Novo Ensino Médio: desafios para professores e gestores

Blog Novo Ensino Médio: desafios para professores e gestores

10/06/2022

O ano de 2022 marca um importante passo em relação ao Novo Ensino Médio. Começamos agora a primeira etapa de implementação da nova proposta, que terá avanço gradual, até 2024, quando todas as séries serão contempladas.

Com forte foco no desenvolvimento do protagonismo dos estudantes, na valorização da aprendizagem e na garantia dos direitos de aprendizagem, o novo modelo oferece a oportunidade de os jovens terem um ensino integral e integrado, preparando-os para o mundo do trabalho e para a vida em sociedade. Sendo assim, esse modelo está alinhado às propostas da Educação Empreendedora, que forma cidadãos com competências técnicas e socioemocionais essenciais para lidar com os desafios do mundo.

No Novo Ensino Médio, os alunos seguirão seu projeto de vida e escolherão, com apoio e orientação dos docentes e da instituição, seus itinerários formativos, que vão variar conforme objetivos do estudante e a oferta da escola. Além disso, a carga horária passa para até 1.800 horas anuais, que devem contemplar, afora as disciplinas tradicionais, como Geografia, Matemática e Português, aulas que ajudem a conectar teoria e prática, preparando os jovens para o ingresso no mundo do trabalho.

O modelo está em construção e tem grande potencial transformador. “Ele é um passo importante quando falamos de um olhar para a educação em busca de possibilidades para que os jovens entendam os processos que vão vivenciar no mundo. Acredito que deveríamos investir mais na base, mas começar pelo Ensino Médio é um ponto de partida importante para começarmos a mexer na engrenagem da educação”, afirma Brenda Santos, diretora operacional na JA Brasil, organização social que estimula e desenvolve estudantes para o mercado de trabalho pelo método “aprender-fazendo”, por meio de programas de empreendedorismo, educação financeira e preparação profissional.

Brenda, que foi uma das alunas de um projeto de empreendedorismo da instituição em que trabalha, hoje é a responsável por ajudar a impulsionar o futuro de jovens, criando oportunidades para que trilhem seu caminho. Para ela, um ponto de grande destaque no Novo Ensino Médio é ensinar habilidades para a vida, que possibilitem que o jovem se forme com uma visão melhor do mundo. “No antigo modelo, muitas vezes não havia conexão entre os conteúdos e o seu uso no dia a dia, na prática. O conhecimento é importante e não deixará de ser, mas também é importante ensinar soft skills, tão necessárias na vida adulta e no mercado de trabalho”, ressalta.

 

Próximos passos

Com tantas mudanças, logo após um longo período de adaptação como consequência da pandemia da Covid-19, surgem muitas dúvidas e desafios para gestores e docentes. “O primeiro grande desafio é a capacitação dos professores para que entendam que não é apenas um acréscimo de carga horária, mas uma oportunidade de aplicar o conteúdo em situações do dia a dia. Eles devem ser estimulados a se preparar para oferecer conhecimentos que sejam amplos e alinhados aos itinerários formativos. Hoje, poucas escolas têm um plano pedagógico que ‘converse’ como um todo. E essa é uma dificuldade que elas vão enfrentar”, destaca Brenda.

Para ela, outro desafio precisa ser analisado e superado: a infraestrutura das escolas. Afinal, a realidade é que diversas instituições não têm salas de aula livres para atividades no contraturno; isso quando não faltam também recursos tecnológicos básicos como computadores e projetores. Ademais, há uma questão que precisa ser abordada com seriedade e urgência: os estudantes que precisam conciliar estudos com trabalho, como os jovens aprendizes. Como permitir que eles tenham acesso ao novo currículo?

“Esse período de implementação é crucial e nele devemos ter maior investimento nas pessoas. O gestor escolar é quem dita a regra nas escolas. Se não houver investimento para que as pessoas da instituição comprem a ideia e entendam que vai ser difícil, que vão errar nesse processo, pode ser que tudo seja esquecido e abandonado”, destaca Brenda.

Mas, afinal, como dar esses passos e fazer uma boa implementação do Novo Ensino Médio, oferecendo itinerários formativos alinhados às necessidades do mundo atual e dos jovens em formação?

Para isso, Brenda oferece alguns caminhos a se seguir:

  • Aproveitar experiências positivas, como de escolas do Ceará que seguem esse modelo e são referência
  • Avaliar as habilidades que o Fórum Econômico elencou como as mais importantes para o mercado de trabalho atual e usá-las como objetivo e base para montar os itinerários formativos. As competências citadas são para qualquer profissão, área, pessoa ou lugar.
  • Tentar fazer parcerias. “Às vezes queremos inventar a roda, mas tem muita coisa já disponível. Há muitas ONGs trabalhando com esse foco, muitas empresas querendo investir em tecnologia. Se a escola conseguir criar um comitê com essas pessoas que querem e podem ajudar, não precisará criar o conteúdo, só o plano de aula”, acrescenta.

Esses são alguns pontos que devem ser abordados durante a implementação, para que seja possível oferecer aos estudantes a Educação Empreendedora e Integral que merecem, abrindo as portas a fim de que tenham um futuro cheio de potencial. Por isso, Brenda aproveita para fazer um chamado à ação: “Em um país desigual como o nosso, falar de educação é algo muito amplo, com problemas que nem sempre são fáceis de resolver. O mais importante é que a gente consiga olhar para o Novo Ensino Médio como parte do processo da sociedade, e divulgá-lo mais. Poucas pessoas que não atuam no setor entendem a importância disso. Somente com essa consciência, a educação será encarada como um problema social, de todos. Mas estou otimista e já vejo o começo da mudança”, conclui.

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