Descubra como três escolas mineiras estão lidando com a pandemia de COVID-19 e as aulas on-line

Estamos passando por um período bastante desafiador em razão de uma pandemia do novo coronavírus, a COVID-19. Todos os setores estão sendo impactados e com a educação, não é diferente. 

O número de estudantes fora da sala de aula já é superior ao de jovens que seguem indo à escola em todo o mundo, e a tendência é que esse número aumente ainda mais nos próximos dias. Por isso, a educação on-line tem sido uma grande aliada das instituições de ensino ao redor do planeta. Aquelas escolas que já haviam passado por uma transformação digital saem na frente, com infraestrutura e metodologia adaptadas para o ensino a distância (EAD). Outras instituições, no entanto, tentam fazer o melhor com o que podem e se têm aventurado nas  videochamadas, na produção de conteúdo para o YouTube, dentre outras alternativas. 

Pensando nisso, o CER preparou uma série de conteúdos especiais para o momento. Nossa intenção é sanar suas dúvidas e oferecer ferramentas visando dar o suporte necessário durante esse período de educação on-line. Esperamos que goste! Boa leitura!

1,3 bilhão de estudantes fora das salas de aula, cerca de 80% dos alunos em todo o planeta, segundo dados da UNESCO. Esse é o cenário da educação no mundo durante a pandemia do novo coronavírus – COVID-19 –, que tem levado uma grande parte das escolas a  lançar mão de aulas on-line como solução para que o semestre letivo não seja perdido.

Com plataformas pagas ou gratuitas, pelo computador ou pelo smartphone, o momento de aulas on-line vem sendo de adaptação para todos os envolvidos: professor, estudante, instituição de ensino e famílias. Visando entender melhor como está se dando a experiência de algumas escolas, conversamos com diretores e também com coordenadores pedagógicos de algumas instituições sobre o período de aulas on-line. Confira os cases a seguir:

Cooperativa Educacional São Roque de Minas

Quando recebeu a notícia de que teriam de fechar as portas por três dias, inicialmente, a equipe do Instituto Educacional mantido pela Cooperativa Educacional São Roque de Minas acreditou que seria algo temporário, até que entendeu que essa suspensão de aulas presenciais poderia ser mais demorada. Nos primeiros dias, os professores continuaram enviando tarefas para a casa dos alunos, enquanto participaram de uma capacitação a fim de aprender mais de ferramentas digitais educacionais e suas aplicações nas aulas on-line.

Os educadores passaram a utilizar, então, o Zoom, e criaram um canal no YouTube para a transmissão do conteúdo das aulas via internet. O WhatsApp também tem sido utilizado como suporte, ou seja, cada turma tem um grupo.

As aulas on-line estão disponíveis para todos os estudantes, do ensino infantil ao ensino médio. Com os pequenos, as videochamadas são mais lúdicas, claro, e contam com a ajuda dos pais. As atividades geralmente envolvem brincadeiras com materiais que as famílias têm em casa. As aulas on-line de Educação Física, mesmo dirigidas aos maiores, também incorporaram as brincadeiras para se tornarem mais viáveis. “Corrida com o ovo na colher” e “Circuito indoor” são algumas delas. Além disso, agora os professores enviam artigos e casos de estudo aos estudantes, o que não era muito comum nas aulas presenciais.

O instituto é afiliado ao sistema Bernoulli. Portanto o material didático já existia em formato de e-book, o que foi um grande facilitador para o momento atual.

Outro investimento da instituição voltado à qualidade das aulas on-line diz respeito à saúde mental dos estudantes. “Nós já tínhamos dois psicólogos na escola, um para estudantes e para as famílias e outro para os colaboradores. Eles estão mantendo o contato com as famílias e os alunos. E também intensificaram o contato com os professores, buscando manter o equilíbrio durante o momento, que é desafiador”, explica Maria José de Faria Leite, presidente da Cooperativa e diretora do Instituto de Educação mantido pela Cooperativa.

Os horários de aula também sofreram modificação. As reuniões do Zoom são agendadas, de comum acordo entre professores e estudantes. Já os exercícios são feitos pelos jovens atendendo a seus horários e sua organização pessoal, seguindo o modelo de Sala de Aula Invertida para fugir da participação passiva durante as aulas on-line.

Até o recreio ganhou uma versão on-line. Durante o momento das pausas, cada estudante faz seu lanche em frente do computador ou do smartphone, enquanto bate um papo com os amigos. “Isso ajuda a dar uma aproximação, faz com que eles vejam o rostinho dos colegas e a matar as saudades”, explica a diretora.

