Desafios da inclusão social no ensino à distância

Escolas de todo o Brasil migraram para as aulas on-line estando ou não preparadas para isso, com a chegada da pandemia da Covid-19. As instituições de ensino que já tinham atividades on-line e, portanto, infraestrutura e familiaridade com a tecnologia, acesso a plataformas e, mais importante, metodologias para ensino on-line, adaptaram-se à nova realidade mais rapidamente. Mas, infelizmente, essa não é a realidade da maioria das escolas brasileiras.

Um dos maiores desafios está exatamente no que há de mais básico no ensino à distância: o acesso à tecnologia. No país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Logística (IBGE), cerca de 57% das residências possuem conexão com a internet apenas. Com uma velocidade de conexão nos dispositivos fixos, como desktop, em média, a 48,75 Mbps e nos smartphones, a 24,79 Mbps, valores muito inferiores aos de outros países.

A mediação por telas, microfones, suporte de imagem faz com que a comunicação tenha novos contornos, e o aprendizado se dê de forma diferente. Neste post, vamos falar sobre alguns dos desafios da inclusão social no ensino à distância, especialmente em tempos de pandemia.

Inclusão social no ensino à distância: um longo caminho a ser percorrido

Infelizmente, as iniciativas de inclusão social no Ensino a Distância ainda são muito fragmentadas e escassas. Refletem os desafios que já vinham sendo enfrentados na educação presencial, segundo Pedro Prata, coordenador da Escola de Gente, organização não governamental fundada em 2002. Tem com o propósito de colocar a comunicação a serviço da inclusão na sociedade, principalmente de grupos vulneráveis como pessoas com deficiência. “O que temos visto na pandemia é uma tendência que já víamos nas escolas. Por um lado, o Brasil avançou muito no que diz respeito ao direito à educação para jovens com deficiência nos últimos 15 anos, principalmente. Mas já víamos nas escolas uma dificuldade de adaptação aos mecanismos de acessibilidade. Isso não é novidade”, explica.

O caráter temporário da situação também não ajuda muito. Como as escolas estão contando com a volta do ensino presencial a qualquer momento, muitas delas estão focadas em conseguir uma qualidade mínima do conteúdo para a maior parte dos estudantes. O que já é um desafio grande o suficiente para o momento. Principalmente considerando o investimento na aquisição de plataformas acessíveis ou em recursos específicos para a inclusão social no Ensino a Distância.

Com isso, a carga acaba ficando por conta dos professores e dos familiares. “Vemos iniciativas muito corajosas de professores no sentido de, da noite para o dia, tentar dar acesso ao conteúdo de alguma maneira ou propor atividades de acolhida”. As famílias, em muitos casos, acabaram assumindo o papel de educadores durante o momento, seja acompanhando os filhos nas aulas on-line, seja simplesmente encontrando atividades para preencher o tempo em que o jovem estaria na escola.

A própria ONG fez uma live em caráter experimental, tentando criar um conteúdo voltado à inclusão social no Ensino a Distância, com recursos de acessibilidade. Mas, como dissemos, a ideia foi uma experiência inicial, para inspirar escolas e instituições de ensino no Brasil a fazer o mesmo. “Não podemos ter essa percepção de que crianças que têm deficiência podem ser deixadas de fora das atividades e lições, mesmo em uma situação temporária como a atual”, lembra Pedro.

Plataformas mais acessíveis implicam em diversidade em sua criação

O problema, segundo Pedro, não está só nas plataformas EAD. Está também nos sites, nos aplicativos e nas ferramentas cotidianamente usados para atividades on-line como YouTube, Instagram, Zoom, dentre outros, que contam no máximo com recursos de legendas, transcrição e tradução. Isso acontece porque quem faz a criação e a produção dessas ferramentas geralmente não tem deficiência ou não entende, a fundo, as especificidades do aprendizado de pessoas com deficiência. “A tecnologia, ao mesmo tempo, disponibiliza soluções, mas está sempre atrasada em relação a quem tem deficiência”, diz.

O primeiro e mais importante passo, portanto, visando solucionar os desafios da inclusão social no Ensino a Distância, é ter um time mais diverso por trás das equipes de design, programação, criação em geral, além da consultoria de profissionais especializados em Neurociência e Educação Especial. “Toda criança tem direito à educação. Temos que garantir que a criança aprenda do jeito como ela sabe aprender”, conclui Pedro.

A inclusão social, além de um direito, é uma maneira de dar mais autonomia e protagonismo para milhares de jovens. Por isso, tem uma relação muito próxima com a mentalidade empreendedora, ou a capacidade de tirar ideias do papel e escrever a própria história. Conheça uma história inspiradora de inclusão social por meio de uma restaurante-escola e um café em São Paulo.

 

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