Repertório Cultural: como trabalhar essa competência da BNCC

Blog Repertório Cultural: como trabalhar essa competência da BNCC

12/08/2021
A BNCC ( Base Nacional Comum Curricular) é o documento em que todas as fontes de aprendizados essenciais são apresentadas para a regulamentação. Diante disso, ele é direcionado a escolas públicas e particulares, abordando a Educação Infantil e os Ensinos Fundamental e Médio.
Cada ano, desde o seu início, as escolas devem passar por uma reorganização até que a implementação da BNCC seja concretizada. O desenvolvimento das Competências, por exemplo, ainda gera muitas dúvidas, principalmente quando se fala no Repertório Cultural.
Este, que faz parte de um grupo de 10 Competências que asseguram o direito ao aprendizado, será fundamental para a formação dos componentes curriculares. Por esse motivo, entender como é o seu funcionamento na prática será importante.

Detalhes importantes sobre a história da BNCC

Antes de aprofundar na aplicação do Repertório Cultural, é indispensável que seja feita uma contextualização histórica da trilha da BNCC. Isso fará com que as dúvidas sobre a Base Nacional Comum Curricular sejam diminuídas, caso ainda exista alguma. Além disso, ter esse conhecimento será fundamental para a compreensão dessa Competência na prática.
O início da construção da BNCC ocorreu em 2015, ocasião em que foram feitas consultas públicas virtuais e presenciais a fim de que pudesse ter a participação direta dos membros envolvidos. Os educadores começaram a enviar suas contribuições ao Ministério da Educação (MEC), somando mais de 12 milhões de participações.
Nos anos seguintes, mais precisamente em 2017, o MEC conseguiu compilar todas as contribuições, encaminhando a nova versão do documento ao Conselho Nacional de Educação (CNE). A partir daí, o Conselho passou a orientar os caminhos da implementação da BNCC.
Após esse período, as referências bases da Educação Infantil e dos Ensinos Fundamental e Médio foram aprovadas, e o ano de 2020 foi o escolhido para a oficialização. Foi, então, que a BNCC inovou e trouxe as dez Competências Básicas para nortear ações aplicáveis dentro das Áreas de Conhecimento, nas quais é possível encontrar o Repertório Cultural.

O que é a Competência do Repertório Cultural BNCC?

Cada Competência estabelecida apresenta caminhos e ações que podem ser aplicadas em sala de aula. O Repertório Cultural BNCC tem papel fundamental para a inclusão dos estudantes nas manifestações culturais e artísticas presentes na sociedade.
Tudo será feito para que os estudantes possam ser incentivados a ter participação ativa nesses eventos. Assim, o conhecimento adquirido fará com que eles consigam reconhecer a grande importância da arte e das demais manifestações culturais.
Os estudantes também terão a oportunidade de se expressarem por meio de trabalhos artísticos, desenvolvendo novas formas de linguagem e interação humana. Desse modo, todo o trabalho trará visões enriquecedoras sobre o mundo.

Como essa Competência pode ser trabalhada?

Pode-se dizer que o Repertório Cultural é a Competência que mais apresenta engajamento por parte dos estudantes. As dinâmicas aplicadas envolvem atividades prazerosas, nas quais os estudantes também podem aproveitar o aprendizado fora da sala de aula.
É viável que os educadores promovam trabalhos artísticos que proporcionem interdisciplinaridade literária. As ações também devem englobar viagens, brincadeiras e passeios em locais em que o estudante terá contato direto com diferentes formas de expressão cultural.
O Museu de Língua Portuguesa, em São Paulo, é um ótimo exemplo de passeio que insere o estudante dentro dessa dinâmica de desenvolvimento cultural. Dessa maneira, os estudantes terão o prazer de conhecer mais da língua portuguesa, por meio de atividades sensoriais.
O ambiente lúdico que o Museu criou vai atuar exatamente na questão da criação do repertório desejado. Mas é claro que é apenas um exemplo diante de muitos eventos e locais que podem apresentar essa mesma função.

