Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio: geração de renda e engajamento dos estudantes em Montes Claros (MG)

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Desânimo, falta de propósito e desmotivação. Muitas vezes o baixo engajamento das crianças e dos adolescentes com as aulas pode ter uma razão que vai muito além da indisciplina. Não enxergarem a escola como uma alavanca para realizar seus projetos de vida.
Uma escola em Montes Claros (MG) encontrou a fórmula para trazer os estudantes de volta ao conteúdo do currículo. Tornar as aulas mais dinâmicas, envolver pais e a comunidade escolar e ainda inserir a escola dentro de um Ecossistema Empreendedor: criar um Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio. Além dos excelentes resultados alcançados, a professora à frente da iniciativa faz questão de compartilhar sua história. Abrir espaço a fim de que os estudantes contem suas narrativas, como forma de incentivar outros educadores e jovens de todo o Brasil.
Neste post, veremos como o Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio transformou a realidade dos estudantes de Montes Claros e trouxe novas possibilidades aos professores da rede pública.

Futuro profissional X escola: duas realidades distintas

Tudo começou em 2016, quando a professora Sande Almeida passou a trabalhar na Escola Estadual (EE) Américo Martins e decidiu aplicar um questionário com o intuito de entender melhor o perfil dos novos estudantes, seus interesses e aspirações para o futuro. Foi aí que ela percebeu que a indisciplina e a falta de motivação com as aulas tinham motivo: a ausência de perspectiva em relação ao futuro e a impossibilidade de gerar renda a fim de que os ajudassem a prover as próprias famílias.
A escola fica localizada em um bairro da periferia e atende também à zona rural e a conjuntos habitacionais. “Muitos jovens já trabalhavam com os pais, ajudavam como servente de pedreiro, como pintor, com costura e prestação de serviços, de maneira informal. Mas eles não tinham perspectivas para a faculdade ou para o futuro”, explica Sande. Com isso, o conteúdo das aulas parecia não ter um propósito claro, e a escola era apenas uma atividade obrigatória para a maioria.
Ela começou, por conta própria, a desenvolver uma série de dinâmicas com vistas a estimular a mentalidade empreendedora. E, como já conhecia os programas do Sebrae, decidiu conversar com outros colegas e com a direção da escola. Ela buscou sugerir a implantação de um Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio como forma de resgatar o engajamento dos estudantes na escola.

Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio: despertar para o futuro

Como a ideia era implantar alguma iniciativa em longo prazo, o Despertar, Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio do Sebrae, foi o escolhido. “Inicialmente foi um desafio convencer a gestão e os demais professores. Ninguém conhecia o termo ”Educação Empreendedora”. Além disso, havia um entendimento de que acrescentar um novo projeto ao currículo iria pesar na carga de trabalho dos profissionais. Pouco a pouco, fui convidando colegas a participar de atividades comigo”, diz Sande. Ela também aponta a rigidez do Calendário Escolar como um dos empecilhos para a criação do Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio que ela tinha em mente.
Objetivando conseguir negociar horários das aulas, ela convidou o diretor e a vice-diretora para participar de formações sobre Empreendedorismo e entenderem mais a fundo como a Educação Empreendedora poderia ser implantada na realidade da escola. Com a aprovação de alterar o Calendário Escolar, alguns professores receberam treinamento, e, aos poucos, as atividades foram inseridas nos horários das disciplinas.

Feira de Empreendedorismo: aprendizado ativo e geração de renda

Dentro do Despertar, uma das propostas finais é a realização de uma Feira de Empreendedorismo. Assim, a ideia era que os estudantes criassem as próprias empresas, desenvolvessem e vendessem seus produtos dentro de um evento na escola. Para isso, Sande movimentou uma verdadeira força-tarefa: conseguiu parcerias com o próprio Sebrae, com outros professores, empresas e outros agentes locais, visando treinar os estudantes em assuntos como Plano de Negócios, Marketing, Atendimento a Clientes e outras disciplinas que seriam fundamentais no que diz respeito à estruturação das empresas dentro do Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio.
De sabonetes feitos em casa a peças de artesanato e projetos para a própria escola – jardim literário e horta –, as produções dos estudantes foram comercializadas em um evento aberto, realizado dentro da própria escola. Além da receita gerada na data, um dos maiores legados da feira foi o aprendizado sobre como tirar uma ideia do papel e torná-la viável. Tanto que, após o evento, muitos estudantes decidiram dar continuidade às suas empresas ou se aventurarem em novos empreendimentos. “Temos o caso de um dos jovens, por exemplo, que decidiu montar uma empresa familiar de delivery de açaí. Muitos estão pagando seus estudos universitários com a renda que têm gerado com seus negócios criados na escola”, acrescenta Sande.
Fora a geração de renda, os benefícios voltados ao desempenho escolar foram inúmeros. “Melhorou a disciplina, a capacidade de articulação e argumentação, a compreensão de que o estudo não é apenas para obter notas, a postura em sala de aula”, conta Sande.

Escola como parte de um Ecossistema Empreendedor local

Um dos resultados do Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio liderado pela professora Sande foi a movimentação dos próprios professores, que foram desafiados a repensar suas práticas pedagógicas e até a sua postura profissional. A começar pela própria Sande. “Costumo brincar que talvez eu tenha aprendido mais durante todo o processo. Desenvolvi empatia pela história do outro. E também estou criando um canal no YouTube para discutir práticas pedagógicas com outros educadores, bem como escrevendo dois livros sobre Empreendedorismo para Professores”, diz.
As parcerias estabelecidas ao longo do projeto também ajudaram a inserir a escola dentro de um Ecossistema Empreendedor local, formando uma rede de empresas, profissionais e outras instituições de ensino que trabalham em torno da Inovação e da Criação de Oportunidades. Uma dessas parceiras é a Escola Estadual Filomeno Ribeiro, instituição da região que também trabalha com um Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio e tem transferido conhecimento adquirido em sua experiência à equipe da EE Américo Martins.
Gostou da história do Projeto de Empreendedorismo para o Ensino Médio implantado pela professora Sande? A experiência dela é um dos destaques no CER Histórias, ferramenta criada pelo Sebrae para reunir relatos inspiradores de educadores, gestores educacionais, estudantes e familiares em todo o Brasil em torno da Educação Empreendedora. Se você está buscando incentivo ou inspirações em prol dos seus projetos, conheça a vivência de outras escolas. E, se tem uma experiência que vale a pena compartilhar, inscreva-a no CER Histórias. Ao final, você ainda pode montar um livro gratuito com os melhores relatos – incluindo os seus! Conheça o CER Histórias.
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