarca, tem sua estrutura pedagógica totalmente baseada no LARP. Em Østerskov Efterskole, como a escola é chamada, todas as aulas são ministradas em forma de dramatização. Toda semana um novo jogo é iniciado, e as matérias vão sendo ensinadas naquele contexto.
A escola leva a metodologia tão a sério que conta com diversos figurinos de personagens: roupas medievais, capas, armaduras, espadas e elmos. Faz parte do LARP a caracterização dos participantes como os personagens que interpretam, buscando tornar a experiência mais marcante e realista.
Assim como as roupas e objetos ajudam a compor o LARP e potencializar o resultado da experiência para os estudantes, outro tipo de ferramenta vem ganhando espaço e pode também ser usada nas dramatizações: as tecnologias vestíveis.
Tecnologias vestíveis, do inglês wearables, são peças de roupa que trazem consigo o conceito de Internet das Coisas – ou seja, são óculos de realidade virtual, smartwatches, peças “usáveis” conectadas à internet.
Esses objetos podem ser úteis tanto para complementar e facilitar aulas comuns, quanto para fazer parte da caracterização de práticas de LARP, não apenas como componente do figurino, mas também como utilitário para ajudar no estudo do tema do jogo e na sua resolução.

Conclusão

Inúmeras metodologias, conceitos e ferramentas vêm sendo criadas nos últimos tempos com o propósito de aprimorar e complementar a educação tradicional. Esta última vem se tornando cada vez mais defasada, entre outros motivos, por conta do aumento do acesso à tecnologia.
O LARP surge, então, como uma metodologia ativa de aprendizagem, ou seja, ferramenta capaz de auxiliar professores e estudantes na busca por um ensino e um aprendizado mais dinâmico, interativo e eficaz. Aliado a outros conceitos e ferramentas, ele pode colaborar para uma educação mais efetiva.
Uma questão a ser considerada na implementação do LARP em sala de aula é que ele foi pensado, a princípio, para ser uma atividade complementar, portanto algo diferente da rotina comum dos estudantes. É preciso ter cuidado para não banalizar a atividade, realizando-a aleatoriamente.
Exemplos como o da escola dinamarquesa podem ser seguidos, mas com planejamento e objetivos claros, de forma a inserir verdadeiramente a ferramenta no dia a dia dos estudantes e não torná-la algo banal. Desse modo, educadores e educandos passam a contar com uma técnica de ensino promissora.
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