Metodologias ágeis: benefícios de sua aplicação na educação

Blog Metodologias ágeis: benefícios de sua aplicação na educação

03/03/2022
Muito frequentemente citadas no mundo do trabalho, as metodologias ágeis são importantes aliadas daqueles que buscam uma atuação proativa, eficiente, flexível e centrada nas pessoas. E você sabia que elas também são extremamente úteis quando falamos de educação e das práticas pedagógicas?
Os benefícios de sua aplicação são muitos. Continue lendo para entender!

O que são as metodologias ágeis?

As metodologias ágeis surgiram em um manifesto redigido por 17 desenvolvedores de software em 2001. No documento, eles apresentavam seus quatro valores fundamentais e doze princípios que regiam a elaboração de projetos. O objetivo era eliminar atividades improdutivas e problemas comuns enfrentados na época.
O manifesto refletia um movimento que já ocorria, mas sua publicação impactou empresas e comportamentos profissionais de maneira disruptiva, ultrapassando os limites do desenvolvimento de softwares.
Em resumo, as metodologias ágeis propostas no manifesto incluíam centralidade nas pessoas, flexibilidade, adaptação às mudanças, engajamento, ritmo constante, colaboração, foco no essencial e autoavaliações periódicas, sempre com o objetivo de ser cada vez melhor e mais eficaz. Na prática, era mais indicado se ater menos aos processos do que às pessoas. Saber se adaptar às alterações que podem surgir em qualquer etapa do projeto e construir em conjunto a fim de obter um resultado mais eficaz.
Hoje em dia, existem diversas metodologias ágeis de gestão que envolvem tais valores e são aplicadas em empresas de todo o mundo. E na educação não é diferente!

Afinal, a educação pode ser ágil?

De acordo com o Guia Ágil, desenvolvido pela Agile Alliance e o PMI, docentes dos ensinos fundamental, médio e superior já usam práticas ágeis para criar uma cultura de aprendizagem. O guia enfatiza que ”tais técnicas ágeis são usadas para estabelecer foco na classificação de prioridades concorrentes. A interação face a face, o aprendizado significativo, as equipes autogerenciáveis e o aprendizado incremental e iterativo que exploram a imaginação são princípios ágeis que podem mudar a mentalidade na sala de aula e fazer avançar os objetivos educacionais”.
Traduzindo os valores para a sala de aula
Se analisarmos os valores do manifesto ágil, fica claro como as metodologias são utilizadas e devem ser ainda mais valorizadas nas escolas:
Indivíduos e interações mais do que processos e ferramentas
Quando falamos de “metodologias ativas de ensino”, sempre abordamos a importância de colocar o estudante como protagonista do próprio ensino-aprendizado. Ele e as interações com colegas, docentes e recursos são mais importantes do que os modelos conteudistas e padronizados. O que traz à luz a personalização do ensino, que ganha força na educação por entender que cada indivíduo é único e possui maior ou menor aptidão de acordo com o conhecimento e as habilidades exploradas.
Software em funcionamento mais que documentação abrangente
Aqui, se trocarmos a palavra “software” por “aprendizagem”, o valor também fará sentido. É claro que o planejamento é essencial, mas o mais importante é que o ensino-aprendizagem seja efetivo. Não adianta ter um um plano pedagógico de qualidade se os alunos não estiverem se engajando e realmente aprendendo com aquilo. É preciso mudar os rumos planejados quando não se tem a resposta esperada!
A colaboração com o cliente vale mais que a negociação do contrato
Mais uma vez, a construção conjunta da aprendizagem, com flexibilidade e organicidade, é mais importante do que a burocracia em si. Claro que definir um plano pedagógico é de extrema importância, mas, se os estudantes estão em sala de aula e demonstram interesse por um caminho diferente, porém efetivo, por que interromper esse processo? O fundamental é alcançar evolução e protagonismo, mais do que se ater às regras inicialmente definidas.
Responder às mudanças mais que seguir um plano
Se o mundo está em constante mudança, com tecnologias evoluindo em ritmo cada vez mais acelerado, não é possível se apegar ao plano inicial sem correr o risco de jogar tudo no lixo (mais uma vez, como dito acima). O ensino ágil requer adaptação, flexibilidade e criatividade, além de atualização constante. As chamadas “soft skills” são importantes em todos os aspectos da vida, incluindo o mundo do trabalho, e a escola do século XXI entende que o ensino deve ser responsivo às mudanças necessárias.

