Como a Educação Empreendedora pode auxiliar na promoção de uma linguagem inclusiva

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29/05/2024
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A linguagem inclusiva é um tema central na obra “Linguagem e Escola: uma perspectiva social”, de Magda Soares (in memoriam), que foi professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das maiores especialistas em alfabetização e letramento do Brasil. No livro, ela analisa e discute as relações que se estabelecem entre a linguagem e a escola, atendo-se a uma perspectiva social. “O papel central atribuído à linguagem numa e noutra ideologia explica-se por sua fundamental importância no contexto cultural: a linguagem é, ao mesmo tempo, o principal produto da cultura, e é o principal instrumento para sua transmissão”, pontuou Magda em sua obra. 

Bem, é fato que a mensagem da Magda Soares deve ser levada em conta por todos os agentes de uma comunidade escolar: a linguagem é, mesmo, uma manifestação cultural. E, por isso, tem um papel ambivalente na sociedade: pode funcionar como uma ferramenta de inclusão ou, do contrário, como um elemento de segregação. Por essa razão, é tão importante explorar formas de abordar a linguagem inclusiva em sala de aula. Neste post, explicamos melhor o que é a linguagem inclusiva e trazemos dicas práticas para ajudar você a desenvolver esse tema com os estudantes. Acompanhe!

O que é linguagem inclusiva

O Manual de Comunicação da Secretaria da Comunicação (Secom) define a linguagem inclusiva como aquela que “evita o uso de palavras, termos e expressões que possam reforçar estereótipos, preconceitos ou discriminação. É uma forma de comunicação que busca promover a inclusão e a representatividade de todas as pessoas”. Entre as orientações que o material indica, estão algumas para Pessoas com Deficiência e Etnias. Veja:

Pessoa com deficiência

  • Menções a situações de deficiência, incapacidade ou quadro patológico devem ser feitas em contexto e sem tom de piedade. A pessoa com deficiência tem nome, sobrenome e dignidade a ser respeitada.
  • Use preferencialmente o termo “pessoa com deficiência”, adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a ONU, “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”.
  • Não use “pessoa portadora de deficiência” ou “pessoa com necessidades especiais”.
  • Deficiência visual: é a perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da visão. Há dois grupos de deficiência: cegueira e baixa visão ou visão subnormal.
    • Use “cego” ou “pessoa cega” para aqueles que têm perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar. Use “pessoa com baixa visão” ou “pessoa com visão subnormal” para aqueles que têm comprometimento do funcionamento visual dos olhos, mesmo após tratamento ou correção.
    • Se não souber especificar a deficiência, use “deficiência visual” e “pessoa com deficiência visual. Não use “deficiente visual“.
  • Deficiência auditiva: há diferença entre deficiência auditiva parcial (quando há resíduo auditivo) e surdez (quando a deficiência auditiva é total). Use “surdo“, “pessoa surda“, “pessoa com deficiência auditiva“. Deficiência intelectual: use “pessoa com deficiência intelectual“. Etnias
  • Para se referir a minorias étnicas ou religiosas, use os termos de preferência das próprias pessoas.
  • Negro: para pessoas de pele negra, use “negro” ou “afrodescedente”. Nunca use termos pejorativos. Não use termos ou expressões que recorrem à palavra “branco” para denominar algo como positivo, nem à palavra “preto” ou “negro” para denominar algo como negativo: “inveja branca”, “recesso branco”, “mercado negro”, “a coisa está preta”, “denegrir”.

>> Leia Caminhos para construir a educação antirracista na escola 

  • Asiático: use “pessoa de origem asiática” ou “asiático”. O racismo contra asiáticos é um tema ainda pouco abordado no Brasil, mas é importante a consciência de que estereótipos são racistas.
  • Indígena: para designar o indivíduo, use o termo “indígena” e não “índio”. “Indígena” significa “originário, aquele que está ali antes dos outros” e valoriza a diversidade de cada povo. Em vez do termo “tribo”, é mais adequado usar “aldeia” para designar o agrupamento de pessoas. “Terra” e “território indígena” são termos corretos para se referir à área onde vivem. Para o grupo de indígenas, use “etnia” ou “povo”. A Lei nº 14.402, de 2022, institui o dia 19 de abril como o “Dia dos Povos Indígenas” (com iniciais maiúsculas). Não use “Dia do Índio”. 
  • Judeus: no lugar de “judiar”, use os verbos “maltratar”, “ofender”, “agredir”.

