Podcasts no ensino médio: conheça a experiência de uma professora mineira na pandemia

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Cerca de 40% das pessoas conectadas à internet no Brasil já ouviram podcasts, e, entre os jovens, a popularidade é ainda maior: 47% afirmam ouvir os programas em áudio, segundo pesquisa do Ibope. Em 2019, o consumo desse formato de mídia cresceu 67%, e as previsões são otimistas para quem deseja trabalhar com o formato. Nos EUA, de acordo com o eMarketers, US$ 659 milhões serão destinados a anúncios publicitários para podcasts em 2020, isto é, um crescimento de 2020. Tudo isso se explica pela facilidade e pelo baixo custo de produção, pelo dinamismo e pela versatilidade dos podcasts.

Por esses motivos, eles também têm se tornado excelentes ferramentas para a educação, não só com conteúdos voltados aos jovens – produzidos por professores ou outros especialistas, como também pelos próprios estudantes. O uso de Podcasts no Ensino Médio, por exemplo, é uma maneira de manter a turma engajada, fixar o aprendizado e envolver os jovens em uma atividade ‘mãos na massa’, durante a produção do programa. Para inspirá-lo, neste post trazemos a experiência da professora Luiza Lopes, da Escola de Formação Gerencial do Sebrae em Belo Horizonte (EFG BH), que começou a trabalhar com Podcasts no Ensino Médio, buscando driblar as limitações impostas pela pandemia.

Podcasts no Ensino Médio, uma experiência interdisciplinar e de interação

Com a suspensão das aulas presenciais e a chegada da pandemia de Covid-19, a professora de Filosofia e Sociologia Luiza Lopes, que dá aulas para as três séries do ensino médio na EFG BH, passou a debater com seus estudantes temas relacionados ao isolamento ora vivido por todos nós. Alteridade, negacionismo e relativismo foram alguns dos assuntos em pauta entre a turma, nas aulas. A professora decidiu, então, transformar as discussões em Podcasts no Ensino Médio, propondo um diálogo entre as duas disciplinas que leciona.

A ideia foi que cada aluno produzisse o próprio programa, escolhendo entre um dos temas acima ou um terceiro, de livre escolha. A proposta visava desenvolver um programa de 8 a 15 minutos,  com base nas discussões, inserindo na conversa os pais ou outros familiares (embora isso não fosse obrigatório). “Aproveitamos a condição de isolamento para produzir os podcasts e como forma de aproximá-los de suas famílias também, proporcionando um momento de troca”, conta Luiza.

A escolha do formato em si – entrevista, mesa-redonda, Storytelling – ficou a cargo de cada jovem, e alguns, que não conseguiram incluir familiares na dinâmica, simularam entrevistas com especialistas, em que eles mesmos faziam a voz do entrevistador e do entrevistado, deixando a criatividade fluir. Mas a participação dos familiares acabou tendo alta adesão, acontecendo na maioria dos programas. “Com isso, os estudantes se tornaram mediadores da conversa, o que exigiu que eles dominassem o assunto a fim de coordenar o debate. Muitos pais têm formação em Psicologia, por exemplo, o que enriqueceu demais as conversas, trazendo novos pontos de vista”, explica a professora.

Produção simples e linguagem jovem

No que diz respeito às gravações, nada de complicação. O áudio pôde ser gravado pelo smartphone mesmo, que garante boa qualidade no que concerne a produções amadoras, e os estudantes ficaram livres para utilizar ou não outros recursos, como aplicativos de edição. Alguns produziram até vinhetas para seus programetes.

Em relação ao modo de fazer, durante as aulas, professora e estudantes debateram sobre o formato de mídia antes de iniciarem o projeto. E, assim, tiveram de trabalhar em um roteiro para nortear as gravações. Mas Luiza tomou o cuidado de não direcionar muito as produções, deixando-os livres para escolher por conta própria suas narrativas, o tom de voz e a linguagem. “Minha preocupação foi trazer os componentes curriculares de Filosofia e Sociologia para as produções. A linguagem do podcasts já é conhecida pelos jovens, e eles conseguiram fazer muito bem”, explica. Deixá-los livres para criar foi uma maneira de estimular ainda mais a experimentação e o aprendizado ‘mão na massa’.

Depois de prontos, os podcasts foram hospedados na plataforma que a escola tem usado para suas aulas on-line, isto é, o Google Classroom, e ficaram acessíveis apenas à turma. Luiza pretende, porém, levar adiante o projeto de Podcasts no Ensino Médio.

Competências socioemocionais por meio de podcasts no ensino médio

Além do senso crítico, da capacidade de síntese, de interpretação de texto e leitura de cenário, trabalhar com os Podcasts no Ensino Médio foi uma maneira que Luiza encontrou de desenvolver outras competências entre os jovens. “Por mais que eles sejam habituados ao formato, existe uma distância grande entre ouvir a mídia e fazer. Colocar isso em prática foi um desafio para eles”.

Encontrar uma narrativa própria e lidar com os obstáculos de produção foram alguns desses desafios.  Outro ponto a destacar diz respeito à autoestima e à  segurança, ou seja, aspectos demandados pelos estudantes.  “Desenvolvemos a comunicação, as habilidades socioemocionais, o espírito científico e outros aspectos que estão em consonância com a BNCC”, acrescenta a professora.

E o engajamento, segundo a Luiza, foi altíssimo, contribuindo para a qualidade do aprendizado. A experiência foi tão enriquecedora que ela pretende dar vida longa ao projeto de Podcasts no Ensino Médio, partindo para produções mais ousadas, dinâmicas em grupo e, provavelmente, hospedando o material em agregadores de podcast.

E, você, tem usado Podcasts no Ensino Médio ou em outros projetos educacionais? Conheça 17 sugestões de Podcasts sobre Educação e Empreendedorismo para se inspirar ainda mais.

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