Neurodidática: o que é e quais as suas vantagens?

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A Neurodidática é uma ciência que visa estudar o desenvolvimento cerebral e os processos de aprendizagem de crianças. Essa ciência, também conhecida como “Neuroeducação”, analisa e explica como ocorrem os estímulos cerebrais durante o desenvolvimento cognitivo de crianças de até sete anos.

Ela também aproxima o estudo da Neurociência com a Educação, traçando pontos em que os dois campos convergem, e utiliza esse conhecimento para explicar o desenvolvimento cerebral das crianças.
A Neurodidática mostra que, até os sete anos de idade, o ser humano possui maior capacidade de aprendizagem. O processo cognitivo durante essa faixa etária é mais intenso do que em todas as outras, o que explica a facilidade para alfabetizar estudantes no primeiro ano da escola, por exemplo.

O papel dos neurotransmissores

A Neurodidática estuda a função dos neurotransmissores, que nada mais são do que mensageiros químicos do cérebro, responsáveis por transmitir informações entre os neurônios. No processo cognitivo, cada neurotransmissor desempenha um papel:
  • A dopamina aumenta a atenção e a concentração quando as crianças estão aprendendo coisas novas.
  • A serotonina amplia o prazer que a criança sente em aprender e melhora o desejo de continuar estudando.
  • A endorfina estimula a criatividade e promove alegria pelo aprendizado.
Os estudos da Neurodidática mostram que a grande quantidade de sinapses realizadas no cérebro infantil até os sete anos eleva muito a capacidade de aprendizado. Esse conhecimento pode ser utilizado para alterar a dinâmica dos primeiros anos da escola, com idiomas sendo ensinados paralelamente à alfabetização, por exemplo.

Vantagens da aplicação da Neurodidática

Ao utilizarmos em sala de aula os conceitos estudados pela Neurodidática, diversos benefícios podem ser observados:
1. Aumento do interesse em aprender: quanto antes uma criança é estimulada com novos conhecimentos, mais curiosa ela se torna, o que facilita o aprendizado nas fases seguintes e potencializa o prazer em aprender.
2. Aumento da memória: ao receber estímulos mais cedo, a criança intensifica sua capacidade de reter as informações que chegam a ela, mais do que outras crianças não estimuladas.
3. Melhora na capacidade de interpretação de eventos: existe uma facilidade inata do ser humano em aprender a diferenciar símbolos, gravuras e desenhos. Portanto, ao expor a criança desde cedo a esse tipo de estímulo, ela adquire maior facilidade em interpretar expressões artísticas, como dança, música e teatro.
4. Maior capacidade de aprendizado: crianças estimuladas a aprender desde cedo têm aumentada sua capacidade cognitiva de aprender, capacidade essa que levarão pelo resto da vida.
5. Pensamento crítico: a aprendizagem na infância faz com que a criança tenha contato com diferentes ideias, conceitos e opiniões. Dessa forma, ela cresce já com a capacidade de analisar as informações a ela apresentadas, utilizando-as para criar a própria visão crítica do mundo.

Como aplicar a Neurodidática em sala de aula

Alguns fatores são interessantes de ser observados a fim de que os princípios da Neurodidática sejam implementados com sucesso em sala de aula. Alguns deles são:
  • Associação entre memória e emoção. Criar conexões emocionais com os tópicos explicados facilita a memorização. O professor pode propor atividades lúdicas e divertidas como jogos e pequenos desafios para os estudantes resolverem.
  • Atividades que envolvam todos os sentidos dos estudantes são excelentes para estimular e facilitar o aprendizado. Por exemplo, apresentar uma fruta vendo sua cor, sentindo sua forma e textura, temperatura e peso, apreciando seu cheiro, provando seu sabor e ouvindo o barulho da mordida. É uma experiência muito mais impactante do que apenas mostrar uma foto.
  • O professor pode propor visitas a museus interativos ou outros locais onde os sentidos dos estudantes serão estimulados.
  • Atividades que envolvam pequenas doses de estresse como, por exemplo, apresentações em frente da turma ou encenar uma peça de teatro com temas relacionados à disciplina do professor.

    Neurodidática e tecnologia

    Nos últimos anos, tivemos um aumento exponencial do acesso à tecnologia. Esse crescimento se estendeu na sociedade como um todo, mas foi particularmente impactante para as crianças.
    Hoje, nas salas de aula, professores disputam a atenção dos estudantes com smartphones e notebooks. O que poderia ser um problema para a aprendizagem, visto que estudos comprovam que a exposição precoce de crianças a telas eletrônicas causa vários prejuízos, pode ser adaptado para auxiliar no ensino.
    Um exemplo disso é o pensamento computacional. Esse conceito diz respeito ao uso da teoria existente por trás dos computadores na Educação, utilizando os princípios da Ciência da Computação, com o intuito de resolver problemas.
    Mediante a criação de formulações que possam ser resolvidas pelas crianças, essas desenvolvem o cérebro, adquirem mais conhecimento sobre tecnologia, além de autonomia e preparo para o mercado de trabalho.
    A Neurodidática mostra que aplicar esse conceito em crianças menores de sete anos pode ser muito interessante, graças à capacidade elevada de aprendizado das crianças dessa faixa etária. Pode ser uma excelente maneira de utilizar as bases da tecnologia tão presentes na vida delas para desenvolver a cognição.

    Perspectivas da Neurodidática para o mercado de trabalho

    Quando uma criança é estimulada a aprender desde cedo, sua capacidade cognitiva se desenvolve melhor, e esse desenvolvimento a acompanha até a idade adulta. Dessa forma, crianças educadas hoje dentro dos preceitos indicados pela Neurodidática têm a tendência a ser jovens mais criativos, críticos, com maior capacidade interpretativa e de aprendizado.
    E todos esses fatores  provavelmente se refletirão na forma com que esses jovens vão encarar o mercado de trabalho e se inserir nele. São esses jovens, extremamente conectados e inovadores, que deverão moldar o futuro do trabalho.
    Nos dias de hoje, existe grande tendência à entrada dos jovens no mundo do Empreendedorismo. Seja pela dificuldade de se estabilizar em empregos de carteira assinada, seja pela vontade de ter liberdade para desenvolver o próprio negócio, eles deixam o mercado formal com a intenção de empreender.
    A tendência é que esse movimento continue ocorrendo. Não somente o aumento de jovens empreendedores, mas também a mudança no tipo de negócio que eles desenvolvem.
    Como mostra o conceito de mundo Vuca, não há mais espaço para burocracias desnecessárias, equipes inchadas e planejamentos de longo prazo. As empresas do futuro terão processos operacionais automatizados, reuniões virtuais e serviços remotos.

    Conclusão

    A Neurodidática é um campo da Neurociência que apresenta vasto conhecimento a agregar sobre o funcionamento cerebral, a aprendizagem e a cognição de crianças. Podemos utilizar as descobertas dessa disciplina para aprimorar a forma como ensinamos nos anos escolares iniciais, de maneira a proporcionar uma formação de maior qualidade.
    Tal formação vai se refletir no futuro dessa geração, no jeito como ela lidará com o mundo a sua volta, com as novas tecnologias e com o mercado de trabalho. Ao proporcionar uma educação baseada em evidências científicas, formamos jovens criativos, inovadores e que farão a diferença na sociedade em que vivem.
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