Ensino ágil e Educação Empreendedora

As metodologias ágeis têm lugar em todas as etapas de aprendizagem dos estudantes. E, como mostramos acima, elas são extremamente conectadas à Educação Empreendedora, uma vez que valorizam a colaboração, a flexibilidade, o protagonismo, o foco, a autogestão e a adaptação. Ambas buscam o desenvolvimento de competências que preparem os alunos para os desafios do mundo, para responder aos problemas reais, adaptando aos diferentes contextos e superando obstáculos diversos.
Na sala de aula, é possível trabalhar os elementos ágeis e a Educação Empreendedora visando oferecer aos estudantes as ferramentas necessárias a fim de que se formem e ocupem espaços, e que estejam aptos a enfrentar os novos cenários e as mudanças que certamente vão ocorrer.
E, quando falamos para colocar o estudante como protagonista de seu processo de ensino-aprendizagem, discutimos estratégias e metodologias em que docentes disponibilizem a eles o caminho para buscar e produzir informações; conectar-se a colegas, a docentes e às demais pessoas da comunidade escolar; analisar cenários, tomar decisões e aprender, em qualquer hora, meio ou lugar, incentivando-o.

Metodologias ativas, ágeis e empreendedoras

Uma ótima maneira de trabalhar as competências ágeis na Educação Empreendedora é por meio de metodologias ativas. Desse modo, o estudante, em vez de ser consumidor do conteúdo, passa a ser coautor e parte ativa do processo de ensino-aprendizagem.
Com a personalização do ensino ou a aplicação da sala de aula invertida, por exemplo, os docentes proporcionam uma experiência significativa e constante, com feedback, autoavaliação, atualização e adaptação. Ou seja, um plano pedagógico de qualidade, acessível e flexível, que permita que os diversos estudantes possam se desenvolver conforme aptidões e objetivos.

Competências ágeis

A educação não deve ensinar apenas aquilo já disponível. Cabe a ela desenvolver cabeças pensantes, prontas para inovar e criar soluções voltadas a problemas reais e significativos. É necessário oferecer experiências que desenvolvam e desafiem as habilidades dos estudantes, preparando-os para que consigam se portar diante de qualquer situação, exercendo seu papel de cidadãos plenos.
E, para isso, algumas competências ágeis são imprescindíveis:
  • Agilidade: não gastar tempo, esforço e retrabalho e conseguir lidar com os diversos temas e projetos.
  • Gestão do tempo: saber priorizar e não se perder em meio às tarefas, aos projetos, aos planos e às obrigações.
  • Flexibilidade: adaptar-se às mudanças, às sugestões de colegas ou às transformações de contextos.
  • Comunicação: expressar-se e conseguir colaborar com colegas, docentes, gestores, profissionais e todos com quem conviver.
  • Colaboração: construir junto e obter o melhor de cada indivíduo que participa da ação.
  • Criatividade: pensar além do padrão, descobrir novas formas de lidar com problemas e inovar.
Inteligência emocional: saber lidar com as adversidades, adaptar-se a elas, colaborar com as demais pessoas e superar os desafios que enfrentará ao longo da vida (pessoal e profissional)
No texto acima, vimos como as metodologias ágeis podem ser – e são – aplicadas na educação. Elas têm tudo a ver com o desenvolvimento de um pensamento empreendedor, o que demonstra, mais uma vez, a importância da Educação Empreendedora em todos os momentos do processo de ensino-aprendizagem. Saiba mais sobre como ela pode transformar o aprendizado!
 

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