Movimento LGBTQIA+

A Secom ressalta a diversidade e a pluralidade de identidades que compõem a comunidade LGBTQIA+, assim como as demais variações que a sigla pode assumir. No manual, optamos pelo uso da sigla LGBTQIA+, pois foi formulada e é usada pela própria comunidade e possui ampla aceitação e reconhecimento público. A sigla significa:

  • L, de lésbica: pessoa do gênero feminino que sente atração afetiva e (ou) sexual por pessoas do mesmo sexo/gênero.
  • G, de gay: pessoa do gênero masculino que sente atração afetiva e (ou) sexual por pessoas do mesmo sexo/gênero.
  • B, de bissexual: pessoa que sente atração afetiva e (ou) sexual pelos sexos/gêneros feminino e masculino.
  • T, de transgênero: abrange o conjunto de pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento:
  • Mulher trans/travesti: pessoa que teve o gênero masculino indicado no nascimento, mas que compreende a si mesma e deseja ser reconhecida no feminino;
  • Homem trans/transmasculino: pessoa que teve o gênero feminino indicado no nascimento, mas que compreende a si mesmo e deseja ser reconhecido no masculino;
  • Pessoa não-binária: pessoa que não se reconhece no gênero masculino nem no feminino.
  • Q, de queer: pessoa que não se identifica com identidades tradicionais ou fixas de gênero e (ou) sexualidade. A letra Q também pode significar questioning (questionamento de gêneros).
  • I, de intersexual: pessoa que nasce com uma variação na anatomia reprodutiva ou sexual ou tem um padrão de cromossomos que não se encaixa como sendo tipicamente masculino ou feminino.
  • A, de assexual: pessoa que não tem interesse em relações sexuais.
  • +: o símbolo “+” representa pessoas com outras identidades, expressões de gênero e orientações sexuais.

Fonte: https://www12.senado.leg.br/manualdecomunicacao/estilos/linguagem-inclusiva#:~:text=A%20linguagem%20inclusiva%20evita%20o,representatividade%20de%20todas%20as%20pessoas.

Olhando para essa parte do conteúdo, conseguimos perceber como ainda há muitas falas excludentes na sociedade, mesmo que por falta de conhecimento, não é? 

Confira o conteúdo na íntegra aqui

O papel da Educação Empreendedora na promoção da linguagem inclusiva

Um dos objetivos da Educação Empreendedora é formar cidadãos críticos, autônomos, transformadores e conscientes – e isso diz respeito também sobre serem jovens  socialmente ativos e engajados em questões sociais e culturais. 

A aprendizagem ativa e participativa faz parte da formação desse jovem. Quando ele participa ativamente da construção do conhecimento e adota uma postura participativa, o processo de ensino-aprendizagem se torna mais efetivo. 

Tendo isso em mente, que tal aproveitar recursos da Educação Empreendedora para promover um debate com os estudantes sobre linguagem inclusiva? Confira alguns exemplos práticos!

Mão na massa: trabalhando a linguagem inclusiva em sala de aula

  • Comece pela investigação da temática

Que tal propor aos estudantes que reflitam sobre a característica da linguagem como manifestação cultural? Você pode pedir a  eles que façam um levantamento de termos usados no dia a dia que revelam traços da cultura da sua região ou grupo, por exemplo. 

Isso pode ser feito de diversas formas, inclusive usando a Sala de Aula Invertida, uma metodologia ativa que, como o nome sugere, inverte os papéis: primeiro o estudante pesquisa e estuda sobre o tema e, depois, o assunto é discutido em sala de aula. 

>> Saiba mais aqui sobre Sala de Aula Invertida

  • Promova um debate sobre como as marcas linguísticas podem revelar acolhimento ou exclusão 

Você pode propor esse debate em forma de roda de conversa, outra metodologia ativa da Educação Empreendedora. É um espaço em que os estudantes estão aptos a compartilhar percepção, experiência e opinião sobre determinado tema. 

Embora o formato seja mais “livre”, é fundamental que a atividade tenha um roteiro. O ideal é que você, professor, comece trazendo algum material inspirador sobre o assunto. Inclusive, aqui vai uma dica: considere apresentar este TED Talk com Claudia Werneck, jornalista e ativista em direitos humanos: “Toda comunicação deve ser acessível e inclusiva“. Outra boa ideia seria imprimir o próprio Manual de Linguagem Inclusiva da Secom para distribuir à turma. 

Fora isso, lembre-se de combinar com os estudantes o horário do término da roda e o tempo de fala e de escuta. Você, como docente, atuará mais como um mediador da conversa, conduzindo as falas e conectando os assuntos para que a abordagem não fique “solta” – leia aqui o artigo sobre linguagem inclusiva publicado no gov.br.. No fim, vale sintetizar tudo que foi dito pela turma e convidar os estudantes a falarem sobre como foi a sua experiência naquele momento.

As possibilidades são várias! O importante é usar a criatividade e promover uma atividade que envolva e engaje os estudantes em um tema tão relevante. 

Gostou de saber mais sobre a linguagem inclusiva? Acompanhe o Portal CER e fique por dentro das notícias mais relevantes do mundo da educação.

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