O Repertório Cultural dentro da sala de aula

Tal competência também pode ser desenvolvida dentro da sala de aula. Dessa forma, os estudantes conseguirão ter uma visão mais ampla sobre a importância do Repertório Cultural.
Um exemplo é a criação de Feiras Culturais dentro do espaço escolar. Os estudantes poderão fazer parte desde a organização do evento até a produção do diversos tipos de material que serão expostos. Tudo isso trará um enriquecimento cultural aliado a um pensamento empreendedor.

Pontos importantes do Repertório Cultural BNCC

As diretrizes que fazem parte do Repertório Cultural apresentam alguns pontos de desenvolvimento dos jovens. Eles devem ser trabalhados até o fim do Ensino Fundamental.
Os docentes inseridos nas Ciências Humanas, nas Linguagens e em Dinâmicas Corporais serão protagonistas, juntamente com os estudantes, dessas aplicações. Veja então os principais aspectos que devem ser aprimorados durantes as aulas:

Fruição

Vivência plena da identidade e também da comunidade por intermédio de experiências artísticas e relações entre as culturas existentes.

Expressão

Identificação de diversas formas de expressão e sentimentos, sendo trabalhada a empatia, o compartilhamento de ideias, documentando e analisando obras de arte.

Investigação e identidade cultural

Prática do entendimento da representação que as manifestações culturais trazem, discutindo seus significados e influência que interferem nas formações de grupos.

Consciência multicultural

Desenvolvimento da curiosidade do estudante em conhecer novas culturas, tendo como base o entendimento e o respeito pela diversidade. Afinal, a valorização da identidade e das tradições é um ponto forte que deve ser estimulado.

Respeito à diversidade cultural

Demonstração de formas de expressão e culturas diferentes para que os estudantes consigam valorizar a sua identidade individual.

Mediação da diversidade cultural

Possibilidade de trazer uma nova visão de sociedade, mostrando que ela é diversa e que o estudo de grupos diferentes é grandioso e enriquecedor. Assim, a ampliação da perspectiva de mundo mostrará os desafios culturais nos quais cada cidadão está inserido.

Como deve ser o Planejamento das Aulas?

Os professores deverão pautar o seu Planejamento no desenvolvimento dos seis itens citados anteriormente. Isso porque as aulas deverão criar uma relação entre a entrega de conhecimento e o aprimoramento da Competência.
Professores de Artes podem proporcionar aos estudantes um ambiente em que é possível se expressar artisticamente. Deve-se, então, navegar pelo grande acervo artístico existente, desvendando os caminhos da Arte.
O conhecimento e o entendimento da diversidade cultural também podem ser desenvolvidos pela Educação Física. É possível explorar danças e esportes distintos e que pertençam a regiões diferentes do mundo.
O estudo das línguas também deve ser aprofundado, mostrando ao estudante as origens das palavras e expressões. É possível que tal Planejamento seja feito de forma multidisciplinar, na qual as áreas se unem ao conhecimento cultural e enriquecem ainda mais o repertório.
Em Taiwan, por exemplo, existe o programa Immersed in Creativity, da Fundação Qanta Culture and Education. A ideia é criar réplicas de obras para serem expostas, o que faz com que a escola se transforme em uma galeria de arte.
Os estudantes do Ensino Fundamental e Médio são protagonistas desse projeto. Assim, eles conseguem ter contato com culturas diferentes e ainda trabalham o pensamento crítico.

As práticas que desenvolvem as Competências devem continuar

O Repertório Cultural BNCC conseguiu unir pontos importantes que devem fazer parte do Planejamento do Educador. As múltiplas possibilidades de caminhos que essa Competência permite faz com ela possa ser aplicada em diversos contextos educacionais.
Dar a oportunidade de os estudantes terem contato com as várias manifestações culturais e artísticas é prepará-los para enfrentar os desafios da vida.
O acervo do CER tem vários conteúdos que também abordam a prática da aplicação da cultura e da arte em sala de aula.
Aproveite, então, para enriquecer o conhecimento. Veja como a Escola Municipal Francisca Alves (EMFAL), em Belo Horizonte, conseguiu implantar a história e a cultura afro no ensino.

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