Educação na cidade: como Barcelona integra aprendizado e ocupação do espaço público - Educação fora da sala de aula

O que é um ambiente educacional? Como é possível definir um espaço ideal para a aprendizagem? Esse tipo de pergunta inicia um debate extremamente importante. É preciso questionar os limites da escola como espaços exclusivos de aprendizagem, buscando compreender como  superá-los e ampliá-los de forma construtiva e inovadora. Afinal, a educação na cidade é importantíssima para que possa haver inclusão, diversidade e êxito cultural.

No artigo a seguir, vamos explorar um caso interessante que se deu em Barcelona, na Espanha, envolvendo um projeto que busca levar o ambiente de aprendizagem para fora da sala de aula. Também proporemos soluções para que seja possível expandir a educação na cidade de forma prática. Vamos lá?

Barcelona: uma cidade educadora

A cidade de Barcelona, na Espanha, tem orgulho de se declarar uma Cidade Educadora. Sua principal estratégia para que tenha sucesso em seu objetivo envolve engajar espaços públicos em prol da educação. Um dos casos de maior sucesso do projeto abrange o distrito Ciutat Vella. Enfrentando problemas de êxodo escolar, as instituições de ensino se reuniram, com o objetivo de discutir como seria possível superar desigualdades sociais e ampliar a inclusão na educação.

A solução central do projeto busca aproveitar os ambientes culturais disponíveis na região e transformá-los como parte do currículo escolar. Dessa forma, pode-se não só adicionar transdisciplinaridade nos projetos educacionais, como também engajar toda a comunidade com um mesmo propósito: proporcionar educação de qualidade e inclusiva a todos.

Uma das estratégias adotadas foi o apadrinhamento. Os educadores firmaram parcerias com centros culturais, como museus, escolas de música, teatros, dentre outros, como meio de ampliar o currículo escolar. Além disso, foram feitas modificações no espaço público, como iniciativa de transformá-lo em um ambiente educacional e como parte das aulas.

Um dos cases de destaque envolve o projeto Caminho Escolar. Buscando incentivar os alunos com mais de 8 anos a caminhar sozinhos da casa até a escola, foram feitas intervenções no trajeto, a fim de facilitar a rotina das crianças. Ademais, as instituições criaram estacionamentos para bicicletas e patinetes. Placas e adesivos foram colocados em comércios, que poderiam ser utilizados como pontos de referência  aos alunos. Dessa forma, foi possível engajar toda uma comunidade e explorar a educação na cidade.

Como a educação na cidade transforma o processo de aprendizagem

Projetos como os aplicados em Ciutat Vella possuem enorme potencial transformador no processo educacional. Em primeiro lugar, a metodologia amplia o processo de aprendizagem, criando conexões e associações durante o ensino das disciplinas. Esse tipo de método, também conhecido como “aprendizagem significativa”, possui potencial de otimizar a durabilidade do conhecimento.

Outro diferencial é que ele unifica as noções teóricas aprendidas em sala de aula com conhecimentos práticos e que promovam debates que vão além das noções cognitivas, abrangendo questões sociais. Ao incentivar as crianças a entrevistar idosos do bairro durante um trabalho de História, por exemplo, o currículo escolar explora tanto os fatos históricos na sala, como também propõe um debate público que invoque experiências pessoais, vivências e opiniões. Isso gera oportunidade para desenvolvimento de habilidades importantes como a empatia e o respeito ao próximo.

Outro destaque é que o engajamento da comunidade permite que todos possam aprender, não só as crianças. O aumento da participação de pais e familiares no processo educacional enriquece a qualidade de ensino e proporciona diálogo entre os moradores. As políticas estatais acabam tendo maior durabilidade, uma vez que há benefícios para todos, e a consciência da importância do ambiente escolar aumenta, diminuindo assim a evasão de alunos que não completam seus estudos.

Como extrapolar os muros da escola e ampliar a educação na cidade

O conceito de “Cidade Educadora” parte do princípio de tomar elementos da cidade como agentes pedagógicos, a fim de propagar o processo de aprendizagem e visualizar espaços públicos como territórios educativos. Por isso, para explorar a educação na cidade e extrapolar os muros da escola, é necessário pensar em estratégias de engajamento com a comunidade local, explorando a cultura como meio de promover e instigar a educação.

Uma estratégia simples e eficaz é criar parcerias com comércios locais, produzindo transversalidade em disciplinas acadêmicas. Se há um zoológico na região, por exemplo, é viável estruturar um projeto de Ciências ou Biologia que envolva os animais. Se há uma escola de artes marciais, o professor pode elaborar uma parceria e aproximar as aulas de Educação Física com a colaboração da academia.

Engajar as pessoas que vivem nos bairros próximos também é uma boa alternativa para expandir a educação na cidade. Em aulas de redação e produção de texto, uma sugestão seria pedir que os alunos contassem a história de pessoas que moram na região. Outra oportunidade é aproveitar o espaço público em si. Em aulas de História, o professor pode solicitar que os alunos estudem sobre a região ou sobre a história de algum monumento tradicional das cercanias.

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