Robótica sustentável auxiliando no processo de ensino-aprendizagem

Blog Robótica sustentável auxiliando no processo de ensino-aprendizagem

15/03/2022

Você já ouviu falar em Robótica sustentável?

Bem, antes de falar sobre como o conceito pode auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, vamos dar um passo atrás e entender do que se trata, afinal, esse termo.

O que é Robótica sustentável?

A Robótica é a ciência que estuda as tecnologias – normalmente, associadas à concepção e a construções de máquinas ou robôs.
Um material de Introdução à Robótica da Universidade Federal de São João del-Rei define a Robótica como “um ramo da tecnologia que engloba mecânica, eletrônica e computação, que trata de sistemas compostos por máquinas e partes mecânicas automáticas e controladas por circuitos integrados, tornando sistemas mecânicos motorizados, controlados manualmente ou automaticamente por circuitos elétricos. As máquinas, pode-se dizer que são vivas, mas ao mesmo tempo são uma imitação da vida, não passam de fios unidos e mecanismos. Isso tudo junto concebe um robô”.
Quando falamos, então, nessa “construção de protótipos” associada à sustentabilidade, estamos nos referindo a esse mesmo processo – feito contudo com recursos recicláveis e reutilizáveis, com sucata e com lixo eletrônico.
A Robótica sustentável é capaz de estimular no estudante a capacidade de desenvolver ideias e propor soluções criativas para os desafios corriqueiros do dia a dia, além de aprimorar o raciocínio lógico e trazer a consciência ambiental para o cotidiano. E os benefícios, claro, se expandem para toda a comunidade escolar. Vamos conhecê-los!
Os benefícios da Robótica sustentável para a comunidade escolar

Para os alunos

  • Desenvolver conhecimentos com base na tecnologia e na inovação.
  • Trabalhar a consciência ambiental.
  • Estimular a criatividade e o raciocínio lógico.
  • Conhecer conceitos de programação e automação.
  • Aproximar-se do estudo de protótipos e de eletrônica.
  • Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe e a habilidade de se relacionar.
  • Estimular a capacidade de propor soluções por meio da lógica.
  • Adquirir conhecimento valendo-se da “mão na massa”.
  • Aprender e se divertir ao mesmo tempo.

Para os educadores

  • Transmitir o aprendizado tendo como base situações da rotina.
  • Aprender novas práticas pedagógicas para incorporar em sua bagagem.
  • Estreitar laços com os estudantes baseando-se na tecnologia e na inovação.
  • Transitar entre as diferentes áreas do conhecimento.
  • Trabalhar com metodologias ativas.

Para a instituição escolar

  • Atender às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) com base em projetos interdisciplinares que integram diversas áreas de conhecimento.
  • Ter facilidade de acesso a recursos – que têm baixo custo e possibilidade de reposição.
  • Utilizar e promover material reciclável e reutilizável, inclusive o lixo eletrônico.
  • Criar o espaço para que os estudantes vivam uma experiência que extrapole a sala de aula.
  • Desenvolver uma aprendizagem que promova a sustentabilidade na prática.
  • Criar aproximação entre todos os membros da comunidade escolar com foco na área socioambiental.
Débora Garofalo, autora do livro “Robótica com Sucata” e a primeira brasileira e primeira sul-americana a ser finalista no Global Teacher Prize, o Nobel da Educação, concedeu uma entrevista ao CER sobre as tendências educacionais para 2022. Questionada sobre a aplicação da Robótica em sala de aula, ela revela:
“A robótica pode ser trabalhada desde o Ensino Infantil até o Ensino Médio, porque ela tem um enorme potencial. Ela oferece a oportunidade de trazer para o estudante um aprendizado diferenciado porque o estudante constrói o seu protótipo. Ou seja, ele tem todo um processo de construção e de conhecimento.
Para isso, o aluno vai mobilizar diversas áreas do conhecimento, mas também vai trazer o desenvolvimento de competências socioemocionais, resolução de problemas, colaboração, empatia, frustração, o erro. Então há uma funcionalidade, especialmente para o Ensino Médio, de vivenciar o que existe por trás dos dados. Não necessariamente fazer com que eles sejam programadores, esse não é o intuito. Pelo contrário, é fazer com que eles reflitam em uma sociedade que está cada vez mais conectada digitalmente, cujos bastidores eles compreendam. Que eles possam ser não apenas consumidores de tecnologia, mas que possam, principalmente, produzi-la.”
Em seu Guia Especial – Robótica com Sucata para Todos (disponível para download aqui), a professora afirma que, entre os conhecimentos mobilizados pela “mão na massa” da Robótica, estão:
1. Importância do espaço;
2. Cultura maker;
3. Metodologias ativas;
4. Aprendizagem por projetos.
Em uma palestra transmitida no canal Secretaria da Educação de Sobral (CE), os participantes discutiram sobre “Robótica sustentável, educação maker e avaliação da aprendizagem: do presencial ao remoto”. Para André Cardoso, professor de Robótica e fundador da startup Robótica Sustentável, o protagonismo do estudante se faz mais importante do que nunca:
“Nos tempos em que estamos vivendo [comunicação prioritariamente digital], ele [aluno] precisa mais do que nunca da metodologia ativa. Ensinar, praticar, discutir. Perceber a autonomia do aluno e possibilitar que ele seja protagonista dos próprios projetos.
A educação maker pode contribuir e potencializar a educação tradicional. A aprendizagem ativa é muito importante nisso, assim como a aprendizagem criativa, significativa, baseada em projetos e em paixão. É a apropriação do aluno em aprender aquilo que ele gosta, aprender se divertindo, aprender brincando e ainda ter essa possibilidade de fazer em conjunto. Isso é a educação maker.”

E onde a Robótica entra onde? Ele diz:

Hoje a gente tem visto muito a questão da robótica, que é a nova disciplina para a educação do futuro. E o maker pode estar associado à robótica. Ela também pode ser interdisciplinar. Não precisa desenvolver a tecnologia por si só, é uma robótica educacional. Principalmente relacionada à Base Comum Nacional Curricular (BNCC), a gente percebe que a robótica e a educação tecnológica são transversais. Vai atingir cada um dos estudantes em cada disciplina – história, português, geografia, matemática. Vamos entrar em um contexto em que colocamos a possibilidade de o aluno apresentar tecnologia no desenvolvimento educacional.
Na sequência, o professor lista alguns desafios escolares para aplicar a Robótica tradicional na escola – dentre eles a limitação de orçamento. E é aí que surge a Robótica sustentável:
“A robótica sustentável é justamente isso – a união da educação maker com a educação tecnológica, possibilitando a integração da sustentabilidade. Entre os benefícios, estão: é sustentável, utiliza materiais de fácil acesso; é estimulante, porque aluno põe a mão na massa; pertence ao aluno, porque ele leva seu projeto para casa. Isso é um diferencial enorme. Ele aprende, ele percebe que o projeto foi feito por ele – com garrafa PET, com copinho plástico, ele tem a apropriação do artefato. Ele vai ter boas lembranças.”
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