Música e criatividade: benefícios e relação com a educação

Blog Música e criatividade: benefícios e relação com a educação

16/03/2022
Assim que nascemos, imediatamente somos expostos aos sons, às músicas. De fato, elas são sentidas antes mesmo do nascimento, pois já existem estudos que afirmam que, a partir da 20ª semana de gravidez, o bebê já pode ouvir e, com isso, aumentar a atividade cerebral e desenvolver a capacidade de guardar memórias.
Durante o crescimento e a vida adulta, dá-se a mesma coisa. Canções no aniversário, em casa, na televisão, nas brincadeiras, de plano de fundo de jogos, para marcar momentos importantes na vida, para cantar a história de um país. O que é extremamente natural tem, por trás, uma lógica muito benéfica: música e criatividade andam juntas, além de possibilitar o desenvolvimento de pessoas que têm competências como inovação, expressão de sentimentos, curiosidade, concentração, memória e raciocínio lógico, dentre outras.
Desde a primeira infância, a música e o aprendizado musical despertam nas crianças a experimentação, a descoberta, a diversão e a exploração. Eles desenvolvem sensibilidade auditiva e podem até mesmo afetar o humor de quem escuta, relaxando, animando ou mesmo angustiando a pessoa.

Música como estímulo de criatividade e outras habilidades

Música e criatividade são uma dupla, mas como?
Uma das definições para o termo “criatividade”, de acordo com o Dicionário Priberam, é “capacidade de criar, de inventar”. E ela tem a ver com o uso do nosso cérebro, claro.
O cérebro humano é dividido em dois hemisférios: direito e esquerdo. Cada um, por sua vez, é responsável por determinadas funções no nosso raciocínio e comportamento. Enquanto o hemisfério esquerdo tem maior relação a atividades que se conectam à linguagem e ao raciocínio lógico, o direito controla a imaginação e a criatividade, dentre outras funções. Não significa, no entanto, que os dois lados nunca sejam usados ao mesmo tempo. A fala, por exemplo, exige que ambos trabalhem juntos.
E aqui tudo fica ainda mais interessante! Um estudo realizado pela Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, descobriu que aqueles que tiveram contato com a música ao longo da vida apresentam um funcionamento diferente do cérebro. O motivo pode ser o fato de a música estimular atividades cerebrais dos dois lados do cérebro, ampliando a capacidade cerebral no decorrer do tempo, contribuindo para seu funcionamento e, consequentemente, para o desenvolvimento de habilidades físicas, motoras e cognitivas de todo o corpo.
Afinal, ser um músico envolve o uso simultâneo das mãos – em comportamentos e padrões diferentes – para tocar instrumentos, o ritmo, a melodia e a harmonia em uma mesma canção e a interpretação e execução.
Outros estudos, de 2017, publicados pela revista Plos One, comprovam ainda que a exposição a músicas consideradas felizes (o que não significa apenas uma canção animada, mas sim aquela que gera alegria, variando de pessoa para pessoa) desperta o chamado “pensamento divergente”, ou seja, característica fundamental daqueles que são criativos. Esse tipo de pensamento, em oposição ao “convergente”, é a capacidade de encontrar múltiplas soluções para um problema único e de desenvolver novas ideias.

Inteligência musical

A Teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner, psicólogo cognitivo e professor ligado a universidade americana Harvard, dita que cada pessoa possui um número variado de competências mentais relativas, o que nos torna únicos. De acordo com ele, é perfeitamente possível que uma pessoa tenha muita facilidade ao lidar com números e equações matemáticas, enquanto enfrenta dificuldades na comunicação interpessoal.
Uma das inteligências identificadas por Gardner, em que podemos desenvolver ou ter maior ou menor aptidão, é a inteligência musical, diretamente conectada a apreciar, compor ou tocar padrões musicais. Em consequência, uma habilidade de descobrir novos sons, explorar, criar e se comunicar por meio da música. Uma ótima aliada da criatividade, não é mesmo?
Dentre as habilidades de quem possui inteligência musical, estão:
  • Identificação de melodias ou ritmos musicais.
  • Improvisação de sons com instrumentos ou objetos variados.
  • Facilidade no aprendizado de instrumentos.
  • Habilidade de criar composições.

Educação Empreendedora, música e criatividade

Na busca por desenvolver competências e habilidades empreendedoras – dentre elas uma postura investigativa, respeito às diferenças, sensibilidade e, claro, criatividade –, a arte desempenha um importante papel.
A utilização das manifestações artísticas em suas diversas formas é uma ótima maneira de engajar o estudante no aprendizado, desde as primeiras séries do ensino fundamental, reforçando e enriquecendo seu repertório cultural que aparece até mesmo em uma das competências definidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Uma canção nunca é apenas uma canção. Ela marca um período, uma geração, traz consigo características sociais e por vezes também políticas e/ou econômicas. E todos esses conhecimentos podem ser trabalhados e estimulados nos estudantes, de maneira que criem um olhar crítico e abrangente sobre espaços, sociedades e pessoas.
Agregar música à Educação Empreendedora não é nada complicado. Com o comprometimento de professores e gestores educacionais, é possível abordar contextos históricos, envolver os estudantes na criação, no desenvolvimento e na discussão sobre as melodias e até incentivá-los a desenvolver inteligência musical.

Na prática

É comum ver professores de língua estrangeira utilizando a música como ferramenta de aprendizagem. Assim, ao ouvir e interpretar canções que fazem parte de seu dia a dia, jovens acabam assimilando o novo vocabulário e aprendendo o novo idioma.
Mas essa não é a única maneira de utilizar as canções a fim de promover a criatividade. Confira algumas ideias para começar a utilizar a música como ferramenta de ensino-aprendizagem:
  • Busque capacitação na área ou parcerias com profissionais que possam ofertar workshops aos estudantes.
  • Escolha uma canção para ser trabalhada não apenas do ponto de vista musical, mas também histórico.
  • Envolva os estudantes em atividades lúdicas, como a criação de uma paródia que tenha como base um tema proposto pelo docente ou mesmo a proposição de uma dança ou de teatro.
  • Se houver a possibilidade, desperte o interesse pelas músicas por meio de um espaço específico para a atividade, com instrumentos e/ou a chance de construir os instrumentos a partir de material reciclável
Música e criatividade andam juntas e, para desenvolver jovens criativos e com múltiplas habilidades, é uma ótima ideia utilizá-las em sala de aula. Se você quiser saber mais sobre o assunto e entender por que deveria implementar essa abordagem, confira nosso post sobre o poder da música na Educação Empreendedora.

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