Escola de Formação Gerencial do Sebrae

No início da pandemia, ou seja, no começo do mês de março, a escola tomou algumas providências para garantir mais segurança  aos alunos: embora as aulas continuassem presencialmente, eventos com aglomeração de pessoas foram suspensos, e os horários de recreio, alterados. Com o anúncio da suspensão das aulas, a escola saiu em vantagem, mesmo tendo sido pega de surpresa: já usava o Google Classroom, e a ferramenta foi uma aliada nesta fase de transição.

O que era um complemento para as aulas presenciais virou essencial nas aulas via web e se transformou no principal canal de contato e troca com os estudantes. Por lá, é possível participar de uma espécie de fórum e trocar documentos. Durante o horário das aulas, os professores permanecem on-line na plataforma, com o intuito de conversar com os jovens e tirar dúvidas que podem surgir das aulas on-line em vídeo ou em formato de transmissão ao vivo (lives). No que diz respeito aos vídeos, os professores são livres para escolher a ferramenta de sua preferência.

E cada professor tem avançado em um ritmo diferente, segundo a coordenadora pedagógica, isto é, uns com mais facilidade e outros com menos. “Só temos pedido que eles evitem usar as redes sociais, para conseguirmos comprovar as aulas posteriormente para a Secretaria de Educação”, explica Marina Rodrigues Ramos, coordenadora pedagógica.

A Psicologia Educacional tem feito um trabalho minucioso de acompanhamento dos estudantes ao realizarem as atividades de forma remota e identificando quais os estudantes que conseguiram ou não realizar as provas on-line, para que possamos entender os motivos da não realização das mesmas, cercando os nossos processos. Este contato, faz com que fiquemos mais próximos dos nossos estudantes e o orientemos para uma rotina de estudo. A Psicologia Educacional também criou um manual de estudos, para que o nosso estudante possa se organizar neste momento.

Um grande desafio que nos propusemos a fazer, foi a semana avaliativa. Criamos um calendário com os dias da semana e as provas agendadas das disciplinas. Cada professor responsável pela disciplina criou uma prova on-line ou, caso optasse por um trabalho, o mesmo foi disponibilizado nas salas virtuais para os estudantes. Os resultados que obtivemos foram significativos, considerando que os estudantes conseguiram desenvolver estas provas no horário previsto conforme alinhado com a Escola.

Dentre os desafios do período, equilibrar o volume de atividades é um dos pontos citados por Marina. Como oportunidade, ela observa a disposição dos professores para se reinventarem e para lançarem mão de ferramentas variadas.

Colégio Edna Roriz 

A reação rápida à mudança no formato das aulas foi um dos fatores que fizeram o Colégio Edna Roriz sair à frente em relação às aulas on-line. Com aulas suspensas oficialmente a partir do dia 18 de março, a escola já estava preparada para transmitir todo o conteúdo via internet na segunda-feira seguinte.

Antes disso, alguns cuidados já vinham sendo tomados: copos nos bebedouros, alteração nos horários de recreio, pausas para lavar as mãos. Os jovens também foram orientados a levar materiais para casa, com a iminência da suspensão das aulas presenciais. Nos primeiros dias, eles também receberam orientações relacionadas à gestão do tempo e das tarefas, a fim de que o momento de transição se desse da forma mais suave possível.

No início das aulas on-line, a orientação foi a de que os professores se concentrassem mais nos exercícios e menos nas aulas expositivas. Atualmente, cada matéria tem dois horários seguidos, em aula-geminada – o primeiro para teoria, e o segundo, para a prática e tira-dúvidas. Isso também facilitou a organização dos horários dos professores em relação ao modelo on-line. Os estudantes que fizeram a opção pelo horário integral podem participar de plantões pela internet, seguindo o horário normalmente.

“O número de ausências tem sido igual ao do ensino presencial. E entramos sempre em contato com as famílias para entender suas dificuldades”, conta Maria Alice Viotti, coordenadora pedagógica.

No que concerne à educação infantil, Música e Educação Física também acontecem por meio de aulas on-line e têm sido um sucesso, segundo a coordenadora. “Os alunos de 4 a 5 anos e os do fundamental I se conectam com a ajuda dos pais, mas muitos permanecem por conta própria na aula. Os menorzinhos do maternal têm acompanhamento próximo dos pais”, diz Maria Alice. As aulas on-line, porém, tornaram-se mais dinâmicas e criativas, para manter o engajamento deles. Mais imagens, vídeos, apresentações são os recursos mais usados como suporte.

As aulas on-line vão deixar algum legado? Maria Alice afirma que sim. Ela, que também é professora, já especula sobre quais atividades e dinâmicas poderão ser incorporadas depois que a pandemia acabar. O intuito é  tornar o processo de ensino-aprendizagem ainda mais completo.

Gostou de saber como as escolas têm se adaptado? Uma das chaves para o sucesso das aulas on-line é ter o apoio da família em todo o processo. Descubra seis maneiras de trabalhar tendo os familiares como aliados na Educação a Distância (EAD).

 

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