MERCADINHO PEDAGÓGICO: ALUNOS QUE INVESTIRAM NO CONHECIMENTO

Blog MERCADINHO PEDAGÓGICO: ALUNOS QUE INVESTIRAM NO CONHECIMENTO

24/02/2022
O Mercadinho pedagógico,  é um projeto que elevou o nível de engajamento dos alunos de 40% para 95%, em menos de três meses. Desenvolveu as disciplinas previstas no plano pedagógico. Além disso ainda promoveu aprendizados alinhados à Educação Empreendedora.
Essa experiência de sucesso é da Escola Municipal Pingo de Gente, em Marzagão (GO). Partiu de uma ideia da pedagoga Rainara Martins da Silva, incorporada por toda a equipe de educadores da instituição, que promoveu a ação para todas as turmas, do 1º ao 5º ano, num total de 155 alunos.
O DESAFIO: AULAS REMOTAS E BAIXO ENGAJAMENTO
O segundo bimestre escolar de 2021, com aulas remotas, chegava ao fim, e o nível de aderência dos alunos na realização e entrega das atividades pela plataforma online girava em torno de 40%. Rainara, pedagoga da Escola Municipal Pingo de Gente, pensava continuamente em alternativas para superar esse obstáculo, que representava muitos prejuízos à aprendizagem dos estudantes. Foi quando lembrou das iniciativas de Educação Empreendedora que propunham ações com a dinâmica de mercadinhos, baseadas em transações comerciais e financeiras.
“Era um caminho, mas ainda existiam dúvidas sobre como atrelar essa proposta ao déficit de engajamento, em um contexto de aulas remotas, criando sentido para os alunos e despertando o interesse de participação”, relembra a idealizadora.

A SOLUÇÃO: PEDAGOGIA COM VALOR

Depois de começar a rascunhar suas ideias, Rainara se reuniu com outra professora da escola e concluiu a estruturação do projeto. A ideia era entrar em vigor no terceiro bimestre, entre agosto e outubro, para todas as disciplinas escolares do 1º ao 5º ano. “Foi tudo desenvolvido com um olhar de muito carinho, pensando em reduzir ao máximo o prejuízo escolar das crianças pela falta das aulas presenciais, e considerando as necessidades que tínhamos, tanto educacionais quanto sociais”, pontua a pedagoga.

A poupança

No decorrer da semana, os alunos receberiam as atividades e deveriam entregá-las concluídas até às sextas-feiras. A cada tarefa concluída e entregue, eles somavam uma quantia, que ficava depositada em uma poupança virtual. Ao final do bimestre, o valor seria trocado por dinheiro físico (notas fictícias), para ser usado no Mercadinho Pedagógico. Ele foi montado no espaço da escola, que se manteve aberta extraordinariamente para a ação.
O plano foi detalhado e considerou quantidade de atividades, valor individual, montante final máximo; até porque a intenção era que os alunos se engajassem durante toda a jornada, e era preciso ter o cuidado de não elevar muito os custos da ação. “A aceitação foi ótima, tanto pela escola e pela Secretaria de Educação quanto pelos alunos e pelos pais. Fazíamos o controle dos valores e, ao final do mês, divulgávamos nas turmas quanto cada aluno tinha acumulado, e eles ficavam muito animados com a soma! Já nas primeiras semanas de agosto, percebemos que o engajamento com as tarefas aumentou de 40% para 50%, e seguiu crescendo”, recorda Rainara.

A viabilização

Era necessário arrecadar o valor para comprar os produtos do Mercadinho. Houve doações da equipe da escola e de vereadores da cidade, mas era preciso um montante maior. Foi então que a escola lançou o concurso Garoto & Garota Primavera, que propunha a venda de bilhetes, a fim de recolher a quantia necessária para a ação. O menino e a menina que mais contabilizassem tíquetes vendidos seriam reconhecidos como os vencedores do concurso em uma cerimônia no dia do Mercadinho Pedagógico, assim como a professora com os melhores índices de venda, que seria consagrada como “Professora Primavera”. Os valores necessários foram atingidos com folga, e os passos seguintes foram dados.

O mercadinho

Até outubro, o índice de aderência às atividades alcançou 95%. Os alunos estavam altamente interessados e até cobravam os pais quando precisavam que o dispositivo eletrônico fosse liberado para que participassem das aulas e realizassem os trabalhos. Com tanta participação, era hora de colocar o Mercadinho em prática e deixar que as crianças experimentassem o resultado de tanta dedicação.
O evento foi realizado próximo ao Dia das Crianças (em 12 de outubro), e cada item disponível para a compra foi pensado com muito cuidado pela equipe escolar, considerando idades variadas e a boa qualidade das mercadorias, que iam de doces e brinquedos até material escolar. Os alunos chegavam à escola, sacavam o dinheiro acumulado na poupança virtual na forma de notas fictícias e partiam para as compras.
“Ver o brilho no olhar deles foi incrível. Os preços estavam explícitos, e eles não tiveram dificuldade com a parte financeira. Apenas as crianças do 1º ano fizeram as compras acompanhadas dos pais; nas demais séries, todos foram sozinhos, para que pudessem fazer as escolhas com autonomia. Eles somavam, analisavam as opções e tomavam suas decisões com muita sensatez. Duas irmãs resolveram somar a quantia de cada uma delas para comprar uma boneca que era mais cara”, recorda a educadora, que viu como fator positivo a realização da ação próximo ao Dia das Crianças, pelo fato de ter até contribuído para que alunos um pouco mais carentes também tivessem um presente na data.

O RESULTADO: TRANSFORMAÇÕES E FOCO NO FUTURO

O projeto foi um sucesso na comunidade, despertando interesse de outros municípios em realizar a iniciativa. Extrapolando as redondezas, o Mercadinho Pedagógico conquistou o 1º lugar na etapa estadual do Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora 2021, e a escola segue na expectativa para o resultado nacional, previsto para abril de 2022. Mais do que o reconhecimento externo, o trabalho em Marzagão rendeu transformações importantes a seus integrantes.
“Foi um marco na minha carreira. Essa foi a primeira vez que atuei no município onde moro, depois que me formei. E foi uma honra desenvolver um projeto que preencheu tantas necessidades, de forma tão efetiva. Elevamos o nível da participação dos alunos, trabalhamos conceitos da Educação Empreendedora, as crianças desenvolveram conhecimento financeiro, capacidade de análise e autonomia, e ainda suprimos necessidades sociais. A Educação Financeira veio para ficar como mais um tema a ser trabalhado na escola. E eu sigo focada em planejar novos projetos que trabalhem aspectos importantes para a educação integral dos alunos”, conclui.
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